Quando chegar o natal!

- Mamãe, quem nasceu nesse dia?
- Jesus Cristo, meu filho! O salvador do mundo.
- Ah! Achei que fosse o Papai Noel. Ele é tão mais bonzinho!

Ainda bem que a mãe acima se lembra de quem realmente nasceu nesse dia. Parece mesmo que o comércio tomou conta de uma festa que deveria ser muito mais que sentarmos com nossas famílias para comermos bastante e trocarmos presentes. Hoje, a chegada do Papai Noel em shoppings, parques de diversões e afins tornou-se mais interessante que a anual reflexão que representa o nascimento do menino que alguns acham que era a expressão máxima do próprio criador de tudo que existe, e que outros pensam ter sido tão somente (embora não menos importante) um grande filósofo do mundo antigo, como Sócrates ou Confúcio, incompreendido como estes e tantos outros.
Não fossem os presépios, cada ano menores, certamente ninguém mais se lembraria do nascimento de Jesus. Aliás, essa é uma data fictícia, pois ele não nasceu no dia 25 de Dezembro do ano 1. Os primeiros católicos tomaram a festa romana pagã do Solis Invictus como um modo de absorver a cultura romana e conquistaram uma importante vitória, convencendo os povos através dos tempos de que Jesus teria nascido naquele dia. Séculos mais tarde, qualquer tentativa de demonstrar que isso era uma farsa fica jogada no ostracismo e na tediosa transformação em lenda. Mas é fato. Agora, nem Jesus e nem mesmo seus seguidores imaginariam que um personagem velhinho e gorducho tomaria conta do mundo de um modo tal que tudo nessa data seja remetido à imagem dele.
Papai Noel. O bom velhinho. Aquele que não esquece de ninguém, seja rico ou pobre. O personagem de maior impacto sobre o público infantil da história. Aquele que sempre vem, em todos os natais, alimentando o sonho da criança de receber o prêmio pelo ano todo de bom comportamento. Essa é a imagem que o comércio não se cansa de alimentar, e que faz tanto sucesso. Hoje está em grandes e milionárias propagandas, vendendo sem pudor até a alma do comerciante por alguns trocados que permitam aos pais descansar da dura tarefa de criar seus filhos enquanto estes se distraem com o novo brinquedinho, até que ele fique velho, e precise dar lugar a algo mais novo ainda.
O que será que fizemos com o natal? O que será que fizemos com nossas vidas? Uma data importante, muito mais que pelo simples fato de lembrar Jesus Cristo, esta é uma festa ao sol, que ilumina nossos caminhos, um tempo para pensarmos melhor sobre como estamos regendo nossas vidas, e foi transformada em uma data detestável se não recebemos presentes. Nos filmes e na televisão, todos que detestam o natal certamente o fazem porque na infância nunca receberam o presente que tanto queriam. Procure nos melhores filmes sobre o natal que estão à disposição.
Mas nós somos os primeiros a nos desprezar, quando nos anulamos para hipoteticamente fazer alguém feliz, ainda que essa felicidade nos custe a nossa. Nós nos machucamos quando nos vendemos, e jogamos no lixo tudo que temos de princípios e amor próprio. Sobretudo, esquecemos de nós mesmos quando, em uma data tão especial como esta, que não precisa de Jesus e nem do Papai Noel para ser especial, não procuramos olhar para nosso interior, e pensar no que queremos e no que não admitimos para nós. É aí que nos fazemos infelizes e vulneráveis aos apelos da mídia comercial. É aí que somos massacrados pelo desejo de consumo e pela necessidade de ter algo melhor que o que o vizinho tem.
Quando chegar o natal, vamos, sobretudo, presentear nós mesmos. Vamos procurar a essência de o nosso próprio ser. É sim, esse ser tão surrado por tantos anos, que na verdade deveria ser o que mais importa nas nossas vidas, e que maltratamos sem dó nem piedade. Tudo no mundo é importante: Amigos, amores, familiares, até o colega que nem gostamos muito (Ele até, por vezes, alegra nossos dias)... Mas nada é mais importante que nós mesmos. Nada é mais importante que olhar para si e poder dizer: Eu sou feliz comigo mesmo. Porque é aí que você poderá levar a felicidade a quem desejar.

Um Feliz Natal!
Uma feliz redescoberta para você!
Seja feliz! Renasça... Seja a vida que você quer ter.

O que vem a ser felicidade / Toda explicação perde o valor... / É tão claro e simples que é verdade / Quando alguém diz que invade / A fronteira do amor. / E, sem perceber leva consigo / Uma cauda aberta de pavão / Que é como um baralho sobre a mesa, / Feito um leque azul turquesa / Ventilando o coração. / Como tudo é tão diferente! / O ciúme, a dor, / O amor, a paixão... / Mas a felicidade é tudo junto, / Todo o tempo num segundo / Não explicaria nem se a flor / Viesse antes do botão. / Esse sentimento poderoso / É estado. é capital, é um país / E o que há de mais maravilhoso / É descobrir que, o tempo inteiro / Estava a um palmo do nariz / E, todo o percurso transcorrido, / Leva-nos a ser contidos / Quando tudo é explosão / Porque a felicidade é um rio denso / E precisa de silêncio / Pra falar ao coração.


(“O que vem a ser felicidade”, de Orlando Morais)