Primeiro Momento

Eu me via num turbilhão! Poderia colocar a culpa disso no sol quente daquele sábado de dezembro...
Apoiei meu corpo cansado na porta bege de madeira e pensava em frases rápidas que eu poderia dizer em menos de três minutos. 
Por entre os arbustos pude avistar algumas meninas (muito belas por sinal) que esperavam por ele perto do camarim. Todas com camisetas e canções na ponta da língua...
Era engraçado ver como ele tinha tomado forma e tamanho em um prazo de tempo tão curto.
Ele se moldou tão rapidamente ao novo mundo que eu nem tinha notado. 
Ou talvez, já tenha nascido moldado, preparado para isso tudo, e por isso, eu achava que havia passado despercebido pelos meus olhos.
Na mão direita segurei a garrafa de suco de maçã verde e estendi a esquerda para ele.
Sorriros e abraços o receberam calorosamente, e estes foram divididos comigo.
Um rosto virtualmente familiar exclamou meu nome e caminhou em minha direção com os braços abertos...
Saudei a todos com leves piscadas, acenei, segurei a alça da minha bolsa para descarregar meu nervosismo.
Eu não estava acostumada com esse mundo no qual ele me colocou. Eu sabia, que a a partir dali, deveria me adaptar a ele com urgência.
Afinal, deveria ter um milhão de sorrisos esperando por mim... Eu só deveria procurá-los.

Andresa Alvez