Com (e sem) vergonha

Ainda lembro-me do teu sorriso tão novo, eu gostava muito dele. Você era um dos poucos meninos que sentava do meu lado antes de começar a aula. Acho que naquela época eu era uma aberração... 
Mas você nunca teve vergonha de mim. As meninas sempre ficavam por perto, mas dos meninos, você era o único, e isso me fazia feliz. 
O tempo passou, e pra variar, eu me perdi por aí. Mas a vida sempre faz a gente esbarrar em quem tem que reencontrar. 
Eu escondia todas as minhas vontades diante do seu jeito tão tímido de ser. Eu temia te assustar com meu lado efusivo. Tão quieto, as poucas risadas e as palavras certas me chamavam atenção. Ainda chamam... 
Te encontrar na rua e ficar feliz por isso. Tentar ser teu presente de colação do ensino médio. 
Te querer. O problema é que o meu medo de te perder acabou fazendo isso acontecer. 
Eu cuidava de ti, de longe. 
Eu sempre arrumava uma maneira de saber como estavas, se andava com alguém novo... O problema é que agora andas. 
Gosto da tua paixão pela minha voz tão comum, gosto do teu jeito. 
Sinto vontade de te abraçar, de ficar uma noite do teu lado, de te fazer sorrir. De te cuidar! 
Eu me sentia completa no teu silêncio. Quero voltar a me sentir assim. Quero que voltes! 
Talvez eu tenha demorado demais para deixar tudo isso aparecer. 
Mas, era e sempre foi medo... Eu só espero que voltes. Que a gente tenha a oportunidade de terminar tudo que começou. E que tenhas de mim, a verdadeira visão. Que me vejas como a garota que eu sempre quis ser pra você, mas que nunca tive a oportunidade de poder ser. Não quero viver dentro de uma redoma, nem longe daqui. 
Só quero poder passar um tempo do teu lado. Um dia, uma semana, uma tarde, uma vida. 
Eu só quero. E você só precisa permitir. Mas, calma, eu espero.

Andresa Violeta Alvez