Áudio

E mais uma vez, Saint me prova que, “o essencial é invisível aos olhos”...
Eu poderia passar a eternidade a te tocar, ouvir teu riso. Não me importo com tua aparência, acho que já disse isso algumas vezes e necessito reforçar.
“Tu me fazes bem.” E frases minhas, iguaiszinhas a essa se tornam cada vez mais clichês. Não me importo... Mas quero que saiba que cada letra delas é sincera.
Eu ainda não sei em como te imaginar. Sempre penso em um garoto alto, magrelo, de cabelo espetado, de dedos longos e que enquanto conversa com a atendente da livraria, eu posso perceber que sua voz me agrada. Mas eu não vejo seu rosto.
Ele é um desconhecido na fila do caixa. Um desconhecido que eu queria conhecer. Que eu gostaria de olhar os olhos, de caminhar no farol. Um desconhecido que eu gostaria de recostar minha cabeça no peito levemente malhado.
Eu não faço questão dos meus olhos, eles podem permanecer fechados. Faço questão do teu toque.
Mas, ele é um desconhecido.
Sai em direção à porta com a sacola de livros em mãos, sem nem olhar pra trás. Leva embora meus pensamentos e a pouca lucidez que me restava. Me faz permanecer ali, estática, sem nem ao menos piscar para não perdê-lo de vista. Quase largo meus Dvd’s e revistas pelo chão na vontade de ir correndo atrás dele, de deixar a atendente falando sozinha, de não o deixar ir, e de quem sabe, acabar por conquistar aquele desconhecido que já me conquistara.
É como um sonho, onde as pessoas desconhecidas sempre aparecem como vultos. Você as toca, ouve, abraça, mas não as vê.
O doloroso não é ter um e não ter outro, mas sim, não ter nenhum dos dois: Não poder ver, não poder tocar.
Mas, me faz feliz com tuas cordas vocais. Me faz rir, me faz suspirar. Me faz reservar alguns momentos do meu dia para que possa fugir em direção ao som do teu riso.
Me sinto cega. Me sinto em um mundo onde o único sentido que existe é o da audição.
Me faz sentir como se estivesse vendada.
Vou deixar o tempo passar. Tire as vendas dos meus olhos quando achar que deve.
Mas, me deixa te ouvir. Ouvir tua respiração.
Deixa tua voz percorrer meu corpo como se fosse cada um dos teus dedos, me fazendo respirar pesado.
Não me importo de ficar assim, às escuras. Mas me deixa um dia, abrir os olhos pra ti. Deixa eu te tocar. Deixa os meus olhos se importarem com você.
Aguça todos os meus sentidos, vai, tu pode.

Andresa Alvez