Carta de repúdio

Bicho besta, o homem
Bicho cruel, bicho mau
Um bicho como outro, animal
Podia fazer tanto, mas fica aquém

A mão que faz o samba e a bomba
A alma que acarinha e machuca
A mente que é tão sã e maluca
A boca que sorri também zomba

Bicho que mata e não come
Tortura, engana, abandona
Agride, derruba, deixa na lona
Rouba, deturpa, confunde e some

Aquilo que o homem constrói
O mesmo homem leva ao chão
Bicho estranho, sem coração
Vírus do planeta que a tudo corrói

Imagem e semelhança de um ser perfeito
Ou filho acidental de um primata?
Lobo de si mesmo, fera que mata
Governa o mundo sem ter tal direito

Antes que a vida se acabe em dor
Antes que a Terra seja estéril como a Lua
Façamos como diz o poeta da rua
Menos ódio e mais amor, por favor

Celso Garcia