De Julho

Eu sempre vou lembrar daquele sorriso. Ele poderia desarmar o mundo todo, trazer a paz, mas naquela noite, sem saber, ele me desarmava e por completo. Por dentro, eu suspirava.
Se eu pudesse, carregaria seu coração em minhas mãos. Se pudesse, pediria alguém exatamente como ele para passar a vida do meu lado.
Eu gostava dele. Quer dizer, eu gosto dele, apesar de ter medo de dizer isso.Ele é bom em me fazer sorrir, em me aconselhar, em ser realista. Se ele fosse possível de se ter, não seria tão atraente. Afinal, é a minha cara querer o que está fora de alcance.
Mas, eu queria mesmo é poder abraça-lo. Com muito afeto, apesar dele não gostar tanto assim disso.
Eu sei que lá dentro, bem no fundo, existe um coração quente, e é lá que eu queria depositar tudo que eu sinto. Talvez seja estranho, mas eu criei Amor por ele.
Eu queria mostrar pra ele a minha cidade, levar ele para sair por aí, conversar horas, e não pelo fato de que eu queria que o mundo o visse do meu lado, até porque se eu pudesse, o esconderia de tudo e todos. Eu só queria ele aqui.
Mesmo com tamanho suficiente para se cuidar e me cuidar, eu queria poder cuidar dele.
Uma enorme e estranha sensação me envolve quando falo dele. Sinto orgulho, como se o conhecesse há séculos.
Não seria capaz de fazer mal a ele, não por medo, mas porque algo dentro de mim me impediria disso, afinal, aos meus olhos, ele não merece.
É estranho, mas de alguma forma, ele tem um pedaço de mim. Talvez ele me tenha inteira.
 
Andresa Alvez