Apartidarismo

Não sou mais um. Sou um no meio do Caos. Sou um rosto alienado na multidão que passa sem uma unidade decifrável. Sou mais alguém que não pensa, sou aquele que acompanha. Não porque tenha decidido não tomar parte. Mas, porque mesmo havendo aquilo sobre o que deliberar, resolvi não decidir nada.

O meu eu é o que me representa. O seu eu, que pensa naquilo que é nosso, não. Todos aqueles que querem coletivizar não me representam. Sou o novo, quero mudar e rejeito a história. Eu faço o futuro que começa neste exato momento. Sou um sujeito atrapalhado, que, antes cabisbaixo, hoje não se espanta com o mundo a sua volta.

Não suporto desmandos. Menos ainda mandos de qualquer natureza. Não quero o sou. Porque "sou" implica numa transitividade direta que necessariamente me exigirá algum predicado. Sou o ninguém. Mas, sou todos os ninguéns. Quero o contraditório. Não em função de gostar do caos. Somente porque não me encontro no silêncio.

Sempre em movimento, sem repouso ou freio que me force a reduzir o ritmo alucinado da minha vida. Antes que qualquer um possa se defender sou contra. Pois não acredito que haja espaço em um sistema tão arcaico para que as respostas que quero sejam dadas. Mude! Ou eu me mudo daqui.

Um outro lugar é possível. Uma nova forma de pensar é imperativa. Esse crescente amontoado humano que ora se dissolve numa branda debandada, não dormirá jamais. Não temos líderes. Não suportamos sermos liderados. Eu sou um deles. Um apartidário de coração que pouco pensei, mas vivo na moda, nos embalos do meu coração patriota apaixonado.

Gustavo Dias