A Gente Pensa Que Escolhe

Nem o meu creme de morango e o meu perfume de castanha juntos, foram capazes de tirar do ar o seu cheiro de nicotina e algum outro perfume que me trazia arrepios...
Tempo, espaço, lugar, situação, gostos, e todo o resto: Não daremos certo, nunca. Não por falta de vontade, mas por toda essa loucura que nos envolveu...
E mesmo sabendo de tudo isso, lá estava eu, mais uma vez, rendida por aqueles olhos.
- Não me olha assim! - Supliquei!
- Assim como? - Ele perguntou.
Que pergunta mais sem pé e nem cabeça. Ele é apenas, a única pessoa do mundo que pode me virar do avesso se quiser que eu nem vou fazer questão do que isso poderá me trazer.
O olhar dele parece me engolir! Parece ver todos os meus desejos, vontades. Acredito sim que ele realmente enxerga tudo que se passa na minha cabeça. Principalmente, quando o pensamento em questão é ele.
- Assim, desse jeito que você está olhando agora.. Pára! - Supliquei novamente. Mas, de nada adiantava. Não tinha como desviar, como sair. Estava presa.
Gargalhei de uma maneira nervosa, e segurei-me na sua camisa azul.
- Pára de rir! - Era a sua frase final. A partir dali, falar seria a última coisa que eu faria.
O gosto forte da nicotina me atraía. E eu poderia ficar naquele beijo por horas.
Sei lá que encanto aqueles benditos lábios tem, mas sei que do mesmo modo que os olhos, eles me puxam.
Beijou meu pescoço e por fim, se afastou, num sorriso. Aquele sorrisinho bobo, de quem consegue o que quer, e até o que não quer...
Tentei me equilibrar, estava desacostumada, tinha me esquecido completamente a sensação que ele me proporcionava...
Fui me direção ao espelho, ajeitei meus cabelos e voltei para a sala.
Não nascemos para ficar juntos, até porque nem tem como. Nascemos pra ficar nisso, no meio dessa loucura. Um dia eu te levo, um dia você me leva. E a gente troca figurinhas, conta besteira e quando quer, mata o prazer antes que ele nos mate.
Somos assim. E pelo menos da minha parte, não existe arrependimento. Só vontade.

Andresa Alvez