Teu desenho

Gosto do teu desenho. Sei teu corpo de cor. Só falta contar cada sinal que está espalhado nele.
Mas, você tem que permitir que eu faça isso, pois será necessário uma eternidade para que eu não perca a conta...
O desenho do teu corpo é quase como um desencaixe do meu.
Porém, na mesma cama, dividindo o mesmo lençol, com as pernas trançadas, as mãos entrelaçadas; encontramos o nosso encaixe.
Entramo-nos um no outro. Afundo em teu peito, ouço teu coração. Tua mão desliza tateando minhas costas. Teu subconsciente me puxa pela cintura e me faz ficar perto de ti. Assim, o desenho se torna um só. Como um quebra cabeça perfeitamente completo.
Amo o teu desenho. Reconheceria-te apenas tocando.
Os olhos, os lábios, as mãos, a barriga. As partes citáveis e as não citáveis.
Eu quero teu desenho pra mim. E não me importo se no dia a dia, aos olhos cegos dos humanos somos um desencaixe.
Quando ninguém vê, em alguma cama qualquer, um canto escondido de tudo e de todos, nossos desenhos se unem novamente. As peças do quebra cabeça se encontram, e ficam ali, juntas, encaixadas, grudadas.
Ninguém precisa saber, ninguém precisa ver. Que sejamos o desencaixe.
Um casal errado, imperfeito. Eu não me importo.
Eu sei, você sabe. Você é o meu desenho. A minha sombra feita com um daqueles lápis caríssimos. Uma sombra maior que eu, pra cuidar de mim, me proteger, me esconder. Um desenho exagerado, cheio de excessos, sem medida, para me fazer transbordar.
Um desenho só meu.

Andresa Alvez