Revendo: "A arte da vida (ou a vida da arte)"


Pessoal, mais um texto meu aqui no período de férias da equipe do Literatura Exposta, que volta com tudo em Fevereiro. Quero ver todo mundo me respondendo a pergunta lá do final do post, hein?!
Boa leitura!
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Sempre tive comigo que escrever era algo muito bom, mas muito difícil. Que inteligentes são aquelas pessoas que se dedicam a contar histórias para encantar nossa realidade dura e complexa, eu dizia. Têm o dom de nos fazer voar para um mundo diferente, que até tem as falas que eles escreveram, mas que é construído pela nossa mente. Basta deixá-la viajar, enquanto absorvemos frase após frase que estes autores escreveram, e deixaram para nós. O fato é que não existe nada melhor no mundo que uma boa leitura. Claro, existem outras coisas tão boas quanto, mas não melhores. Diferentes, apenas, eu diria.
Somos capazes de passear por mundos incríveis, navegar por bravios mares, e caminhar nas areias do deserto também. Fazemos o que quisermos em nossas mentes, a partir do que alguém escreveu, como ávidos leitores. Dificilmente a cabeça de um leitor imaginará uma cena exatamente como o autor a pensou quando colocava tudo no papel. O bom é mesmo poder montar nossa própria visão daquilo que estamos lendo, com as vozes que achamos mais apropriadas a cada personagem, com os trejeitos típicos de cada um deles. Ainda que os autores nos dêem uma estrutura do fantástico universo que criaram, nossa mente viajará por conta própria, sempre colocando um elemento novo, que o próprio autor ficaria maravilhado ao ver.
Mas, se ler é bom, escrever, amigos, é melhor ainda. Claro, vai muito além de apenas contar uma historinha. É preciso passar para o papel um mínimo de emoções que, com a imaginação, desencadearão o turbilhão de novos sentimentos no leitor. É um exercício muito trabalhoso construir um mundo novo, que será depois reconstruído de acordo com a ótica de quem o ler. Mas ainda assim, é muito bom. É tão bom olhar uma obra pronta e perceber que ali existe quase mesmo que um universo paralelo, muito parecido com o nosso, com as emoções e os fatos cotidianos da vida humana, ou até mesmo um mundo tomado por criaturas impensáveis, extintas ou recém surgidas. É como sair do próprio corpo e vestir a armadura do herói que luta contra tudo pelo grande objetivo que ali escrevemos.
É como brincar de Deus. No mundo que construímos, dispomos das vidas dos nossos personagens da maneira que melhor nos convir. Brincamos de maltratar a mocinha, até que um destemido herói venha para salvá-la e por ela cair de amores. Nos divertimos com as maldades dos nossos vilões, pois, sim, eles dão um especial sabor às histórias. Na eterna guerra do bem contra o mal, é preciso que os vilões desafiem nossos personagens. Criamos também amigos que influenciam nossos protagonistas e os fazem tomar as decisões que nós queremos que eles tomem, mas que não podemos mandar diretamente que façam, porque assim tudo perderia a graça. Com isso temos uma história recheada de aventuras, romance, mistério e fantasia. Tudo encaixado na adequada proporção para despertar no leitor uma determinada emoção.
Enfim, a literatura é uma arte. Tão importante quanto o desafio de representar. Aliás, não fosse a arte de escrever, seria muito difícil haver o teatro como o conhecemos, pois o ator precisa ler e embarcar no universo inventado pelo escritor. Eu ousaria dizer que o teatro é uma evolução da literatura. Ao ator cabe dar ao texto a devida emoção. Não é fácil. Por isso mesmo é uma arte. Transformar palavras em sentimentos em cima de um palco não é algo para qualquer um. É preciso ter o dom, tanto quanto para escrever, com um agravante: O escritor pode ser solitário e, por vezes, tímido, mas o ator precisa ser desinibido e muito seguro de si, pois senão, dificilmente conseguiria transmitir a mensagem ao seu público.
A vida é uma dádiva, e a arte é um dos dons que nos fazem achar sentido em nossa existência. Seja com palavras, expressões corporais, nas pinturas ou mesmo na voz, precisamos dessa arte para, não poucas vezes, dar um colorido às nossas próprias vidas. De todos os ramos do mundo da arte, eu fico com a literatura, que me permite voar de acordo com o tamanho da minha imaginação, sem fronteiras, por onde eu quiser.
E você? Qual sua arte preferida?

Leonardo Távora