Sobre dor


Machuca. Incomoda. Dói. Ela chega bem devagar e vai tomando conta. Começa pequenininha e vai crescendo, um pouquinho aqui e outro tiquinho ali e, pronto! 
O corpo inteiro fica imóvel, sem vontade de nada.
Stress, cansaço, noite mal dormida, desentendimentos e, a pior das causas, a solidão. 
Um trabalho atrás do outro, uma atividade seguida de outra, um passeio, uma distração. Tudo para fugir da danada solidão.
Mas dela é impossível fugir. Ela te caça, cerca, aprisiona.
Por um lado, você acha que é tudo de bom. Fazer o que quiser, sem hora para voltar, sem satisfação para dar.
Por outro, tristeza sem fim. Fazer tudo sozinho, sem ter para quem voltar, sem ter com quem compartilhar.
A ‘casquinha’ sorri descontraída e cheia de energia. Por dentro, a alma grita de pavor.
Seus falsos e muitos amigos dizem que é legal. 
Mas eu te vejo de verdade. Vejo sua dor, sua agonia.
Pedir ajuda? Nem pensar! É fraqueza, frescura, ‘não preciso disso’, você diz.
Bobo. Eu sei que, quando chega em casa, seu desejo é sumir. E sofre querendo que alguém te resgate. Mas ninguém aparece. E, desse jeito, nunca vai aparecer.
Ser forte não quer dizer que tudo tem que ser enfrentado sozinho. 
Tenho certeza que, juntos, a força é maior.
Quando é que você vai perceber isso? Talvez amanhã. Talvez nunca.
Espero que um dia você reconheça. Espero que não demore.

Marina Messias