As belezas pela internet: "Correndo riscos e vivendo"

Mais um mês se inicia no Literatura Exposta. Como não poderia deixar de ser, começamos com a apresentação de um belo texto colhido pela internet. Essa interação em redes que esse democrático veículo de comunicação proporciona, se usada de um modo certo e razoavelmente adequado, é capaz de reunir pessoas por gostos. No meu caso, o gosto pela leitura. Se existem mais pessoas que gostam de disseminar pela rede o que escrevem, acho muito justo que se abra espaço para isso neste espaço.
Este mês escolhi o Thiago de los Reyes, ator e escritor, autor do Shoebox, que consegue conciliar essas duas atividades que por si só já exigem sobremaneira do intelecto e do corpo como um todo. Costumo chamar os textos do Thiago de prosa poética, pois conseguem carregar elementos que fazem o leitor realmente dar asas à imaginação e navegar em seus sentimentos. Nada fácil, mas também nenhum bicho de sete cabeças, especialmente, penso eu, para uma pessoa que se doa em nome do encantamento de todo um público que paga para vê-lo. Tudo isso pode ser conferido no texto abaixo. Boa leitura!

Correndo riscos e vivendo
Por Thiago de los Reyes

Às vezes por muito pouco não se parte rumo ao resto da vida sem nada, sem uma história pra contar...
Abre-se mão de muitos planos porque tentamos acreditar na mentira de que por serem grandes e maravilhosos demais eles só podem ser ilusões, desistimos dos sonhos porque aprendemos que alguns só tem sentido se outra pessoa também os sonhar...Mas porque então continuamos, amanhã, depois, abrindo os olhos e levantando da cama? Se pra essa pergunta se tem uma resposta, então também se tem o direito de continuar respirando e sonhando o mais alto dos sonhos, vivendo o mais mirabolante dos planos.O mundo comporta toda e qualquer loucura, porque não há nada mais insano que continuar a viver. (E nada mais errado e comum que se boicotar).
Repare que quando se está por baixo qualquer lugar acima de nós parece ser bom o suficiente, mas chegando lá, nos deparamos com degraus mais altos a subir, ventos mais fortes que nos empurram pro chão pra encarar e medos até então desconhecidos que vem nos assombrar.Nessas horas é que fica muito claro quem continua sendo o Sancho Pança dos seus sonhos e quem passa a ser um dos moinhos monstruosos que engrossam o coro do vento forte que tenta desviar o barco.
O que eles não sabem é que o que muda a direção do leme é a mais sutil maré, que nunca vem pra naufragar o barco e segue seu rumo sem fazer barulho nem estragos...A maré é uma parte sólida do destino.
E ás vezes o tiro só é certeiro porque a flecha desviou... E isso não tem nada a ver com o lugar que você mira, e sim porque se aceitou correr o risco... Porque o risco é também o de dar muito certo, e é pra isso que estamos aqui.