Versos pequenos
Coisas que faço
Palavras ao vento
Surdas canções que te falo
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Cálate!
É uma gaiola
Onde querem te colocar
Pássaro que canta bem
Atrai a atenção do gato
Por isso, bico fechado!
De que servem tuas belas notas
Contra o zurro do burro?
Vence quem grita mais alto
Vence quem tem poder,
Não quem tem poesia
Onde querem te colocar
Pássaro que canta bem
Atrai a atenção do gato
Por isso, bico fechado!
De que servem tuas belas notas
Contra o zurro do burro?
Vence quem grita mais alto
Vence quem tem poder,
Não quem tem poesia
A aventura nossa de cada dia
É o Grande final.
E se fecham as cortinas. Em meio aos acalorados aplausos. Acabou mais uma bem-sucedida apresentação. Todos estavam felizes. No camarim os autógrafos, fotos, sorrisos, abraços... Era hora de voltar para a vida real. Tirar a maquiagem. Desmontar o personagem. Vestir a máscara comum da vida real. Aquele mundo de fantasias, perfeito, só na próxima apresentação. Era preciso dizer “até logo” diante do espelho, para aquela personagem que tomou conta do seu ser durante as últimas cinco horas, entre preparações e apresentação.
Revendo: "A estrela da minha vida"
Na penúltima reapresentação do mês de férias do blog, um dos textos mais queridos por esse autor que vos fala. Falar dessa verdadeira personagem que procurei retratar nessas linhas é falar do que há de melhor em qualquer ser humano: A arte de amar. Tão simples, e ao mesmo tempo tão complexa. Tomara que vocês, que ainda não leram, gostem.
Boa leitura!
Revendo: "A arte da vida (ou a vida da arte)"
Pessoal, mais um texto meu aqui no período de férias da equipe do Literatura Exposta, que volta com tudo em Fevereiro. Quero ver todo mundo me respondendo a pergunta lá do final do post, hein?!
Boa leitura!
Boa leitura!
Adoráveis Náufragos
Somos todos como um barco à vela, solto ao vento
Naufragado nesse imenso mar chamado vida
Vamos seguindo no curso louco desses dias
Isso é ser artista
É viver sem rumo
Naufragado nesse imenso mar chamado vida
Vamos seguindo no curso louco desses dias
Isso é ser artista
É viver sem rumo
O compositor de emoções
Lá estava ele. De olhos fechados, apenas contemplava os ruídos que vinham da platéia, que já o chamava para o palco para mais um show. Fechando os olhos, ele podia sentir e energia que vinha daquele povo. Era como se aquilo tudo carregasse suas baterias, para que tivesse todo o pique necessário durante toda a apresentação. E de olhos fechados ele se lembrava da própria vida, de tudo que passou até aquele momento... De quando as músicas vinham à mente, trazidas pela amiga inspiração.
Artesão de sentimentos
Ele não era nada grande, nada forte.
Tinha, é verdade, grande força nas mãos.
Afinal, é com elas que ele construía suas obras.
Tinha também, na mente, uma grande imaginação.
Era artista, mas não da literatura, da música ou do teatro.
Sua arte era plástica, daquelas que inebriam os nossos olhos.
Eram imagens, sólidas, palpáveis, belas, encantadoras...
Daquelas que falam mesmo mais que mil palavras.
Tinha, é verdade, grande força nas mãos.
Afinal, é com elas que ele construía suas obras.
Tinha também, na mente, uma grande imaginação.
Era artista, mas não da literatura, da música ou do teatro.
Sua arte era plástica, daquelas que inebriam os nossos olhos.
Eram imagens, sólidas, palpáveis, belas, encantadoras...
Daquelas que falam mesmo mais que mil palavras.
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Sua majestade, o artista de rua
Lá vai ele para mais um dia de batalha.
A maquiagem baratinha, a manchar a pele.
Desenhos que reproduzem a sua alma a enfeitar seu rosto.
A velha roupa, comida pelo tempo.
O chapéu engraçado.
E ele sai.
Caminhando para um novo dia ganhar.
Seu sustento... Sua sobrevivência...
E assim segue o artista de rua.
Vai para onde ninguém o chamou.
Leva sua alegria a quem nem pediu.
Em praças e sinais ele vive para encantar.
Ilusão, que transforma gente comum em grandes heróis.
Sem que peçamos, lá ele está.
Faz tranquilo o seu trabalho.
E com sua alegria faz sorrir até o que na vida graça nem vê.
Vai ganhar o que com isso?
São migalhas que jogam para ele.
Tem dias que nem compensa.
Ninguém valoriza.
Poucos o percebem.
Mas ele insiste, pois acredita naquilo que faz.
Louco! Ele poderia trabalhar em outras tantas coisas.
Sim, mas seriam só outras tantas coisas.
Não o fariam verdadeiramente feliz.
Porque ele faz o que gosta.
E quando é assim, até o mais difícil se torna simples...
Sonho de um artista.
Dos bancos de praças... Das ruas... Palcos da vida...
Vida cheia de insólitos sacrifícios.
Trabalho sem expectativa de reconhecimento.
Só entende quem tem um sonho que domina o íntimo do seu ser.
Só alguém como ele pra levar arte a quem não para pra ver.
A maquiagem baratinha, a manchar a pele.
Desenhos que reproduzem a sua alma a enfeitar seu rosto.
A velha roupa, comida pelo tempo.
O chapéu engraçado.
E ele sai.
Caminhando para um novo dia ganhar.
Seu sustento... Sua sobrevivência...
E assim segue o artista de rua.
Vai para onde ninguém o chamou.
Leva sua alegria a quem nem pediu.
Em praças e sinais ele vive para encantar.
Ilusão, que transforma gente comum em grandes heróis.
Sem que peçamos, lá ele está.
Faz tranquilo o seu trabalho.
E com sua alegria faz sorrir até o que na vida graça nem vê.
Vai ganhar o que com isso?
São migalhas que jogam para ele.
Tem dias que nem compensa.
Ninguém valoriza.
Poucos o percebem.
Mas ele insiste, pois acredita naquilo que faz.
Louco! Ele poderia trabalhar em outras tantas coisas.
Sim, mas seriam só outras tantas coisas.
Não o fariam verdadeiramente feliz.
Porque ele faz o que gosta.
E quando é assim, até o mais difícil se torna simples...
Sonho de um artista.
Dos bancos de praças... Das ruas... Palcos da vida...
Vida cheia de insólitos sacrifícios.
Trabalho sem expectativa de reconhecimento.
Só entende quem tem um sonho que domina o íntimo do seu ser.
Só alguém como ele pra levar arte a quem não para pra ver.
Profissionais do coração
Quando se fala de coração, logo se pensa no amor. E as várias formas de amor logo são adoradas ou odiadas pelas pessoas. Por diversos motivos. Dos dois lados. Até existem sim motivos para se idolatrar esse conceito, assim como pra detestá-lo. Mas, de toda forma, o amor permeia a vida humana desde que nos reconhecemos como tal. Claro, como tudo na vida, esse é um conceito que sofre mutações através dos tempos. Não tinha como ser diferente, pois nós mesmos mudamos nossas formas de pensar de modo tão veloz que nos assusta, por vezes. Daí que a visão do amar hoje é muito diferente da época de Machado de Assis e José de Alencar. Ainda mais o tipo de amor que desejo tratar aqui.
Existe um grupo de profissionais que é unido unicamente pelo coração. São os artistas. Sejam na pintura, no desenho, no teatro, no cinema, na TV, no circo, na música ou na dança, todos se reconhecem como artistas unicamente por causa do coração. Sim, pois, apesar de fazerem parte do escopo da arte, todas estas manifestações culturais são diferentes. Inclusive cinema, teatro e TV são diferentes entre si. Mas por que então o coração os une? Simples. Todo artista, de verdade, quando está trabalhando, faz tudo com o coração, e não com a razão. Ele se doa em prol de sua personagem, sua música, seu picadeiro ou sua tela. Precisa se entregar de corpo e alma. E é isso que encanta o espectador.
Ninguém vai a um evento cultural se não sentir a doação do artista. É no timbre da voz, nos gestos cênicos, nas pinceladas e nos diversos malabarismos que o artista conquista o seu público. E não se consegue isso apenas racionalmente. É preciso que haja sentimento na coisa. É preciso colocar amor na performance. É preciso estar lá com o coração. Até mesmo porque quando se faz com amor, se conquista muito mais facilmente os corações da platéia. E cativa-os durante todo o evento. Uma peça em que o publico possa se enxergar na trama tem muito mais sucesso que outra onde ele fique em sua condição de espectador, puramente, numa obra totalmente desconexa que passa por seus olhos em cima do palco.
Enfim, tudo na vida depende do envolvimento emocional. Não se faz bem nada se não se gostar do que se está realizando. É claro que a razão influencia tudo, que é pela razão que somos capazes de pensar e tudo mais, mas sem o coração, tudo perde o brilho. Aliás, o brilho da vida está no amor. Nas várias formas da manifestação deste sentimento. E assim é um artista. Quando se faz arte, seja sua arte diferente de todas as outras, se faz uso do coração. É isso que liga vários tipos de artistas espalhados por aí. Pergunte a um destes o que o move? Ainda mais no Brasil, que não incentiva a cultura como deveria. Certamente ele te falará do amor que ele tem pela profissão. Mesmo com todas as dificuldades, inclusive a financeira.
São profissionais do coração. Sabem usá-lo em sua plenitude. São pessoas que não conseguem viver de modo diferente. Se o amor é um sentimento perigoso, por deixar que a paixão o mascare, é um sentimento nobre, que move as pessoas a encantar outras pessoas, e fazer do mundo um lugar um pouco melhor para conseguirmos viver. Valorize o artista que você conhece, e até mesmo o que há dentro de si mesmo. Sem ele, certamente metade da sua própria alegria de viver não existiria.
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A arte da vida (ou a vida da arte)
Sempre tive comigo que escrever era algo muito bom, mas muito difícil. Que inteligentes são aquelas pessoas que se dedicam a contar histórias para encantar nossa realidade dura e complexa, eu dizia. Têm o dom de nos fazer voar para um mundo diferente, que até tem as falas que eles escreveram, mas que é construído pela nossa mente. Basta deixá-la viajar, enquanto absorvemos frase após frase que estes autores escreveram, e deixaram para nós. O fato é que não existe nada melhor no mundo que uma boa leitura. Claro, existem outras coisas tão boas quanto, mas não melhores. Diferentes, apenas, eu diria.
Somos capazes de passear por mundos incríveis, navegar por bravios mares, e caminhar nas areias do deserto também. Fazemos o que quisermos em nossas mentes, a partir do que alguém escreveu, como ávidos leitores. Dificilmente a cabeça de um leitor imaginará uma cena exatamente como o autor a pensou quando colocava tudo no papel. O bom é mesmo poder montar nossa própria visão daquilo que estamos lendo, com as vozes que achamos mais apropriadas a cada personagem, com os trejeitos típicos de cada um deles. Ainda que os autores nos dêem uma estrutura do fantástico universo que criaram, nossa mente viajará por conta própria, sempre colocando um elemento novo, que o próprio autor ficaria maravilhado ao ver.
Mas, se ler é bom, escrever, amigos, é melhor ainda. Claro, vai muito além de apenas contar uma historinha. É preciso passar para o papel um mínimo de emoções que, com a imaginação, desencadearão o turbilhão de novos sentimentos no leitor. É um exercício muito trabalhoso construir um mundo novo, que será depois reconstruído de acordo com a ótica de quem o ler. Mas ainda assim, é muito bom. É tão bom olhar uma obra pronta e perceber que ali existe quase mesmo que um universo paralelo, muito parecido com o nosso, com as emoções e os fatos cotidianos da vida humana, ou até mesmo um mundo tomado por criaturas impensáveis, extintas ou recém surgidas. É como sair do próprio corpo e vestir a armadura do herói que luta contra tudo pelo grande objetivo que ali escrevemos.
É como brincar de Deus. No mundo que construímos, dispomos das vidas dos nossos personagens da maneira que melhor nos convir. Brincamos de maltratar a mocinha, até que um destemido herói venha para salvá-la e por ela cair de amores. Nos divertimos com as maldades dos nossos vilões, pois, sim, eles dão um especial sabor às histórias. Na eterna guerra do bem contra o mal, é preciso que os vilões desafiem nossos personagens. Criamos também amigos que influenciam nossos protagonistas e os fazem tomar as decisões que nós queremos que eles tomem, mas que não podemos mandar diretamente que façam, porque assim tudo perderia a graça. Com isso temos uma história recheada de aventuras, romance, mistério e fantasia. Tudo encaixado na adequada proporção para despertar no leitor uma determinada emoção.
Enfim, a literatura é uma arte. Tão importante quanto o desafio de representar. Aliás, não fosse a arte de escrever, seria muito difícil haver o teatro como o conhecemos, pois o ator precisa ler e embarcar no universo inventado pelo escritor. Eu ousaria dizer que o teatro é uma evolução da literatura. Ao ator cabe dar ao texto a devida emoção. Não é fácil. Por isso mesmo é uma arte. Transformar palavras em sentimentos em cima de um palco não é algo para qualquer um. É preciso ter o dom, tanto quanto para escrever, com um agravante: O escritor pode ser solitário e, por vezes, tímido, mas o ator precisa ser desinibido e muito seguro de si, pois senão, dificilmente conseguiria transmitir a mensagem ao seu público.
A vida é uma dádiva, e a arte é um dos dons que nos fazem achar sentido em nossa existência. Seja com palavras, expressões corporais, nas pinturas ou mesmo na voz, precisamos dessa arte para, não poucas vezes, dar um colorido às nossas próprias vidas. De todos os ramos do mundo da arte, eu fico com a literatura, que me permite voar de acordo com o tamanho da minha imaginação, sem fronteiras, por onde eu quiser.
E você? Qual sua arte preferida?
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As belezas pela internet: "Ator"
Realmente é muito difícil escolher os textos que entram nessa seção. E isso se dá muito porque as coisas que leio têm sido sempre muito boas. Esse mês de Dezembro li esse texto de extrema delicadeza e sentimento, escrito pela Mayara Almeida, que tem um blog muito bonito, singelo e tocante. Nos conhecemos nessa troca incrível de leituras, através do blog do Thiago de los Reyes, e encontrei na página dela um verdadeiro baú de tesouros literários, donde se guardam os mais finos tesouros que alguém pode juntar. Enfim, fiquem com esta leitura maravilhosa. Tomara que gostem.
Ator
(Por Mayara Almeida)
(Por Mayara Almeida)
Eu podia ter um milhão de filhos
eu podia ser artista,
palhaço ou equilibrista.
Eu podia viver de lembranças
e voltar a ser criança.
Eu podia ser natureza,
beber a água do mar
me salgar e morrer,
feliz.
Eu podia não ser quem sou
fingir e me destruir.
Eu podia desistir de ser
o que de fato sou
e morrer na infelicidade.
Eu podia ser uma pedra
e de tão pedra,
não sair do lugar.
Eu podia não ser de carne nem osso
e me manter calada e seca.
Eu podia murchar,
eu podia secar,
eu podia aguar, azedar
e salgar a doçura de um coração
mas eu preferi chorar os males,
sorrir os dias,
tocar a pele,
tocar a pele,
ser.
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