A gente aprende

Imagine-se naquele dia em que tudo que acontece na sua vida deixa de ter um porque. Se pense naqueles tempos em que você tenha, mesmo que apenas por um momento, desistido da felicidade, ou, ao menos, não acredite nela com tanta certeza assim. Certamente o sentimento que te norteará é o de tristeza. Leve, intensa, de algum modo, tristeza. 
Agora, avance mais um pouco. O ponto imediatamente posterior na sua vida está intimamente ligado com a chegada de alguém. Se antes alguma perda te fez sofrer, essa chegada te fará mais alegre. Imagine-se dando novo sentido à própria vida. Muito provavelmente, ao fazer isso, sua mente te fará lembrar alguém que já fez isso a você.
Shakespeare tem um texto que nos diz que "um dia a gente aprende...". E ele nos dá uma série de circunstâncias onde vemos que a vida é um finito ciclo. É finito porque um dia acaba. É um ciclo porque as coisas vem e vão até o dia em que temos a maturidade adequada para fazer com que fiquem conosco pela nossa efêmera eternidade.
E um dia a gente aprende que não existe nada melhor na vida que um amor sincero e despretensioso. Aquele que não esperávamos e que chega, nos toma, e, sem mandar, exigir ou pedir, promove mudanças em nós, que começam sutis, e, quando tomamos delas consciência, tornam-se totalmente irremovíveis de nossa história. 
A gente aprende que o mundo particular de cada um de nós pode, sim, ser melhor, e que basta que possamos nos abrir mais para o que nos deve encher de nada menos que vida. Descobrimos que o medo é um aliado enquanto não está nos travando de alguma maneira. É bom ter medo, ir com cuidado, se resguardar. Mas não podemos fazer do medo a carapaça de queratina que forma as casas das tartarugas, para dentro dele nos escondermos e deixarmos as coisas boas passarem por temer as ruins que podem vir de algum modo.
A gente entende que é humano, e, ao ser assim, somos seres sociais e sociáveis, mesmo que sair do casulo não seja nada fácil, a gente aprende a sair, a enfrentar o que tiver que vir ao nosso encontro. O amor ensina que não estamos sozinhos, mesmo que algum dia isso sintamos. E aprendemos muito sobre o amor, não é? Nas famílias, nas escolas, nas igrejas. Em tudo há amor. Na completude, há amor. Na diversidade, também ele existe. 

"Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare

Um dia a gente aprende que um amor nos cura de nós mesmos. Aprende ainda que somos finitos, e precisamos nos permitir viver mais, e com maior intensidade. Que os dias passam, e com eles, ficam para trás o que nos agrediu ao ponto de criarmos muros para nos defendermos. E com o passar dos dias, mesmo que não seja fácil, seremos cada vez mais, sempre que nos permitirmos, tomados pela felicidade de nos sentirmos amados e seguros de que viver não é tão perigoso ou ruim assim.
Olhe mais para o lado e estenda sua mão. Vamos lá. Deixe-se amar.
E se você não aprendeu ainda as coisas que eu disse aqui, acalme-se. 
Um dia você também, certamente, aprende!

Leonardo Távora