Sobre o lado ruim de algumas pessoas

“Ser correto é difícil. Muito difícil”. Quando vivemos em uma sociedade, essa é uma tarefa aparentemente árdua. Nós somos seres que falham, e o fazemos reiteradas vezes. Imperfeitos: Esse é o nome que se dá ao que somos. Mas, oras, será que é mesmo tão complicado ser correto no mundo em que vivemos? Será que todo mundo tem algum modo de ‘escapar’ do tal bom caminho?
O que não é fácil é ter que viver uma mentira de vida, a todo momento enganando pessoas para se atingir algum objetivo pessoal mesquinho em busca de dinheiro ou poder. Acho, com algum grau de certeza, que talvez seja esse o modo mais vil de não ser correto. Por isso mesmo comecei com ele. Os outros meios de fugir à correção, sobretudo no entendimento de sociedade, muitas vezes fazem mal apenas ao ‘infrator’. 
Mas se aproveitar da crença dos outros para fazer a escada que levará o incorreto ao degrau de sua cama de poder ou fortuna, recoberta com tenros lençóis da pura seda da ilusão dos enganados, ah, isso é, além de uma prática mesquinha, algo nojento, vil e abominável. Ser bom ou ser malvado é característica pessoal. Refutável, mas pessoal. 
Mas passar alguém que acredita no que se vendeu como sonho para trás, deixando que se embarque em algo que não existe na realidade, permitindo que se deixem, inclusive involuntariamente, as certezas de sua vida, muitas vezes mediante cobrança das benesses de tempos passados, isso beira o inadmissível. As pessoas que usam dessa prática merecem realmente o asco da sociedade. Precisam ser deixadas de lado para sempre de qualquer participação na vida social. Pois, ao invés de trabalhar em favor das pessoas, quando adquirem algum tipo de poder, os incorretos costumam mesmo sobrepujar-se. A história está repleta dessas criaturas. É só abrir um livro. 
Mas, em verdade, o que acontece não é a paga que merecem os gênios ruins da sociedade. Essas pessoas geralmente contam com a boa fé dos enganados, que costumeiramente não contam para todo mundo o quão vil existe na ‘maçã podre’, mas se calam. E de golpes em golpes, um dia se conquista o objetivo. E quem sofreu o golpe, fica esquecido no passado, ou acaba passando para todos como o ruim da história, posto que esta sempre é contada pelos vencedores. 
Com tudo desse único e sintomático exemplo, voltamos à nossa pergunta. Será que é difícil ser correto? Não. Mas é perceptível que para aqueles que entendem que o incorreto é um caminho a se considerar, os exemplos de sucesso de quem engana, escraviza, ou até mesmo mata, muitas vezes é mais interessante que o dos chatos corretos. É certo que ninguém é infalível. 
Todos erramos. Mas todos nós sabemos também que é possível começar hoje a construir um novo futuro, onde a vida dos mentirosos possa conter mais verdade e menos enganações. Nem as próprias, nem as de outros. Ser correto não é difícil. Mas ser verdadeiro é um caminho que, para alguns, às vezes, não tem o mesmo sabor dos golpes. 
Errou? Peça desculpa. Mas aprenda! Não cometa novamente o mesmo erro. Só assim se cresce e se é possível viver com mais paz de espírito. Ser correto é o maior barato.

Leonardo Távora