Ressaca de meio de semana

Sexta-feira - 14 de novembro de 2014

Pedro acordou atrasado com uma dor que fazia sua cabeça parecer tão pesada quanto o próprio corpo. Ficaram até as quatro da manhã no happy hour. Como de costume, havia durado além da conta a reunião pós expediente. Levantou-se.
Com a boca mais seca que o Sistema Cantareira, caminhou apoiado nas paredes até a cozinha. Abriu a geladeira e: Garrafa d'água vazia. Encheu com gelos e tomou, um após o outro, cinco copos da água morna do filtro de barro. Passou em frente ao quarto voltando pelo corredor, quando jurou poder escutar sua cama o chamando de volta. Entrou debaixo do chuveiro e deixou que a água quente fizesse o seu trabalho.
Colocou um de seus ternos muito bem ajustados ao corpo - a gravata parecia estrangular sua garganta. Entrou no carro e por um breve momento tentou se lembrar de como havia chegado em casa algumas horas atrás. Quase cochilou ali mesmo.
Chegou ao escritório com a cabeça ainda pesando cem quilos, após dirigir pelos mesmos 10 quilômetros de todos os dias. Recebeu meia dúzia de telefonemas e resolveu metade dos problemas que precisava despachar pela manhã se quisesse descansar depois do almoço. 
- Maria, traga por favor uma jarra de água bem gelada? - Pediu pelo telefone.
- Sim senhor.

No meio da décima ligação:
- Fiz um suco de abacaxi com hortelã para o senhor também.
- Obrigado Maria! Você sempre cuidando de mim.

Almoçou uma salada leve com muitas folhas e manga. Olhou o relógio que marcava uma hora daquele que seria um longo dia. A ressaca parecia não passar apesar dos três comprimidos de neosaldina que botou goela abaixo. Escreveu metade do relatório gerencial que entregaria na segunda-feira enquanto tomava a água de coco trazida pelo anjo Maria.
Havia se esquecido da reunião marcada para o meio da tarde. Participou, apesar das várias cochiladas enquanto Fabrício expunha as razões pelas quais o rendimento do setor produtivo caiu em outubro no comparativo com o mês anterior. Ao final da reunião, a dor parecia ter aumentado.
Começou a jurar mentalmente nunca mais beber desta forma nos dias de semana. Foi interrompido pelo telefone no meio do juramento:
- Pedrão, a Fernandinha e a Paula disseram que não foram ontem porque agarraram com o fechamento dos pedidos aqui. Sete e meia no Al Capone hoje ok?

Pôs-se de pé e pediu um café à Maria. Tomou, esfregou os olhos e foi beber. Afinal, sexta-feira pré-feriado não é dia de semana.


Sábado - 15 de novembro de 2014

Pedro acordou depois do almoço com uma dor que fazia sua cabeça parecer mais pesada que o próprio corpo...

Gustavo Dias