Minha felicidade em tons de verde

Lá no canto do salão de moletom verde e jeans claro, ele estava sentado. Quieto, de poucos sorrisos. Era tímido.
No dia 31 de dezembro de um ano perturbador e cheio de novidades, ele também estava, dessa vez coberto de areia e segurando uma garrafa de champanhe barato.
Naquela tarde de terça feira extremamente quente, ele também estava.
- Eu acho que nunca te beijei... - Disse como quem estava refletindo enquanto segurava seu copo de vodca.
- Não, nunca. - Respondi em seco por culpa da timidez.
- Acho que eu devia... - Ele continuou, só que agora, colocando o copo de vidro transparente no chão, ao lado da cama, e me segurando pela nuca para beijar.
Na tarde onde a vida dele desabou, eu estava aqui, e vi ele escrevendo uma carta para os pais.
No primeiro aniversário dele fora de casa, eu também estava aqui, e mesmo com tudo diferente, eu vi o mesmo sorriso nele, e foi então que eu entendi, que certas coisas nele não mudavam...
Naquele 14 de junho, ele disse as palavras mais doces que eu já ouvi na vida: 
- Você estava tão linda hoje, eu não poderia te deixar ir embora sem te beijar!

Ele sempre me esperou para segurar a mão, ele sempre sentou ao meu lado para não me deixar sozinha.
Ele dormiu cedo para eu não ficar sozinha na cama, ele sentiu ciúmes quando ninguém mais sentia.
Eu entendi que certas coisas nele (graças aos céus) não mudam.
Com ele, eu sempre terei a certeza de que algumas lembranças permanecerão vivas pra sempre.
Ele é o meu amuleto, o meu Amor, o meu melhor sorriso.
Ele é algo que não muda, e por isso eu preciso tanto dele.

Andresa Alvez