5 notas de um escritor

Observar, sentir, descrever! 
Essa é a rotina dos escritores. É assim que nascem poesias, pequenos contos, as crônicas e os romances. Desse modo é que se fica conhecido por meio deste verdadeiro universo de letras. Durante eras, os homens aprimoraram a rotina solitária de contar histórias, eternizando-as em um papel ou nos bytes de um arquivo da informática.

Muitos mundos. Nenhuma companhia! 
Os escritores são seres solitários por excelência. E não estou dizendo que são ermitões reclusos que ignoram a sociedade à sua volta. Escrever é um ato de solidão, mas, para colocar palavras em um papel é preciso alguma interação com o meio no qual vivemos, e muita, mas muita observação, sobretudo, de pessoas, pois são os humanos que fazem o mundo acontecer à nossa volta. 

Fazer música sem melodia! 
Escrever é como desenhar uma partitura. Cada palavra é como um ponto na escala musical. Cada verso tem um som próprio, uma entonação correta e uma abrangência singular. A diferença é que, na nossa carta musical, cada leitor acaba criando um ritmo próprio, e ouve melodias diversas, de acordo com o que esse ou aquele texto lhe toca ao fundo. 

Liberdade de intenções. Diversidade de entendimentos! 
Escritores são artistas, e artistas são seres livres por excelência. Tente tolher a criatividade de um artista, seja ele qual for, e verá que acaba de perder um grande bloco do que se entende por arte. Tente limitar e conduzir a imaginação de um escritor, e entenderá o que é fazer um texto que emociona e uma peça técnica que tende a ser esquecida nos minutos após ser lida. A liberdade dos escritores é que transformam qualquer meia página de palavras em encantamento, emoção, arte. 

Um olhar sobre os outros e para os outros! 
Ainda que livres, melódicos, captadores de emoções humanas e solitários, os escritores jamais serão capazes de transmitir a transcendência enquanto não forem capazes de entender que se o objeto é o outro, então é preciso se colocar no lugar do outro. Todo escritor é meio ator, pois precisa representar o que o outro sente para poder colocar nas suas linhas o que deseja que invada a alma dos seus leitores. O exclusivo de si mesmo não existe, pois a literatura é, ao mesmo tempo que um olhar interno, um tanto de bisbilhotice do alheio e adivinhação da emoção que alguém certamente tem neste exato momento em que você lê essas linhas.

Leonardo Távora