Sobre viver

Tem dia que melhor só ver a vida passar. Sem pensar, sem agir, sem mexer. Melhor evitar problema, evitar chateação, evitar sofrer.
Às vezes, é melhor ver mundo, apreciar sem sentir. Ver sem tentar. Apenas deixar passar.
Muitas vezes, é melhor esquecer. Deixar pra lá. Seguir sem olhar pra trás.
No fim, o que vale é sobreviver.
Mas tem dia que ver a vida passar, sem pensar e sem agir, é ver a injustiça prevalecer. 
Às vezes, ver o mundo, sem participar dele, é ser cúmplice de um crime silencioso, que mata talentos e ceifa sonhos.
No fim, saber viver é também saber se arriscar. Arriscar-se por aquilo que vale a pena acontecer ou por aquilo que não deve, de forma alguma, prosseguir.
Cada um tem seu papel no mundo. Uns mais exibidos e pomposos, cheios de glamour e status. Outros só querem levar a vida, tranquila e descomplicada, discreta, porém justa.
Cada um, a sua maneira, constrói uma história. Aos seus olhos, uma história tola. Aos olhos dele, uma história inspiradora. 
Dizem que o mundo é dos espertos. Mentira. O mundo dos espertos é cheio de trapaças e pequenas vantagens.
O mundo é dos inteligentes. Inteligência que surge não só pelas escolas, universidades, livros e pesquisa avançada. Inteligência que vem da vida, da experiência, da convivência, do aprendizado diário das menores ações.
O esperto ganha um dia, um mês, um ano de vantagens. 
O inteligente ganha uma vida inteira.
Às vezes, é melhor esquecer e “deixar pra lá”. Às vezes, é bom lembrar e lutar, até o fim. 
O importante é saber quando lembrar e quando esquecer. 
Reconhecer o esperto e o inteligente.
O importante é não deixar o medo prevalecer.
Acordar para vida e lutar.
O importante é saber viver.

Marina Messias