Revendo: "Inexplicável Sentimento"

Mais um texto do início do blog, enquanto os autores do blog estão de férias.
Boa leitura!

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Então eles se conheceram. E isso não foi bom, nem ruim. Apenas aconteceu, e muitas das coisas deste mundo se fazem nesta acontecência, que independe de tempo ou espaço. O destino une as pessoas, e o resto apenas suas próprias ações farão o encaminhamento necessário para que estas duas vidas se tornem uma apenas, na indistinguível fusão de mentes que torna os humanos maiores e mais capazes de seguir vivendo. Foi com olhares, trocados num instante pequeno demais para as pessoas comuns, mas suficiente para aqueles dois seres que souberam compreender em um momento o que alguns demoram várias vidas para entender.
Ela, sempre bonita, elegante, encantadora com as palavras. Fazia com que o mundo se tornasse mais alegre à sua volta. Procurava manter tudo à sua volta em alto astral. Queria enxergar cada dia com uma nova chance para fazer melhor o que não pode ser tão bem feito no dia anterior. Tratava o passado como se deve tratar, como uma lembrança, apenas. Mas alternava alegrias com tristezas de um modo tal que tornava incompreensível para os que não conseguiam penetrar em sua alma e, sem que nenhuma palavra saísse de sua boca, conseguissem entender a profusão de sentimentos que se misturava neste silencioso caldeirão.
Ele, sempre muito sério, concentrado, respeitado. Via o mundo com os olhos da realidade, e nem sempre essa realidade era bonita de se ver, mas era aquilo que efetivamente os olhos enxergavam. Calado, introspectivo, medroso. Tinha grande receio em dar passos rumo ao desconhecido, ainda que esse “escuro” acabe por ser para o seu próprio bem. Talvez o medo fosse o apaziguador dos seus sentidos, e, assim, ele ficou cada vez mais centrado com o passar dos tempos. As emoções tinham uma linha sequencial, que faziam com que os altos e baixos de sua vida sentimental fossem mais brandos.
Os olhos dela fitaram os dele. Algo aconteceu. Amizade? Amor? Não sei. Ninguém sabe explicar sentimentos. Apenas sentimos. A magia que une pessoas começou a fazer efeito. Ela admirou o homem sério e concentrado, que sabia falar com os olhos, e que, com um olhar mais profundo, conseguia devastar seu interior, com a curiosidade de Pandora ao abrir a caixa secreta. Ele ficou fascinado com a vitalidade com que ela fazia as coisas que mais amava. As vidas dos dois jamais voltariam para o lugar-comum em que se encontravam, pois naquele momento, o destino tratou de colocar frente a frente duas almas que eram diferentes em suas particularidades, mas complementares quando juntas.
Almas que se entendem, que se transformam e se completam. Seres que fazem a vida parecer mais poética, ainda que persista a realidade dura e implacável de todos os dias, que de tantos tira o prazer e a alegria de viver. Pessoas que, para a grande maioria dos humanos, não possuem nada de especial, mas que para seus complementares são o próprio universo. Gente que fala abertamente do seu sentimento, sem medo de ser feliz, e também que os escondem, talvez por medo do amar, mas que nem por isso deixam de sentir. Amigos, também, que dão ao amor um sentido muito mais amplo, cativante e significativo mesmo. Pessoas que entram em nossas vidas para nunca mais sair, ainda que o tempo e o destino insistam em mandá-los por outros caminhos.
Esta é uma história de encontros, que pode muito bem ser sua. Talvez você já tenha vivido algo assim. Pode ser que ainda vá sentir essas sensações. Igualmente, você não saberá explicar. Apenas vai sentir. Ninguém sabe por que caminhos nós andaremos nesta vida. Mas um dia todo mundo entende que não está sozinho, e que viver é sempre encontrar pela frente algo que certamente irá nos surpreender, dando sentido e nos nutrindo com forças até para o que juramos estar fora do nosso alcance. Pode ser um amor, uma amizade, ou um sentimento que transpassa os limites dos dois anteriores, só tornando compreensível para quem o vivencia.
Viver e se surpreender, basta você querer!
Então eles se conheceram... E suas vidas nunca mais foram as mesmas!

Leonardo Távora