Cruel

Por que é que tem que ser tão fraca? Que me deixa perder por pouco?! Por tão pouco?!
Que em qualquer esquina me pode raptar?! Que está nos cantos, nos banheiros, nos pés, debaixo dos braços, no olfato. Por que?! Por que tem marretas nas mãos capazes de destruir construções de períodos longínquos?
Pergunto-me sem pausas, por que.
Tentei -e tento- por inúmeras vezes fugir, abrigar-me. Mas os abrigos me socorrem por pouco tempo, perdendo-me por algo que dura menos tempo ainda.
O olfato juta-se com a visão, e me põe nas idéias um suicídio carnal. Nem mesmo preciso tocar pra perder as estribeiras! Está ali, perto do que posso ver, sentir, cheirar. Humanamente cruel.
Talvez seja -mais uma vez- esta minha condição de "excesso" a causa disso. Não sei ser pouco, nem sentir pouco, nem estar pouco. Preciso me afogar, e dependendo do caso, retardar a imersão.

A existência do sexo é cruel! Ou a força que ele exerce sobre mim, é.

Aviso aos humanos: Lavem-se com os mais fortes perfumes! Abusem de todos os cheiros artificiais existentes. Escondam os seus cheiros de gente de mim. Ou estejam em estado inodoro. Amputem seus pés, e não tenham pêlos. Passem pela minha vida, mas não cruzem com a minha tara. Minha libido pode ser você.

Porque a carne não é fraca.
Fraco sou eu.
Minha carne é sua.
Me Ame aqui.

Claudio Rizzih.