Conhecer um sentimento

Às vezes precisamos encontrar novas maneiras de demonstrar o amor. Não se trata de apenas fazer bem a alguém. Precisamos saber chegar ao coração da outra pessoa. A grande verdade é que todos nós temos plena capacidade de amar. Diria até que fomos feitos para isso. Então, porque muitos dizem que isso é bobagem, e que não são atingidos por este sentimento? Certamente estas pessoas também amam, e precisam sentir-se amadas. É natural. É nosso! 
O que existe de diferença é a forma como demonstramos e tornamos real o nosso amor. Algumas pessoas podem considerar que têm capacidade limitada de amar. Geralmente, elas possuem uma forte barreira, um crivo muito denso, para conseguir permitir a entrada de outra vida no seu cotidiano. Medo de se entregar e se magoar, provavelmente. Quem já sofreu alguma desilusão certamente é bem mais fechado. Criamos modos de evitar sofrimento. Só que esses mecanismos funcionam como um boicote de si mesmo, pois, com isso, perdemos grandes chances de sermos felizes pelo simples medo de novas desilusões. 
Geralmente ouvimos que é preciso jogar-se no rumo do amor, e se permitir viver certas emoções que muitas vezes freamos. Mas isso realmente não é para todos. É mais próprio dos românticos, seres que, ainda que sofram reiteradas vezes, nunca perdem a esperança de um futuro melhor, compartilhado com alguém. Estas pessoas, que levam vários tombos, acreditam que não existe coisa melhor que um coração apaixonado. 
Morrem de amor, e, como este é um jogo de dois, algumas vezes não são correspondidas na exata medida que se idealizou. É aí que vem a regra precípua do amor. Ele não existe da mesma maneira em todos. Em alguns brota naturalmente, em outros é uma construção, e ainda existem os que o recriminam, e tentam matá-lo em seu interior, pois enxergam no amor uma cadeia de sofrimento. Estas são as pessoas que mais sonharam e mais desejaram um amor igual ao que um dia quiseram dar a alguém. 
Mergulhadas no terreno árido da decepção, procuram usar a racionalidade como apropriada desculpa para não mais demonstrar amor por ninguém. São fechadas, e muitas vezes, jogam com sentimentos alheios, no mesmo jogo onde um dia foram vítimas. E de decepção em decepção, corremos o risco de vermos um mundo onde o amor é apenas uma moeda de troca, sem espaço para surgir como fruto do tamanho de remexidas que a simples presença do ser amado faz no profundo de nossas almas. 
Seja como for, esse inexplicável sentimento existe dentro de todo mundo. Românticos ou não, todos não passamos de bobos que surfam no instável solo do amor, admitindo-o ou não. E assim como um raio não cai duas vezes no mesmo terreno, não temos a obrigação de amar baseados em uma regra única. Cada um tem seu jeito de demonstrar o que sente. Permitamo-nos, portanto, viver sem expectativas desconexas, pois, é a partir daí que teremos a capacidade de unir dois mundos em um só, num caminho para o futuro onde se poderá sentir o que vem a ser felicidade.

Leonardo Távora