Descobrindo um Amor

Era uma tarde chuvosa em Belo Horizonte, daquelas que as pessoas preferem ficar em casa, debaixo da coberta, ouvindo o cair da chuva e lendo algum livro. Eduardo estava bem quieto em seu quarto quando o telefone tocou. Do outro lado da linha era aquela por quem ele não parava de pensar. Catarina realmente não o esqueceu, e se lembrou de telefonar para o jovem, o que o deixou muito feliz.
- Alô?
- Oi, garoto da fala bonita!
- Catarina, que bom que você ligou...
- É, queria falar com você. Fiquei com saudades.
- Eu também estava com muitas saudades de você. E o nosso sorvete? Ainda posso te convidar?
- Claro que pode. Estou querendo mesmo te ver de novo. Sabe como é... Para podermos conversar mais.

Que coisa boa. Eduardo ficou muito feliz. E eles marcaram de se encontrar na tarde do dia seguinte, depois da aula. Até o final do dia, tanto Eduardo quanto Catarina ficaram sonhando com o reencontro. Vladimir ajudou o amigo a se arrumar para seu momento com ela. Parecia até que era ele que iria ver Catarina, devido à ansiedade do garoto. Como Vladimir já conhecia essas coisas do amor, queria passar tudo para o amigo, afim de que Eduardo começasse a namorar aquela menina que tanto mexeu com ele.
A hora chegou. Eduardo marcou de buscar Catarina em sua casa. Ao chegar, ele se arrumou todo antes de tocar a campainha. Conferiu o hálito, viu se a camisa não estava amassada, se estava tudo certo.
Ao ouvir a campainha, quem ficou nervosa foi Catarina. A moça começou a se olhar no espelho sem parar. Não queria que nenhum defeito estragasse seu encontro com aquele que tinha balançado seu coração. Sua mãe foi atender a porta, e logo foi chamá-la. Todas aquelas orientações de mãe foram prontamente ouvidas pela garota. Mas ela estava tão feliz que queria logo ir ao encontro de Eduardo.
Quando Catarina saiu, foi como se os olhos de Eduardo estivessem vendo o paraíso. Aquela menina que ele conhecera numa festa estava simplesmente deslumbrante. E isso porque eles só foram tomar um sorvete. Para ela, aquele também era o mais belo garoto que já passar pelos seus olhos. Estava lindo, apesar dele não conseguir disfarçar o nervoso. O passeio até a sorveteria foi como caminhar por sobre as nuvens. Que casal bonito eles formavam.
Ao chegarem à sorveteria, Eduardo encontrou um lugar mais discreto para eles e foi comprar os sorvetes, de acordo com a preferência da jovem.
- Pronto, está aqui o seu sorvete...
- Ah, obrigada Eduardo! 
- E... Assim... Fora sorvete de morango... Do que você gosta?
- Ah, assim... Agora, de supetão, eu não sei te responder.
- bom... Não tem problema.

Depois de tomar o sorvete, aqueles jovens foram andando pelas ruas, sem destino certo, apenas nutridos pelo prazer da companhia. Ninguém conseguiu dizer nada. Pode imaginar o quanto eles estavam nervosos. Foi então que Eduardo pegou nas mãos de Catarina e, com todo medo do mundo:
- Posso te dar um beijo?
- Não...
- Mas, por quê? É... Me desculpe...
- Porque um beijo não se pede...

Essa era a senha. É verdade que um bom beijo não deve ser aquele que se pede, mas aquele que se conquista. Nesse momento, o mundo parou, de novo, para eles. Era um momento único na vida dos dois. Eles nunca haviam beijado em suas vidas. Aquela era a primeira vez dos apaixonados. Era tão bom, que eles queriam que esse momento não passasse nunca. O encontro dos lábios foi a coisa mais linda que poderia ter acontecido com eles. Aquele cenário belíssimo não importava naquele momento para os dois. Ali, era só um do outro, vivia somente um para o outro.
Depois de deixar Catarina em casa, segura, Eduardo foi para sua, para seu quarto, para seu mundo. Os dois passaram o resto do dia se lembrando daquele momento mágico na vida deles. Era o amor que invadira o coração e nele fizera morada. As melhores lembranças da jovem vida que tiveram até agora. Nada estava importando nesse momento. Os dois só tinham o pensamento voltado para o outro. E assim, depois desse dia, eles começaram a namorar.
No dia seguinte, Eduardo encontrou Vladimir. Contou-lhe tudo, cada momento, como se estivesse vivenciando-o naquele momento. Vladimir ficou muito feliz por seu amigo. Era uma coisa boa ver alguém que de quem se gosta feliz. Os amigos ficaram conversando por um bom tempo. Aquele era um dia feliz para Eduardo.
Quem não ficou muito feliz com essa história foi Sarah. A jovem tinha esperança que algum dia Eduardo olhasse para ela. Coragem para se declarar ela não tinha, mas aquele amor era muito forte para se esvair por causa de uma rival. 
Ele era o primeiro amor dela também. Mas aquele amor que fica conosco. Era um sentimento escondido, guardado com ela. Por mais que estivesse triste com aquilo, Sarah estava feliz por Eduardo, pois, quando se ama, antes da própria felicidade, se quer a felicidade do próximo, daquele que se ama.
E assim o tempo foi passando, pois o tempo não espera e a vida tem que andar...

Leonardo Távora