Sol e lua

Corre pra janela, vai ver a lua. Será que ela já apareceu por aí?
Estamos tão longe.
Estou olhando pra lua, alaranjadamente linda no horizonte, pensando em você. Posso jurar que vejo São Jorge enfrentando o dragão. Deve ser apenas uma cratera, eu sei, não dá pra ver direito. Está tão longe, a lua.
A Terra e a Lua, já parou pra pensar? São dois corpos movendo-se nesse imenso espaço, tão distantes entre si, mas que ainda assim, se atraem, querem ficar juntos, passe o tempo que for. Estou só divagando...
Saudades de você... Faz tanto tempo. São semanas, eu sei, mas parecem anos.

Será que a lua já apareceu por aí, entre os prédios da selva de pedra? Ou será que o céu aí está coberto de nuvens, como sempre? Aí chove tanto e faz frio.
Frio também fico eu, sozinho a olhar a lua que sobe lentamente, mudando de cor. Já está levemente amarelada, mas ainda assim, linda.
Estou matando o tempo a olhar pra ela, não quero voltar pra casa. Você não estará lá. Aquele lugar fica tão vazio sem o som dos seus chinelos passeando entre os cômodos. Sem seus fios de cabelo no sofá.
Você não vem há tanto tempo que seu cheiro já deixou o travesseiro...
Saudades.
Por que você não vem e me conta alguma história do seu cotidiano? Uma epopeia sobre como foi difícil marcar horário na manicure ou, quem sabe, um poema sobre como dormiu bem ao meu lado. Sei lá, estou divagando.
É que o tempo tem custado a passar. Lá longe a lua segue seu rumo moroso até o centro da meia-noite, tem um brilho prateado, agora. A essas horas ela já deve ter aparecido no seu céu, consegue ver?
Acho que não. Estamos tão longe. Talvez por aí a noite nem tenha caído. Quase um feitiço de Áquila, eu com a lua, você com o sol. 
É, eu sei, estou exagerando. Não é tão longe assim. Vai ver que é a saudade...
Vou esperar mais um pouco, o sono que me perdoe. É que dormir sem você não tem a mesma graça e, breve, você verá a lua também. Ficaremos os dois a olhar pra ela.
Quem sabe assim, olhando na mesma direção, a gente fica junto?!

Celso Garcia