Desvio

É como se todos os caminhos tivessem um retorno que me levassem até você, um retorno que me desviasse de um precipício.
É como se tu fosses a luz no fim do túnel. A razão. A única razão. E sem ti, nada então valeria a pena.
Para cada dia longe é necessário um tubo de oxigênio. O ar daqui é demais para mim, um tubo por dia me basta. Contigo, eu não preciso disso, o ar se divide e tudo fica bem.
Demorou pra eu me dar conta disso tudo. Da dimensão e da intensidade.
Precisou tu aparecer e então, todos os outros seres se tornarem banais, comuns, simples. Precisou que cada um deles dilacerasse meu coração.
Eu precisei retornar muitas e muitas vezes. E em cada retorno, cair em ti.
Eu precisei provar de todas as dores, de todos os medos, até por fim, esbarrar em ti mais uma vez.
Não foram suficientes todos os casos que eu achava que eram acasos. Eu precisei de todas as provas possíveis para entender que de uma vez por todas, que seria, é, e sempre será você.
De uns dias pra cá eu me dei conta disso... Pois é, três anos do teu lado não foram o suficiente para eu entender.
Precisei ter as tuas palavras ao pé do ouvido, os teus olhos fechados, os teus lábios com gosto de café.
Precisei do extremo pra entender que a minha estrada não tem outros caminhos. Ou melhor, até tem, mas eles sempre acabam em um desvio que me levam até você.
Acho que agora eu entendi. Chega de caminhar, né?

Andresa Alvez