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Se/Te/Me Afastar

Repito várias vezes por dia para meus botões: - Eu não acredito e nem quero acreditar que você fez isso... De novo! - Me pergunto se é medo de sentir o que já sente. De se libertar para algo que sempre foi tão teu, algo que te fez sentir-se seguro.
As pessoas de hoje em dia não sabem o que é Amar, eles esquecem de se entregar de verdade! Dane-se se vamos sofrer, nos machucar!

23 invernos!

Talvez seja TPM, ou uma daquelas crises que acontecem antes da passagem de mais um ano de vida.
23 invernos! Às vezes parece meio surreal, uma mentira, ou até mesmo um conto de fadas, porque não?
Antes a expectativa era baixa, de vida, de sucesso, de saúde, futuro, de tudo que me cercava e que estava por vir.
Todas as noites eu me deitava imaginando como seriam os próximos anos, o que aconteceria se eu permanecesse em uma cama, se nenhum medicamento fosse criado.
Mas, o mundo dá voltas, milhares de voltas. E são por todas essas voltas que eu sou grata!
Eu não tinha muito ânimo, apesar de fingir isso muito bem. Quem estava e sempre esteve em baixo dessa pele fui eu, então, eu sei o que são os bons e maus dias.

5 notas de um escritor

Observar, sentir, descrever! 
Essa é a rotina dos escritores. É assim que nascem poesias, pequenos contos, as crônicas e os romances. Desse modo é que se fica conhecido por meio deste verdadeiro universo de letras. Durante eras, os homens aprimoraram a rotina solitária de contar histórias, eternizando-as em um papel ou nos bytes de um arquivo da informática.

Cruel

Por que é que tem que ser tão fraca? Que me deixa perder por pouco?! Por tão pouco?!
Que em qualquer esquina me pode raptar?! Que está nos cantos, nos banheiros, nos pés, debaixo dos braços, no olfato. Por que?! Por que tem marretas nas mãos capazes de destruir construções de períodos longínquos?
Pergunto-me sem pausas, por que.

Sentimental e Viscoso

Há poesia pura no sexo. No gênero e no ato. Em todas as suas formas. Em toda a sua duração. É lamentável haver ainda tantos tabus com tantas coisas. Alguns enxergam desejo, outros reprodução, passatempo, ou nem mesmo o enxergam como algo necessário. Porém há quem julgue determinada ânsia e querer uma aberração.
Pois, junte-se á mim todo aquele que for á favor de toda manifestação sexual de desejo e Amor.
Liberte-se de si! Dos seus conceitos cheios de poeira e pré-conceitos saídos do forno. Vamos além! Vamos pintar e escrever!

Âncora

“Atenção senhores passageiros da Auto Viação Catarinense, com passagem marcada para todas as horas, carro procedente dos seus sonhos, com destino á Degraus, Recomeço, Suor e Vitória: Portão de embarque C, plataforma 18. O TERRI deseja á todos uma boa viagem!”

As belezas da Literatura: "Ingredientes"

É com imenso prazer que volto ao Literatura Exposta, para mais um ano de meus devaneios literários que, para minha imensa felicidade, tem conseguido tocar vocês, leitores. Para mim é motivo de muita alegria mesmo. Escrever é uma arte. Conseguir que esta arte seja apreciada por cada um de vocês que lêem o que coloco aqui é motivo para me emocionar mesmo. Cada comentário aqui ou fora, nas redes sociais e na vida de um modo geral, é como um combustível para minha criatividade e para minha imaginação. Tomara que possamos dividir emoções ao longo do ano. Afinal, este é um espaço de livre sentimento.
Para abrir os ano, resolvi ampliar a seção que inaugura os meses aqui no blog para as páginas dos livros. Ano passado, para minha imensa felicidade, a poesia "Ator" da ótima Mayara Almeida, que abriu o ano de 2010 aqui acabou sendo premiada num concurso. Este ano, escolhi o autor Sérgio Tross, que, além de ser pai de meu amigo Roberto Tross, é um escritor de mão cheia. A poesia que colocarei aqui parece despertar nos estudiosos duvidas quanto a ser poesia ou conto. Trata-se de uma bem bolada receita que muitos vão se surpreender.
Boa leitura!

Versões: "Os segredos de um amor"

Hoje quero pedir licença para apresentar uma coisa nova que estou tentando fazer. Versões de músicas internacionais. É muito complicado entrar nessa seara, pois hoje notamos certa falta de senso estético com a poesia das versões de hits internacionais. É preciso ter muito cuidado ao pensar em uma versão, pois, num mundo globalizado e com a internet, é muito simples traduzir uma canção, e notar que a versão em português fugiu completamente à proposta do original. Por isso, grandes canções, para serem imortalizadas em nossa língua também, precisam de muito cuidado e acabamento, senão serão estigmatizadas e esquecidas. 
Andrea Bocelli é um dos mais aplaudidos cantores líricos da nova geração, não apenas na Itália. Particularmente, eu o considero um grande intérprete, e um fabuloso letrista. Bocelli é dessas pessoas que procuram não ter preconceitos com os ritmos, e perpassa-os, trazendo suas influências para o clássico. Daí surgem coisas incríveis como Simplecemente, L’abitudine, Vivere (Dare to live), dentre várias outras canções que transitam entre os tons clássicos e a malemolência de outros ritmos musicais muito interessantes. 
A música é muito mais que um punhado de batidas que produzirão um som convergente. É, acima de tudo, um estado de espírito. É um veículo que eleva nossa alma, e nos faz ter sensações por vezes incontáveis. É mágico poder transformar poesias em sonoridades. Boa leitura!

Dois estranhos! Apaixonados?

Como dois estranhos, 
Cada um na sua estrada, 
Nos deparamos, numa esquina, num lugar comum. 
E aí? quais são seus planos? 
Eu até que tenho vários. 
Se me acompanhar, no caminho eu posso te contar. 
E mesmo assim, queria te perguntar, 
Se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar, 
Se tem espaço de sobra no seu coração. 
Quer levar minha bagagem ou não? 

Quantas histórias de amor começam assim? Muitas? Poucas? Sinceramente, ninguém sabe ao certo. Há quem diga que amor à primeira vista é uma lenda, tal como todas as lendas que povoam o imaginário popular. Mas existe. Eu não sei se na mesma intensidade para todos que experimentaram isso. Mas que existe, ah, isso é verdade. São as histórias mais incríveis, pois acontecem do nada, e no olhar os dois envolvidos já tem a certeza de que se conhecem há muito tempo. Eu ousaria dizer que talvez sejam encontros de almas gêmeas.

Artesão de sentimentos

Ele não era nada grande, nada forte.
Tinha, é verdade, grande força nas mãos.
Afinal, é com elas que ele construía suas obras.
Tinha também, na mente, uma grande imaginação.
Era artista, mas não da literatura, da música ou do teatro.
Sua arte era plástica, daquelas que inebriam os nossos olhos.
Eram imagens, sólidas, palpáveis, belas, encantadoras...
Daquelas que falam mesmo mais que mil palavras.

Não se deve tocar o céu

Existem momentos em que achamos que nos faltam forças para continuar. São dias em que tudo o que queremos é entrar em uma caverna e de lá nunca mais sair. Talvez este seja o caminho mais fácil. Não agir é sempre mais simples que tentar e não conseguir. Pode ser que seja menos doloroso. Para a maioria das pessoas, cruzar os braços seja o que deve ser feito. O certo. Mas este certo indiscutivelmente pode fazer com que as coisas se acalmem dentro de nós. Dizem que o tempo conserta tudo. Não... Para mim não! 
Eu tentei tocar uma estrela no céu. “Que idiota!”, muitos dirão, certamente. Admito que possa ter sido este um sonho, sim... Um devaneio... Uma idiotice. Mas, óbvio, eu não falo para as pessoas que vivem de jogar fora os sentimentos das quem as ama, usando-as como se fossem brinquedinhos, joguetes. Provavelmente quem me ouve possui dentro de si sentimentos, e muitas vezes já passou por isso tudo. Muitas vezes já até viveu grandes amores, e não conseguiu fazer com que isso fosse duradouro. Talvez, você já conseguiu amar muito sem que fosse amado de volta. 
É sonhar demais querer sentir o brilho da luz de um olhar? É burrice achar que elas, as protagonistas de um belo céu, possam deixar seu mundo mágico e descer ao nível dos mortais, por amor? Não. Para mim não é. Mas talvez só para mim. Isso tudo que ora lhe falo, meu amigo que lê, são apenas reminiscências de um pequeno homem, que nunca foi grande o suficiente para sequer alcançar sequer o brilho de um belo ponto de luz de um céu noturno. Alguém que não conseguiu tocar, em seu íntimo, e fazer sentir-se como ela deveria. Ela, que desejava menos, bem menos que um universo fantástico para iluminar. 
Por várias vezes a vida nos coloca diante de encruzilhadas que podem nos levar para longe ou perto de quem amamos. Cabe a nós a decisão, e dela seguem-se as consequências. Eu entendi que quantas mais forem as decisões que eu tome para perto de minha luz, mais as decisões dela se darão para longe de mim, de tudo o que eu quero dar. “Parte pra outra”, você diria. A fila anda, não é? Sim, eu concordo. E diferente de quem deseja se afundar dentro de uma caverna, eu erguerei a minha cabeça para seguir em frente meu caminho. Sem forças, mas sigo. Quando andamos, pelo menos, nos aproximamos com mais dignidade de nosso fim do que se ficássemos parados. 
A vida segue, e chega uma hora em que precisamos colocar a cabeça no lugar, abrir o coração a ferro e fogo, para que possamos seguir vivendo. Claro, se ainda existir alguma força para isso. Aqui não há medo, nem crise alguma, de qualquer ordem. Aqui não há força para qualquer coisa. Hora de descer ao mundo dos mortais. De ficar quietinho, olhando aquela bela luz brilhar. De vibrar com a intensidade desta sua luz. Mas de longe, sem tentar tocá-la novamente. Sem tentar tê-la. Nunca alguém tão pequeno conseguiu tocar o céu. As estrelas foram feitas para serem apenas de outras estrelas, não de nobres sonhadores, porque, por mais que se viaje com o coração, ainda assim não dá para se alcançar o incrível reino desses fantásticos seres.
Leonardo Távora

Clichê e Gostoso

Depois do jantar agradável em um restaurante que não era destes de ter mil talheres, mas ainda sim muito refinado e de bom gosto, voltaram ao carro. Antes disso, numa tentativa frustrada, ensaiou pagar a conta. Henrico gentilmente o fez.
Não era o mais rico de todos, e tinha alguns poucos anos a mais de vida do que Ana, que contava vinte e um. Morava sozinho e levava uma vida que podemos chamar de boa, sem preocupações financeiras. Dirigia a empresa de arquitetura de seu pai como profissão, e era fotógrafo por paixão. Fotografava cabelos, crianças, senhoras, dias nublados. Ana era maquiadora em um salão de beleza conceituado, e bailarina dedicada. Morava com a tia Clotilde em um apartamento pequeno. A renda era pouca, mas estável. Com o salário de Ana, e a aposentadoria de Clotilde, era possível pagar as contas, comer e vestir-se bem, e vez ou outra dar-se ao luxo de ir á uma festa com amigos.
O destino os fez encontrar em uma tarde de segunda-feira, quando Henrico fotografava modelos de tamanhos maiores para um catálogo de um amigo. Deise é quem deveria estar naquele dia maquiando, mas mal podia levantar-se de tamanha cólica que lhe surpreendeu. Ana, colega de trabalho, mas antes disso melhor amiga de Deise, foi em seu lugar.
Ao fim do ensaio, era apenas Henrico, o computador, algumas fotos de modelos, e milhares de fotos de uma menina-mulher baixinha, magra, de cabelos loiros escuros presos de mal jeito por um lápis, que lhe faziam ficar estático frente á tela. Bom, o resto não é lá muito misterioso. Ele tinha o número do salão. Apareceu duas ou três vezes, mas sem sucesso. Era um tanto tímido. Ana notou seu interesse, e sem que precisasse se esforçar, sentiu batidas aceleradas que se converteram em sorrisos discretos, como os que dizem “Só estou esperando por você”. Ele era tímido, e não burro. Esperou o fim do expediente, e a levou para um quiosque ali perto. Dois sucos, um convite, um sim.
Pois bem, antes de voltarmos ao carro, vale dizer das mil mensagens trocadas todos os dias, das horas intermináveis durante a noite no telefone, e as vezes até e-mails. Eram dois corpos em chamas, alimentados por um coração. Um, porque bastou um sorriso em uma tarde de segunda-feira para que houvesse uma soma que, céus, poderia ser eterna. Ou não. De qualquer forma, não nos cabe o futuro.
No carro, ele liga o rádio. Está tocando uma das músicas que Ana adora ouvir na rádio enquanto toma banho. Automaticamente, ela cantarola. Só pára quando é surpreendida por aquele homem que a olha com tanto Amor, e ri da cena que, sim, era engraçada. Engana-se quem pensa que ela ficou sem jeito, mas que nada, era atrevida. Só precisava reconhecer o terreno. Agora, o rosto dele era menos sorridente, e mais neutro.
- Pra onde vamos agora, Sr. Henrico?
- O que você sugere?
- Qualquer lugar desde que você esteja junto.
- Tem um lugar que eu não conheço, mas queria entrar.
- É só dizer, podemos ir até lá.
- A sua vida.

Houve um silêncio. Ela tocou seu rosto, sentiu a aspereza de sua barba, dividida pela maciez de seus lábios, que agora beijavam seus dedos. Não era necessário nenhuma palavra á mais. Aquele gesto não dizia “você pode entrar”, mas “você já está lá á muito tempo”. Henrico partiu, com um sorriso idiota no rosto, e ardendo em sentimentos. Ana também estava assim. Voltara a cantarolar, exibindo um sorrisinho tonto, e gritando por dentro.
Chegaram. Era um apartamento bonito, muito bem decorado, espaçoso e confortável. Ele cogitou oferecer alguma bebida á Ana, mas não era preciso. Ela era atrevida, lembra? Mostrou á ele um olhar em chamas,que pedia água, mas ainda que molhadas as chamas não se apagariam tão cedo. Não demorou. Henrico á despedaçou á medida em que ela implorava por isso. Ele se fez demônio, e ela se fez cadela. Ao final –de muitas cruzas- das chamas sobraram as brasas. Havia nos dois líquido inflamável para muito tempo, mas antes disso, havia Amor. Eles ainda não sabiam. Desconfiavam, mas não sabiam. Amavam-se, céus, e como.
Ana acordou primeiro, e fez da manhã, palco de seu espetáculo de sentimentos gostosos e clichês. Vestiu a blusa de Henrico, que era muitas vezes maior do que seu tamanho. A blusa, suas roupas íntimas e só. Foi até a cozinha, e encontrou sem precisar procurar muito o café, umas torradas intactas e alguma coisa para complementar. Sem que ela percebesse, Henrico a admirava com um sentimento que palavras não explicam. Ela era tudo de melhor... mesmo que de costas. “-Ei!” foi o que ele disse, supreendendo Ana.
Ela virou-se. Ele munido de sua câmera fotográfica, tirou um retrato de Ana.
Por trás daquelas lentes, estavam os olhos de um homem que conhecia agora o gozo de um Amor verdadeiro, sólido, e totalmente distante do mundo feminino ilusório que ele havia desbravado antes.
Á frente das lentes estava Ana. Ana menina, mulher, bailarina... e esposa.
Bom, pelo menos era assim que ele queria que fosse.
E ela também.

Claudio Rizzih.

Quando amamos alguém

Descobri o que faltava em minha vida
Depois de por tantos lugares procurar
Encontrei esse alguém que iluminou meus dias
É... Você chegou até aqui pra me animar

Coincidência foi o dia em que nos encontramos
Logo isso virou algo que nós não esperávamos
Ávidos por viver esta arte louca de saber amar
Um dia pensamos que tudo seria eterno como as ondas do mar

Amar é nada mais que sentir
É a alegria de ao seu lado poder viver
É o coração que palpita esperando você vir
Me sinto melhor quando esse amor invade o meu ser

Depois de um tempo a gente descobre
Inútil é ficar pensando no futuro
O bom da vida é viver o agora
Repetir os bons dias é o que nos trás alguma melhora

Quando amamos alguém
Do modo mais puro que a gente tem
Não existe coisa melhor
Não existe sequer a dor
Toda vez que existir esse tal de amor

Independente, você sempre foi assim
Zoando tudo isso eu te conquistei
Zoando também foi que você aprendeu a gostar de mim
Irremediavelmente, assim, eu comecei a te amar

Tempo, amigo tempo
Venha aqui em minha direção
Trás de volta aquela vida
Que acalma esse meu coração

Hoje é como o primeiro dia das nossas vidas
E eu já estou pronto pra voar
Se eu fui capaz de te esperar todos estes dias
Sou capaz de, por você, até atravessar o mar

Cheiro de morango, olhar apimentado

É verdade. Daquela noite nunca mais nos esqueceremos mesmo. Não eram apenas dois corpos que se entrelaçavam em momentos soltos e fugazes de prazer. Havia ali duas almas que se encontravam, e se transformavam em uma só, sem pra isso perder sua individualidade, e suas armas próprias para a infalível sedução. O engraçado disso tudo é que nada daquilo fora pensado antes. Ao menos eu achei que aquele seria um encontro não mais que fruto de uma grande amizade, e nada alem disso. Você tinha a pimenta no olhar, a leveza no ser, e a alegria no viver. Você me desnorteou. Foi isso que me fez quebrar todas as barreiras pra te ver.
Lógico que você foi quem tomou a iniciativa de me abraçar. Lembro-me muito bem. É verdade que eu estava um tanto quanto imóvel, paralisado pelos seus encantos. E você cheirava morango. Nunca consegui esquecer mais aquele perfume do seu corpo. Seu cheiro só veio para completar a bela imagem que eu já fazia de você. Agora, além de vir pelos meus olhos, você chegou ao meu coração pelo cheiro. Eu seria capaz de te reconhecer no meio de uma grande multidão, não apenas porque se destaca naturalmente, mas porque uma das premissas do amor é que sempre sabemos onde nosso par perfeito está, mesmo que várias pessoas estejam dificultando a nossa visão.
Ao chegarmos ao quarto do hotel, eu, sinceramente achei que somente a amizade fosse o que existiria entre nós. Você viu o presente em cima da mesa. O presente que eu te contei, sem revelar o conteúdo, te deixando com a curiosidade à flor da pele. Ao abrir o embrulho, seus olhos brilhavam. Os mesmos olhos que insistentemente me seduziam, apimentados, desejosos, quentes... Parece que você não conseguia acreditar. Aquele DVD era o que você tanto queria. Eu bem sabia disso. Eu já conhecia seu gosto. Mas não imaginava que fosse ficar tão feliz. Tem vezes que os presentes não precisam necessariamente ser caros ou raros. Eles precisam apenas tocar ao coração de quem os recebe. Seu sorriso iluminou aquele quarto. Você me deu um abraço e um beijo. Fui ao céu com aquilo.
“Será que dá pra fechar aquela janela?” – Você disse. Claro que dava. Eu nunca imaginei que você fosse me pedir aquilo. Quebrei toda aquela distância pensando apenas em uma boa e saudável amizade. Claro, meu coração nunca concordou com isso, mas ele estava sufocado até aquele momento. Naquele momento, ele se libertou da clausura em minha mente o colocou, e dominou todas as minhas ações. Ali eu esqueci que só queria ser teu amigo, e me rendi a mais pura das verdades: Eu queria te amar. E nos amamos. De verdade. Com verdade. Um amor puro. Aquele amor que nem mil línguas afiadas prontas para destilar veneno são capazes de fazer balançar. Num quarto de hotel. Num espaço um tanto quanto “neutro”. Ali o amor venceu. Ali você me arrebatou, sem volta.
Você era a mais bela pessoa que eu já tive a oportunidade de ter. A mais quente de todas. A mais assanhada, eu diria. Tudo isso sem se deixar cair na vulgaridade. Aos poucos você foi quebrando o gelo. Era impossível ficar sem ação diante de seu. Aquilo não parecia real, pois você estava acima da realidade. Era tudo tão surreal que eu não sabia como agir. Mas aos poucos você foi me conduzindo, me “esquentando”. O espanto foi dando lugar às boas sensações. E à medida que isso acontecia, qualquer medo já seria tão menor que não mais poderia ser notado. O que ficava mais claro e notável naquele momento eram a confiança e a cumplicidade, além da nossa já sabida sintonia, que vinha de longa data.
Você fazia tudo de um modo fora do comum. Me atraia... Me excitava... Me acendia... Me fazia te desejar como o mais puro dos diamantes, a mais rara das jóias. Nos tocávamos e nos sentíamos de um jeito totalmente sem igual. Cada olhar seu, cada movimento de sua boca, cada suspirar, realmente inebriava meus instintos e me fazia sentir o melhor prazer da minha vida. Aliás, tudo aquilo era mesmo muito surreal, preciso reforçar. Qualquer pessoa que nunca vivenciou algo assim pode não acreditar. As horas passavam para todo mundo, menos para nós, menos naquele quarto. Ali não existia o tempo, as horas... Éramos nós. Apenas nós!
Será que era mais um sonho? Não sei. Só sei que foi muito boa aquela oportunidade de ter demonstrado todo o amor que eu sinto por você. Naquele momento, eu tenho certeza, você pôde sentir o meu amor. Foi tudo lindo. Nem mil Casmurros seriam capazes de decifrar e traduzir o que sentimos naquele quarto de hotel. Nem os olhos de ressaca de Capitu tiveram a chance de vivenciar um momento tão belo como aquele. Eu te amei. Eu te senti. Eu te tive. Eu te pertenci. Nada vai mudar isso. No mundo inteiro, não há o que possa transformar aquele momento em algo efêmero, sem importância. Aliás, não é possível se medir, tampouco se comparar a importância daquela noite em nossas vidas.
Eu ainda sinto aquele cheiro de morango que teima em invadir meu ser. Está impregnado. Já faz parte de mim. Algumas pessoas não poderão entender isso. Provavelmente elas nunca tenham vivido um momento tão mágico como este. Para quem não sentiu todas as emoções do nosso encontro, estas podem parecer apenas um monte de palavras bonitas, colocadas em outro monte de papéis. Mas para nós não. Nós dois sabemos muito bem o valor de cada pedacinho daquele momento. Está marcado em nós. Em nossa pele. Na nossa história.
Eu quis te dar um pequeno presente. Uma lembrança que ficasse gravada e que toda vez que para ela você olhasse, de mim de recordasse. Mas eu nem podia imaginar que presente maior eu mesmo seria o ganhador. Um presente para o qual eu não preciso olhar, mas apenas sentir. Talvez você seja a pequena faísca que acende o fogo adormecido em mim. Na verdade, você é o maior presente que a vida um dia resolveu me dar.