40 dias no espaço

Já era mais de meia noite.
Minha maquiagem era de uma gata borralheira. Eu estava cansada, contando histórias, andando por todos os lados... Até você chegar,
O mistério de sempre fazendo meu coração acelerar, meu corpo tremer e uma irritante falta de ar se aproximar! Nem comentarei sobre meu sorriso descompassado... 
- Faz de conta que nem viu! - Alguém me deu o conselho primordial.

Eu havia esquecido o resto da história. Como andar ou qualquer outra coisa, eu só conseguia ver aqueles olhos.
Caminhou em minha direção e deu seu "Olá". Abraçou forte trazendo paz, fazendo a Saudades desaparecer.
Me pegou pela mão e caminhamos até a estradinha de terra.
Ajoelhou-se... E olha que eu nem era mais uma cinderela para ele agir de tal maneira.
Me encheu de elogios e pequenos toques. Causou arrepios profundos, falou com olhares.
A sala escura tão cheia de desejos se tornava cada vez menor.
O melhor lugar da festa era o meu!
Me engolia, me matava, me provocava. Tudo isso sem precisar encostar em mim... 
Eu desviava.
Os lábios se tocavam de leve, minhas mãos rabiscavam suas costas e seu pescoço parece ser um lugar bom para deixar marcas. Meu tornozelo áspero era seu foco... 
Que decepção esse tornozelo pálido!
- É encantador estar ao seu lado sabia? - Pra variar, ele sabe como me deixar corada.

A noite veio e foi, num piscar de olhos... Levou-me até o carro, beijou a mão para não perder a mania que fazia eu me render.
- A gente se vê? - 

É claro que a gente se vê! Todos os dias se você quiser!
Voltei para a casa com o coração dormindo, leve. 
Eu não precisava de mais nada!... Ou melhor, eu precisava sim: O beijo.

Andresa Alvez