Ato de polir

E quando teus pedaços estavam pelo chão. Quando tu se tornou um barro carunchado, foi eu quem te recolhi. Quem te ajudou a se quebrar por completo afim de se tornar um vaso novo.
Quando teus pulsos doíam e saíam lágrimas deles, foi eu quem esteve ali... Não apoiando, não ajudando, mas te entendendo.
Numa manhã quente de verão, foi eu quem derramei as lágrimas mais tristes do mundo ao imaginar teu fim chegando.
Num agosto de desgosto, longe, foi eu quem zelou por ti a cada noite, e que a cada dia, esperava ouvir a tua voz.
Foi eu quem te ergui, te cuidei, te respeitei.
Foi eu quem te poliu, afim de te deixar assim, brilhante como és hoje.
Foi eu quem sonhou contigo, dormiu contigo, te protegeu.
Foi eu!
E por mais que eu não passe de uma frágil Flor. Por mais que fisicamente, entre nossa espécie eu seja a mais fraca, foi eu quem durante os teus dias mais tristes (e os mais alegres também) esteve ao teu lado. Mesmo esse lado sendo longe de ti.
Talvez existam outras Rosas, e Girassóis, Árvores bem mais fortes... Mas desde que eu era semente, desde que eu era plano, foi eu quem te ensinou a fazer pedidos, te escreveu poemas, Te Amou.
Não quero méritos, nem que tu me agradeça por isso todos os dias. 
Quero morar nas tuas lembranças. Ocupar espaço no teu coração. 
Quero que olhes para uma rua e lembre de mim. Que um fato qualquer te faça querer ouvir a minha voz.
É isso que eu quero... 
Eu fui proteção no teu passado e serei teu reflexo invertido no futuro.
Tudo isso, porque foi eu.

Andresa Alvez