Revendo: "No caminho de um sonho"

Segue mais um texto de férias. Enquanto os autores do Literatura Exposta descansam (todos precisamos, né?), você confere textos do início do blog.
Boa leitura!
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Pensativo, ele fitava o belo horizonte que se estendia sobre seus olhos naquela janela de seu apartamento. Ao fundo, ouvia-se a suave melodia do Madredeus. A voz de Tereza Salgueiro, em sua interpretação magnífica de “o sonho”, conseguia tomar conta de todos os espaços daquela morada, e invadia profundamente a alma dele, fazendo-o pensar em seus sonhos. Olhava para o futuro, para suas aspirações mais íntimas, seus desejos tão pessoais. Mas este sonhador não ficava apenas pensando em como seria sua vida no belo futuro. Ele estava imaginando como chegar onde ele queria estar. O caminho para sua realização.
Geralmente as pessoas que vivem com a cabeça nas nuvens – os famosos pensadores – costumam viver sempre no futuro, sem pensar no que fazer neste presente para se chegar lá. É como se eles não vivessem neste mundo, mas já no mundo dos seus sonhos, que jamais poderão virar realidade, pois não possuem o caminho necessário para virarem realidade. Querem ter o carro do ano, a casa mais bela, alguém para amar, mas só ficam com isso em suas mentes. Não procuram os meios de transformar isso em verdade, no presente. Estas pessoas vivem no longínquo belo futuro.
Ele não. Sabia onde queria chegar, e o que precisava para fazer isso. Era um construtor de caminhos. Esse é o tipo de pessoa que costuma dar certo. Sim, porque a vida é uma mescla de trabalho e sorte. Se você trabalha para conquistar seu sonho, e tem sorte de estar nos lugares certos e nas horas corretas, fatalmente tudo o que você deseja vira ao seu encontro. Ele pensava, naquele momento, num modo de chegar lá... O sonho dele não era diferente dos sonhos dos outros. E, assim como todo mundo, ele também enfrentou alguns percalços. Certamente ainda enfrentará em sua jornada esses problemas.
É natural que haja pedras no caminho de quem corre atrás do que quer. Pois o ser humano não é perfeito, e erros acontecem, na nossa avidez por conseguir o que tanto queremos. Um esportista sabe muito bem disso. Quando a ansiedade toma conta de sua mente, visto que a vitória está próxima, o risco de haver derrota é muito grande. A calma é uma das coisas mais imprescindíveis a quem deseja o sucesso. É realmente muito difícil se manter calmo quando se está tão perto de atingir os objetivos. Mas é preciso treinar isso.
O caminho é de pedras. Mas não se deve parar. Ele tinha um sonho. Ele queria viver esse sonho. Queria uma realidade naquele pensamento. Pensava ver tudo acontecer diante dos seus olhos. Sonho puro, sem malícias, sem intenções obscuras. Algo que não lhe beneficiaria em detrimento do choro de outro alguém. E ele traçou um caminho. O mais certo? Não sei. Ele também só saberá quando por essa estrada passar. Somente nesse momento ele poderá ser capaz de enxergar os problemas, e pensar nas soluções.
Mas que sonho é este? Isso é uma coisa que não nos cabe saber. Só pertence ao seu dono. E ele só o conta a quem quiser. Claro, sem contar tudo, pois, já dizia a música, “quem contar um sonho que sonhou não conta tudo o que encontrou. Contar um sonho é proibido”. Sim, o sonho é uma aspiração pessoal. Assim como ele pensava não poder querer que você vivesse o sonho dele, não podia também viver de contar o que se passava em sua mente, pois de louco o chamariam.
E não havia mais nada. Só ele, a luz da cidade, a música, e mais nada. E era ali que ele vivia mais feliz, às voltas com o modo de fazer o seu sonho acontecer.

Leonardo Távora