Grande demais...

Carrego tudo dentro de mim. E no meio disso, ainda tem espaço para um vazio.
Um vazio gigante, enorme, dolorido.
Eu grito, mas ninguém me ouve. Minhas lágrimas são invisíveis.
No meu vazio tem espaço para a minha família, para aquele que era o meu Amor, para aquele que quis ser, para aquele que fez questão de se tornar.
Tem espaco para uma casa verde e branca, uma sacada, o céu mais lindo do mundo. 
Tem espaço do meu lado, na minha cama, no banco de trás do carro.
No meu vazio, cabem todas as minhas realizações, os meus sonhos de menina e de mulher, os meus objetivos ainda não alcançados.
No meu vazio cabem flores a esperar, dois a sós.
Tudo que me completava, me transbordava, me fazia ter um olhar diferente se foi, e agora, eu passo as madrugadas sozinha. Eu não chego mais em casa com um abraço com cheiro doce me esperando. 
Eu não canto mais, eu não aprendo mais. 
Eu acordo todos os dias esperando que ele termine logo.
Eu não queria esse espaço. Eu queria que alguém me ouvisse.
Eu queria me perder em um dos seus mil abraços, te ouvir cantar a noite inteira. Queria voltar, pra mais um sorriso, mais um beijo.
Carrego tanto dentro de mim. Eu só não gosto de falar sobre isso porque não quero os olhares de pena, nunca os quis.
Eu queria alguém pra me esperar, e sentir falta na mesma proporção que eu sinto.
Eu queria confiar, como antes; me entregar sem medo, te esperar sabendo que vais voltar.
Eu queria me transbordar. 
Temo que esse vazio me consuma, me leve, me mate lentamente.
Eu procuro alguém pra me salvar.

Andresa Alvez