Mestres da escrita: "Fernando Pessoa"

O Literatura Exposta reabre suas páginas para o público. Estamos de volta, com publicações inéditas. O período de férias é sempre importante para oxigenar a mente e descansar o corpo (no caso as mãos). Mas é momento de voltar. E nada melhor que trazermos, como primeiro post inédito do ano, um dos maiores escritores em língua portuguesa do mundo. Hoje o blog tem o prazer de trazer a vocês ninguém menos que Fernando Pessoa.
Boa leitura!

Sonhe com as estrelas
Fernando Pessoa

Sonhe com as estrelas,
apenas sonhe, 
elas só podem brilhar no céu.

Não tente deter o vento, 
ele precisa correr por toda parte, 
ele tem pressa de chegar, sabe-se lá aonde. 

As lágrimas? 
Não as seque, 
elas precisam correr na minha, 
na sua, em todas as faces. 

O sorriso! 
Esse, você deve segurar, 
não o deixe ir embora, agarre-o! 

Persiga um sonho, 
mas, não o deixe viver sozinho. 
Alimente a sua alma com amor, 
cure as suas feridas com carinho.

Descubra-se todos os dias, 
deixe-se levar pelas vontades, 
mas, não enlouqueça por elas. 

Abasteça seu coração de fé, 
não a perca nunca. 

Alargue seu coração de esperanças, 
mas, não deixe que ele se afogue nelas. 

Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue. 
Se sentir saudades, mate-as. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o! 

Circunda-se de rosas, ama, bebe e cala. 
O mais é nada.

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Um pouco mais sobre o autor:

Fernando Pessoa (1888-1935) foi um poeta e escritor português, nascido em Lisboa. É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal. 
Aos seis anos de idade, Fernando Pessoa foi para a África do Sul, onde aprendeu perfeitamente o inglês, e das quatro obras que publicou em vida, três são em inglês. Durante sua vida, ele trabalhou em vários lugares como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, e ao mesmo tempo produzia suas obras em verso e prosa. 
Como poeta, era conhecido por suas múltiplas personalidades, os heterónimos, que eram e são até hoje objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. 
Fernando Pessoa faleceu em Lisboa, com 47 anos anos de idade, vítima de uma cólica hepática causada por um cálculo biliar associado a cirrose hepática. O diagnóstico hoje em dia é contestado por diversos médicos.

Os principais heterônimos de Fernando Pessoa são: 

- Alberto Caeiro, nascido em Lisboa, e era o mais objetivo dos heterônimos. Buscava o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. É o menos "culto" dos heterônimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura. 

- Ricardo Reis, nascido no Porto, representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos. Apóia-se na mitologia greco-romana; é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, porque a morte está à espreita. É um médico que se mudou para o Brasil. 

- Álvaro de Campos, nascido no Porto, é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso. Campos era um engenheiro inativo, inadaptado, com consciência crítica.

Fonte: pensador.uol.com.br