Ponte

“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar...” Saint.

És certeza, inconstante, instável. És pra sempre. Podes quebrar as leias da física, e todas as outras leis que existem ou que venham a existir. Simplesmente podes.
E aí, quando quiseres perdão, porque você sempre quer; faz um verso, arma um sorriso, fala manso... Aguço meus ouvidos. Abro meus punhos, e por eles, saem minha raiva, minha dor, e todos os motivos que eu tinha até então para te odiar. Ou pelo menos tentar te odiar. Inútil, em vão. Sentir raiva, querer te matar... Coisas que nunca, nem nos meus sonhos, irão acontecer.
Por que me tens desse jeito? Talvez, porque eu tenha deixado me cativar por cada centímetro do seu corpo, por tudo que formava a tua alma.
Não tinha como fugir disso, estar diante de ti era como estar em um beco sem saída. Você era o fim da linha. Porém, era também o começo de uma nova estrada.
Como disse Saint, ao ser cativado, a gente corre o sério risco de chorar. Seja de dor, de medo, ou no meu caso: de Saudade.
Vejo tuas fotos, nossas fotos, vejo fotos deles. E leio teus textos, ouço tuas canções e coloco dentro de mim tudo que é teu.
Mas, cada informação parece cair em um precipício sem fim. O nome desse precipício? Falta!
Não importa a quantidade de palavras, e notas musicais, e vozes suas que eu coloque dentro de mim, elas sempre irão sumir no meu vazio, na tua falta.
Do outro lado desse precipício, existe um novo caminho.
Mas, sozinha eu não consigo pular o suficiente para chegar a esse lugar. Eu preciso de uma ponte. E a ponte é você.
Você me cativou, e agora, só você pode me fazer ir até lugares que eu nunca imaginei, que eu nunca consegui chegar.
Estou aqui, parada, sozinha diante desse precipício sem saber o que fazer.
Chorando porque fui cativada.
Trata de voltar! De me dar a mão. De enxugar minhas lágrimas. De ser minha ponte. De nunca mais me deixar. E de nunca mais, me fazer correr o risco de chorar.

Andresa Alvez