Janela indiscreta

Janela, escotilha
Porta, grade
Parede, muralha
Chame como quiser
Pra mim isto é uma prisão
Uma solitária
Vivo sozinho, triste
Não vejo ninguém
Nem a luz do dia
Nem a lua, a estrela d’alva
Só seu retrato
Na minha frente
Em minha mente
O tempo todo
O teu sorriso de tortura
Seu cheiro imaginário
Um toque em sua pele
Que nunca houve
E nunca haverá
Só fantasio
E me interrogo
Que culpa eu tenho?
Qual meu crime?
Amar é errado?
Deve ser
Tamanho castigo
Me priva da fome, do sono
Do sonho, da vida
Exagero? Talvez
Engano? Decerto que não
Meu coração se ilude
Mas, não mente
Pobre coitado
Está preso, cativo
Cativado por ti
Bela moça, que não me vê
Aqui trancado
Atrás dessa janela,
Em frente a sua
Nesse presídio
Que chamam de prédio, cidade
Talvez se você soubesse
Que me farias livre
Talvez me libertasse
Ou talvez não
Certamente, não
Pois bem sei
Que já destes a outro
A chave do teu coração

Celso Garcia