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Encontro

Oi. Tudo bem? Você poderia me informar se o 4502 para nesse ponto?
Oi. Para sim. Mas acho que vai demorar. Passou um agora.
Que pena... Nossa, acho que já te vi em algum lugar. Por acaso você foi aluno do Newton, em História, naquele colégio do Centro?
Fui sim. Você também? Ele é ótimo, né? Acho que também me lembro de você. 

Entre nerdices e romances

Amor. Essa coisa lindamente estranha, que aparece de tantas formas diferentes.
Vivi dois tipos lindos desse amor. 
O amor puro e cheio de esperança entre duas pessoas. E o amor desesperado de um fã por uma coisa tão, tão distante.

Críticas de um adolescente: "A Bela e a Fera"


Olá pessoal! Esse final de semana, para variar, eu fui assistir um filme romântico com a minha namorada. Esse gênero não e muito minha "praia". Prefiro ação, suspense, terror, aventura, e alguns outros. Mas eu me esforço para gostar um pouco de tudo, então, não me nego a ver romances.
Pois bem, comprei a pipoca e entrei na sala para assistir ao filme. Muitas coisas me desagradaram e algumas outras me agradaram. Mostrarei aqui o que achei bom, e o que achei ruim. E, assim, quem sabe, torno mais fácil para você leitor a decisão de assistir ou não. 

A garota da praça

Pra quem olha assim, friamente, parece uma distância curta. Mas, eu sei que não é bem assim, há que se calcular os potenciais riscos existentes no trajeto, as eventuais chances de fracasso e, principalmente, o medo que toma conta desse meu coração cansado de apanhar.
É bem verdade, nem precisa dizer, que quem não arrisca não petisca. Ou como diriam os mais eufemísticos, que quem não chora não mama. Ressalto, porém, em minha devida defesa, que também é verdade que gato escaldado tem medo de água fria e que, não obstante, macaco velho não põe a mão em cumbuca. Eu aqui, perdido em meus devaneios, tentando explicar meus fracassos amorosos com o uso de provérbios e metáforas, finalmente me dou conta que o tempo passa e joga contra mim.
É que eu queria me aproximar com uma frase inteligente, ou uma citação de algum filme ou livro ou daquela música do Vinícius, porque aí você, ao menos, logo de cara, me acharia culto, quem sabe. Fato é que pensei em nada, até agora, que superasse em efetividade o famoso Oi, tudo bem? Quem diz oi tudo bem hoje em dia? Coisa em desuso, esse oi tudo bem. “Oi tudo bem uma ova”, você iria dizer, com toda razão. É por isso que olho pro chão como quem tivesse perdido ali algo importante, como a coragem ou o tato com as mulheres (não, este definitivamente eu não perdi, nunca o tive). Eis aí meu ponto fraco e fator máximo de minha solidão, a dificuldade em chegar até alguém como você, bonita e segura de si, tão completa por si só, uma mulher independente, daquelas que honram suas antepassadas que queimaram sutiãs em praça pública. Vai precisar de mim pra quê? Pra abrir o pote de azeitonas? Pra matar baratas com chinelo de dedo? Não.
Você não vai me dar bola. Por que daria, se até hoje ninguém o fez. Claro, talvez alguma tivesse feito caso eu houvesse dado o primeiro passo. Justo eu, dar o primeiro passo? Parece brincadeira! Por que não você? Afinal, hoje em dia homens e mulheres têm direitos iguais, então por que tem que ser eu a dizer a primeira frase, justo a primeira, a mais sofrida de todas. Se a primeira frase vai embora, lá se vai junto a boa primeira impressão, aquela que, dizem, é a que fica. Não, não vou até aí, você que venha até aqui, pronto, está decidido. Eu faço charme e você faz o flerte, é melhor pra todo mundo, ou pelo menos é o melhor pra mim.
Segundos depois me dou conta que não, você não virá até mim, terei eu que chegar em você. Se não tem frase inteligente, que seja uma burra, mesmo. Daquelas como vai chover, está calor aqui, está frio acolá. Mas, primeiro, eu que me decida se vale o que sinto por dentro ou por fora, se está quente ou frio.
Não fosse eu tão tapado, tão zero à esquerda nessa coisa de amor, poderia jurar que te vi me olhando umas duas, talvez três vezes. Entenda, não sei ler direito os olhos das pessoas, ainda mais quando são lindos como os seus, não sei se quis me dizer alguma coisa. Então, faz assim, pra facilitar, dá um sinal mais claro, algo com a mão ou, melhor, fala comigo. Pra não deixar dúvidas. É que eu ia odiar ir até aí e ver que não foi sinal nenhum, que me aloprei ao acreditar que você me daria uma chance. Eu, macaco velho que sou, não ponho a mão em cumbuca.
O tempo passa, joga contra o meu querer. E eu, que quero e não posso, te vejo levantar, me olhar uma última vez e partir. Sabe lá se te vejo de novo um dia desses, sabe lá se era pra ser o que não foi. Tudo que sei é que não foi porque não fui. A essas horas, num universo paralelo qualquer, nós dois estamos juntos.
Taí, odeio encontrar uma frase inteligente quando ela já não me adianta de nada...

Celso Garcia

Sol, manchas e amores

Eu sabia que ela estava levemente alterada, isso era visível em seus olhos. Mas, ainda assim, mesmo falando devagar, todas suas palavras estavam carregadas de verdades, até que pausadamente, ela continuou: 
- E ela tem uma mancha em volta do olho, sabe? - Dizia enquanto desenhava a mancha com os dedos no próprio rosto - E eu sei que ela odeia isso, mas eu Amo, porque isso faz parte dela, ela é a única garota em todo o mundo que tem isso... Isso faz dela... Única, entende? E só faz com que eu a Ame mais.

Me apaixonei, e agora?

Quanto tempo vai durar
Isso eu já não sei
O que importa é o agora
E agora quero amar

O fim desta história
Pode estar escrito ou não
É indiferente pra mim
Terminar em derrota ou vitória

Não vá ainda

Não vá ainda, fica mais um pouco. Só mais algumas horas, ou dias, ou meses. A vida toda, talvez?!
Por que os segundos voaram
Enquanto você dormia
Em meu peito, serena
E adormeci feliz contigo
Nem pude aproveitar
Pra contar os planos
Que fiz pra nós dois

Serafim

Serafim não se entendeu
Jamais sentira aquilo
Tão dado à tristeza
Estranhou se ver feliz
Diante de tanta incerteza
Quase desistiu, por um triz

Aquele domingo fez sentido
Assim como toda sua vida
O beijo daquela morena
Fez-lhe o peito disparar
Ah, Açucena, Açucena
Cheiro de flor paira no ar

Solução para o frio

Chocolate quente
Três xícaras de café
Um prato de mingau
E até chimarrão
Caldinho e sopa
Sem solução

A nova professora favorita

Quando entrei novamente na 2055, depois de um semestre longe da faculdade, me embebedei com a beleza de Alice. Não utópica, menos ainda moldada. Era bela por sua postura enigmática. Tinha um sorriso que dizia muito, mas escondia muito mais.
Teoria do Conhecimento era a matéria, mas àquela altura isso pouco importava. Minha cabeça já teorizava várias teorias que envolviam a minha nova professora preferida. Tinha por volta de 30 e poucos anos. Parecia ter saído de um livro de analítica, dos mais densos e dos menos compreensíveis. Não entendia bulhufas do que dizia a despeito dos meus 8 períodos no curso de Filosofia.

Teu cheiro

Nem cítrico, nem amadeirado
Teu cheiro não é desses
Que se compram por aí
E qualquer pessoa pode ter

Amor de lua

Teu amor é de lua, mulher
Uns dias, está radiante
Cheia de amor
Brilha mais que estrela
Mas então, sei lá por quê,
Míngua, fica triste 

Coisas Da Vida: "Almas gêmeas"

Vivia só, o pobre José
Enfrentando o mundo
De mãos vazias
Sentia-se só, pobre José!
Quixote sem Dulcinéia
A enfrentar moinhos gigantes

Despedida: Os Dois Lados De Uma Palavra

Dar um Adeus. Horas depois dar um novo Olá.
Seguir. Ou regredir, não importa. Esses são os dois lados da despedida.
Ao mesmo tempo em que se chora, se sorri, quer voltar, quer o passado, ou apenas, se precisa do “ninho”.
Pássaros não voltam para o ninho depois que aprendem a voar. Mas nós, mesmo voando, não somos pássaros, e diferente deles, às vezes, precisamos voltar.

A arte da vida (ou a vida da arte)

Sempre tive comigo que escrever era algo muito bom, mas muito difícil. Que inteligentes são aquelas pessoas que se dedicam a contar histórias para encantar nossa realidade dura e complexa, eu dizia. Têm o dom de nos fazer voar para um mundo diferente, que até tem as falas que eles escreveram, mas que é construído pela nossa mente. Basta deixá-la viajar, enquanto absorvemos frase após frase que estes autores escreveram, e deixaram para nós. O fato é que não existe nada melhor no mundo que uma boa leitura. Claro, existem outras coisas tão boas quanto, mas não melhores. Diferentes, apenas, eu diria.
Somos capazes de passear por mundos incríveis, navegar por bravios mares, e caminhar nas areias do deserto também. Fazemos o que quisermos em nossas mentes, a partir do que alguém escreveu, como ávidos leitores. Dificilmente a cabeça de um leitor imaginará uma cena exatamente como o autor a pensou quando colocava tudo no papel. O bom é mesmo poder montar nossa própria visão daquilo que estamos lendo, com as vozes que achamos mais apropriadas a cada personagem, com os trejeitos típicos de cada um deles. Ainda que os autores nos dêem uma estrutura do fantástico universo que criaram, nossa mente viajará por conta própria, sempre colocando um elemento novo, que o próprio autor ficaria maravilhado ao ver.
Mas, se ler é bom, escrever, amigos, é melhor ainda. Claro, vai muito além de apenas contar uma historinha. É preciso passar para o papel um mínimo de emoções que, com a imaginação, desencadearão o turbilhão de novos sentimentos no leitor. É um exercício muito trabalhoso construir um mundo novo, que será depois reconstruído de acordo com a ótica de quem o ler. Mas ainda assim, é muito bom. É tão bom olhar uma obra pronta e perceber que ali existe quase mesmo que um universo paralelo, muito parecido com o nosso, com as emoções e os fatos cotidianos da vida humana, ou até mesmo um mundo tomado por criaturas impensáveis, extintas ou recém surgidas. É como sair do próprio corpo e vestir a armadura do herói que luta contra tudo pelo grande objetivo que ali escrevemos.
É como brincar de Deus. No mundo que construímos, dispomos das vidas dos nossos personagens da maneira que melhor nos convir. Brincamos de maltratar a mocinha, até que um destemido herói venha para salvá-la e por ela cair de amores. Nos divertimos com as maldades dos nossos vilões, pois, sim, eles dão um especial sabor às histórias. Na eterna guerra do bem contra o mal, é preciso que os vilões desafiem nossos personagens. Criamos também amigos que influenciam nossos protagonistas e os fazem tomar as decisões que nós queremos que eles tomem, mas que não podemos mandar diretamente que façam, porque assim tudo perderia a graça. Com isso temos uma história recheada de aventuras, romance, mistério e fantasia. Tudo encaixado na adequada proporção para despertar no leitor uma determinada emoção.
Enfim, a literatura é uma arte. Tão importante quanto o desafio de representar. Aliás, não fosse a arte de escrever, seria muito difícil haver o teatro como o conhecemos, pois o ator precisa ler e embarcar no universo inventado pelo escritor. Eu ousaria dizer que o teatro é uma evolução da literatura. Ao ator cabe dar ao texto a devida emoção. Não é fácil. Por isso mesmo é uma arte. Transformar palavras em sentimentos em cima de um palco não é algo para qualquer um. É preciso ter o dom, tanto quanto para escrever, com um agravante: O escritor pode ser solitário e, por vezes, tímido, mas o ator precisa ser desinibido e muito seguro de si, pois senão, dificilmente conseguiria transmitir a mensagem ao seu público.
A vida é uma dádiva, e a arte é um dos dons que nos fazem achar sentido em nossa existência. Seja com palavras, expressões corporais, nas pinturas ou mesmo na voz, precisamos dessa arte para, não poucas vezes, dar um colorido às nossas próprias vidas. De todos os ramos do mundo da arte, eu fico com a literatura, que me permite voar de acordo com o tamanho da minha imaginação, sem fronteiras, por onde eu quiser.
E você? Qual sua arte preferida?