Eu (ainda) te amo

Como me dói saber que os dias passam e a gente não sente mais falta um do outro...
Já que na nossa velha história, ficar mais de dois dias sem se falar era inaceitável!
Eu lembro da última vez que te vi, eu lembro da primeira vez que a gente sorriu um para o outro.
Eu lembro perfeitamente do seu perfume, e mesmo depois de tantos anos se eu o sinto, ainda digo com convicção:
- O perfume dele!Lembro da tua textura, do som da tua voz e de cada metamorfose dela.
Lembro das tuas ligações, a sua preocupação. Os seus abraços sempre tão grandes, o cuidado desajeitado, o medo de machucar, de perder.
O teu coração batendo forte no final do corredor e um elogio que eu nunca ouvi.
O cheiro de mato na tua camiseta branca, teus olhos vermelhos e a minha preocupação.
Tua risada, como eu Amava ouvir isso.
Eu queria uma explicação para tudo aquilo, eu queria que você me falasse se fez por amizade, por Amor.
Eu queria saber se você escondeu por culpa da vergonha, do medo, do preconceito.
Os olhares sempre tão intensos no fim do dia, as mãos cautelosas na minha cintura nos fundos do colégio.
Por adoráveis, medrosos, quentes, frios, infindáveis 365 dias a gente se guardou.
Não encostamos um dedo sequer no outro...
Com o tempo tudo isso foi esfriando. Teu coração foi congelando e a tua memória me tirando do foco.
Não sei mais se faço parte das tuas lembranças, não sei ainda se eu sou a pessoa que mais te conhece.
É meio perturbador lembrar disso tudo a essa hora da madrugada. É desesperador não conseguir derramar uma lágrima diante das tuas fotos.
Ah, como tu cresceu... Eu imaginava que com teu crescimento algumas coisas mudariam, tu amadureceria mais no ponto de vista que pendia para o nosso lado.
Engano o meu. Doce e amargo engano.
Eu queria te chamar pra sair e fazer planos que a gente nunca iria concretizar.
Eu queria te beijar devagar.
Eu queria a qualquer preço te abraçar. Dar o nosso abraço.
Lembrar do nosso tempo... Como eu preciso de ti. Como eu sinto a tua falta.
Como eu queria dizer que eu ainda te Amo, que eu ainda te espero. Que eu ainda acho que você vai mudar.
Que um dia, não importa quando, a gente vai viver.
Os dias passam desde aquela manhã de dezembro, e pode ter certeza, quando o dia termina, em alguma hora dele tu tomou conta de mim, mesmo sem saber.
Você ainda mora aqui. Você ainda me faz sorrir...
E eu te perdoo. Esqueço as brigas, as discussões sem motivo, as crises psicóticas de ciúme.
Prometo não viajar mais e te deixar sozinho! Prometo escrever na sua agenda todos os dias e te ligar toda noite.
Eu queria recomeçar.
Eu oro por isso, eu peço. E só Deus sabe...
Eu queria que você soubesse também. Eu queria que você quisesse também.
Eu queria que você me aceitasse assim.
 
Andresa Alvez