Cartas para ela

Belo Horizonte, 14 de maio de 2013.

Linda,

Estou deprimido. Foi duro constatar, mas enfim caí em mim. Pensei ser só tristeza, achei que fosse somente saudade, ponderei, senti sua falta. Mas, a verdade é que a sua ausência doeu em mim. Doeu por dentro, por fora e enfim me consumiu.
Morri em mim quando você me deixou. Não sabia quem era pois não me enxergava em um mundo sem você. Tentei de todas as formas restaurar minha felicidade. Quis viver minha vida, mas não tinha vida sem o seu sorriso, sua compreensão e seu carinho.
Várias vezes pensei em te ligar. Muitas outras quis me aproximar. Mas, você não gosta de surpresas. Infelizmente, te surpreender era o máximo que eu tinha a oferecer. Não te fiz feliz apesar de ter tentado. Não te fiz melhor mesmo tendo crescido muito ao seu lado.
A verdade é que o nosso plano, nem sempre segue o roteiro que a vida tem preparado. As vezes, nos surpreendemos com os desencontros que nos aparecem, mas é preciso que saibamos, meu amor, que, quando há vontade de ambas as partes, as barreiras se quebram e as rotas são alteradas.
Pouco me importa o destino traçado. Não me interessam os caminhos que escolheram pra mim. Quero me informar a respeito das nossas escolhas. Preciso saber das suas vontades. E não se surpreenda quando constatarmos que as suas, muitas vezes, assemelham-se às minhas.
É isso o amor. O amor é uma construção de convergências. Nem sempre somos um. Porém, se quisermos, é possível transformarmos retas concorrentes em seguimentos paralelos. Basta fazer acontecer.
Estou deprimido. Foi duro constatar, mas enfim caí em mim. Preciso muito de você. Desculpa, mas essa foi a constatação mais humilde que consegui do alto da minha arrogância fazer.

Amo você! Beijo,

Gustavo Dias