Humanidades

Primeiro queríamos comer.
Isso era o que nos manteria vivos.
Caçávamos, colhíamos...
Vivíamos de terra em terra.
Acabou a comida? Vamos embora!
Sem amores! Sem sonhos! Sem dores.
Evoluímos

Então queríamos proteção.
Descobrimos como plantar.
Juntamos-nos! Nós nos protegemos!
Criamos a sociedade.
Com ela, geramos a liderança.
Com ela, fundou-se o poder.
Evoluímos

Mas a comida não dava mais pra todos.
E o poder nos mostrou que não éramos iguais.
Para combatê-lo, criamos novas sociedades.
Novas terras... Novos hábitos... Um mesmo poder!
E, com isso, veio ela, maldita guerra.
E veio a injustiça. Recôndita injustiça dos homens.
Para que, então, pensássemos o direito.
Evoluímos

Os direitos foram escritos para todos.
Os deveres também nasceram assim.
Mas o poder separou os direitos para os detentores.
E entregou apenas os deveres aos outros.
Surgiram as revoltas dentro da sociedade!
Com elas lembrou-se o povo do poder do mais forte.
Lembramos que juntos somos mais que sós!
Evoluímos

Das lutas surgiram teorias.
Que viraram práticas.
Que desvirtuavam as teorias.
Que davam vazão às revoltas.
Que nos davam novas teorias e práticas.
Ciclo! Vicioso ciclo.

Das teorias emergiam novos líderes.
Que acabavam fisgados pelo poder.
E desvirtuavam as teorias.
Para que novos ciclos trouxessem novos líderes.
Que irremediavelmente desandavam com suas práticas.
E substituíamos os líderes.
Ciclo! Vicioso ciclo.

Então nasceram revoltas sem líderes.
Sem líderes? Oh! Impensada anarquia.
Os ocultos passaram a determinar ações.
“a gente não quer só comida...”, se ouviu dizer.
Massas mobilizadas para lutas difusas.
Mesmo sem entender ao certo, era preciso mudar.
Novos ares... Novas teorias... Novos humanos...
Ciclo!

Ciclo?!
Saiamos do ciclo.

Leonardo Távora