Sereno

Uns chamam de sereno
Outros, de orvalho
Fina chuva invisível
Imperceptível choro noturno
Sobre a cidade dormente
E sobre os poucos acordados

Há ali um casal apaixonado
Que troca juras sob o luar
Sonham com um futuro possível
Acolá, jovens tolos e inconsequentes
Bebem e cantam músicas antigas
Que lhes descrevem tão bem

Passa um bêbado trôpego
Que volta para casa rezando
Pra que sua mulher não acorde
Vejo o vigia digladiando-se
Batalha homérica com o sono
Contando os minutos para o sol raiar

A noite pulsa viva e aflita
Há muitas almas inquietas
Que vagam pela madrugada
Como eu, aqui ao relento
Pensando, pedindo bem baixinho
Coração, seja sereno

Celso Garcia