Era pra ser

Era pra eu ser invisível
Não fossem os olhos teus
Era pra eu ser sertão
Não fosse você chuva
Era pra ser oco, vago, frio
Peixe morto sem ter rio

Era feito pra não ser
Era pouco, quase nada
Era sombra em noite sem lua
Estrela opaca em noite nublada
Era Bochecha sem Claudinho
Era pau, pedra, o fim do caminho

Era pra ser chão batido
Pisado, empoeirado, esquecido
Era pra eu ser triste, errante, sozinho
Não fosse te encontrar nesse caminho
Você e eu, eu e você, era pra ser assim
Dois que eram dois e hoje são um, por fim

Celso Garcia