Erro ambulante

Sou ciumenta, psicótica. A psicose herdei do meu pai, e o ciúme da minha mãe.
Não sei andar sozinha, o que para alguns deve ser irritante. Nem todo mundo gosta de andar de mãos dadas. Acompanhar meus passos é tarefa difícil também, ando devagar, ando curtinho, tem que ter calma.
Gosto de tocar nas pessoas. Sempre estar encostada nelas. Alguns vendo eu sempre segurando as pontas dos dedos dos outros deve pensar que minha mãe não me deu carinho... Enganam-se! Ela deu, e deu tanto que esse sai de todos os meus extremos, precisando então deixar um pouco dele em todos que estão a minha volta.
Eu choro. E choro, e choro. De alegria, de medo, de Saudade, de Amor, de insegurança, de TPM, de raiva, de ódio. Eu choro.
Eu gosto que me abrace, em qualquer situação.
Eu zelo pelas lembranças, pelo lado bom do passado. Não cutuco feridas cicatrizadas, o que ficou não volta mais.
Eu sou extremamente medrosa. Medo de escuro, de ladrões, de estranhos, de filme de terror, de cachorro, de hospital.
Eu gosto daquela paz de ficar em casa com alguém. Não gosto de ver filme porque não sei ficar quieta. Gosto que me convide para ir ao teatro, a um bar, mas que entenda que não posso beber. Eu não fumo. Não sei tragar, mas acho as carteiras de “Black Devil” rosa bem bonitinhas...
Gosto de homens magrelos, narigudos, sardentos, que deixem expostos seus sorrisos brancos e que me deixem bagunçar seus cabelos escuros.
Gosto que me aperte, que não me solte, que me segure, que brinque com os meus cachos, que me morda, que sussurre, que me implore para cantar, que me faça escrever.
Gosto que sintam ciúme, mas odeio sentir. Portanto, não provoque isso em mim!
Gosto de piada inteligente, de que acompanhe minha risada escandalosa, que mergulhe de cabeça nas minhas loucuras, que não julgue minhas palavras.
Gosto de verdade, de vontade, de ficar sem fôlego, de sábado, de pôr do sol, de terraço, de madrugada, de falsete, de piano, de all star, de flores, de amarelo.
E por fim, eu Amo demais. E talvez esse seja o meu maior defeito. Minha mãe diz que eu não sofro porque sempre estou Apaixonada por alguém, porque sempre quero uma pessoa diferente... E agora, quem se engana é ela.
Na minha altura que sempre oscila dependendo da fita métrica, cabe tanta coisa que eu tenho até medo de falar.
Mas, meu mundo é grande, e no meu coração, sempre cabe mais um louco. Pode entrar e ficar... Pra sempre. Não sai mais.
E saiba antes de tudo, tem que segurar na minha mão, caso contrário, nem me diga seu nome, é melhor assim.
Andresa Alvez