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As histórias de Matias: #1 - "Não dá pra ser só triste"

Oi! Eu sou o Matias. Com certeza você não me conhece. Claro, eu nunca disse nada aqui. Então, muito prazer te conhecer. Eu sou um andarilho. Faço isso por vontade mesmo. Aliás, eu não gosto desse termo. Prefiro "colecionador de histórias". Isso!É o que faço melhor. Pelos lugares que eu ando, vejo pessoas e seus modos estranhos de agir. Não me espanto, e também não vi de tudo. Pelo menos não ainda. Faz parte da vida de um colecionador como eu nunca estar satisfeito com a coleção que possui.

Minha pequena morada

E só cedo, quase oito da manhã, que ele foi me olhar do jeito que eu queria que tivesse me olhado a noite toda.
Os lábios entreabertos, e os olhos fixos no meu rosto, foi o primeiro momento em que eu me senti realmente especial.
Saí tarde de sua casa, com sono e com as pernas doendo; minha cabeça repassava, como um filme, cada cena. Minha memória rebobinava tudo a cada minuto, mesmo sabendo que automaticamente, tudo se auto destruiria. Saí de sua casa grande, maior, não cabendo dentro de mim.

Um último abraço

Desci as escadas apressadamente, aquele tempo, minhas pernas funcionavam mais.
Ajeitei a mochila no ombro esquerdo, que já estava dolorido por causa do peso de todos os livros que carregava.
Graças aos Céus tinha terminado minha prova de química. Ficar "de recuperação" em pleno dezembro não era algo que eu me orgulhava, mas isso não era uma consequência, e sim, uma escolha.
"Ah mas as suas amizades né", era o que minha mãe mais dizia. Mas, eu havia passado tanto tempo com a cara grudada nos livros e não tinha ganho nada em troca, faltavam apenas 3 anos para minha vida escolar acabar, e o que eu havia aproveitado disso? Então, eu decidi levar como podia, não iria mais me matar estudando ou coisas do tipo. Eu era inteligente, mas tinha algumas matérias que, de forma alguma entravam na minha cabeça, e uma delas era química, e era por esse motivo que naquela manhã de dezembro, eu estava descendo as escadas do colégio.

Dos pensamentos


Minha mente foi levada ao passado nesse momento. Como naquela mesma noite, pude sentir meus olhos arderem por culpa das lágrimas, mas dessa vez, pude derrama-las sem medo.
Era uma noite de verão, mas calafrios percorriam meu corpo. Minha cabeça doía.
A dor e o sofrimento eram opcionais, mas, era meu coração que estava em jogo. Ou melhor, era meu coração que tinha entrado naquele jogo, eu era a última pessoa do tríangulo. Se é que existia um.
Naquele instante, eu queria poder correr, fugir, me abrigar em algum abraço. E poderia até ser no dele. Se, o coração e a mente dele não estivessem ocupados demais para não notar meu semblante mudar de 'feliz' para 'derrotado' em poucos segundos.

Ponto X

Baguncei seus cabelos ao puxar a camiseta, jogando-a longe dali.
Os olhos estavam ainda menores com aquele sorriso armado nos lábios.
Beijei os ombros nus e brancos, passei meus dedos por sua nuca, tateando a corrente que vive escondida, escorreguei minha mão até chegar no pingente, e colocar o mesmo exatamente no meio do seu peito.

Era

Eu esperava muitas coisas de você, de nós dois, menos essa distância. Distância de coração!
Eu lembro da última tarde que passamos juntos, do cheiro do cigarro de canela, do vento frio do morro, de todos os outros casais juntos perto de nós, da visão do céu, de como eu me sentia tão em paz com você por perto. Lembro de tantas palavras que queriam sair mas que eu engoli cada uma.
É confuso tentar escrever sobre isso, sobre a sua falta, porque parece que eu não te conheço mais.

Os Intactos Projetos

Nem tudo que parece é! Na política, isso faz ainda mais sentido. O jogo de vaidades para as lentes quase nunca reflete o campo pouco convidativo dos bastidores de uma área tão humana em suas virtudes e, principalmente, em seus defeitos. Séculos após sua morte, e os escritos do Cardeal Mazarin ainda refletem uma realidade triste nas nossas relações sociais.
Valentino da Costa é o habilidoso comunicador do governo de Henrique Cordeiro. Ele tem o dom da criatividade, sempre bolando formas inusitadas e cativantes de passar a informação que deseja. Propagandista experiente, desde a juventude despontou com a habilidade que faria dele um dos homens fortes da gestão que está se encerrando.

À pouca luz

Saulo acabara de acordar de um sono muito profundo. Mas ele não está em casa. O lugar era predominantemente escuro, iluminado apenas por uma lâmpada bem fraca, que ficava bem acima da cama onde ele estava deitado, que era a única coisa que ele conseguia visualizar ali. 
Olhando para a direção dos seus pés, ele viu iluminada uma mão de homem, e, na penumbra, dava para distinguir, e existia ali uma pessoa que ele não conhecia. No primeiríssimo momento, o medo, natural, tomou conta dele. Mas, aos poucos, ele pôde perceber que aquele homem não queria lhe maltratar. Ao menos não parecia.

Minha felicidade em tons de verde

Lá no canto do salão de moletom verde e jeans claro, ele estava sentado. Quieto, de poucos sorrisos. Era tímido.
No dia 31 de dezembro de um ano perturbador e cheio de novidades, ele também estava, dessa vez coberto de areia e segurando uma garrafa de champanhe barato.
Naquela tarde de terça feira extremamente quente, ele também estava.
- Eu acho que nunca te beijei... - Disse como quem estava refletindo enquanto segurava seu copo de vodca.
- Não, nunca. - Respondi em seco por culpa da timidez.
- Acho que eu devia... - Ele continuou, só que agora, colocando o copo de vidro transparente no chão, ao lado da cama, e me segurando pela nuca para beijar.

Filetes

Pra lá de tonta, era assim que eu me encontrava. Caminhei sentindo a sala girar até chegar na porta que dava para a garagem, apoiei meu tronco na soleira para fechar minha jaqueta até o pescoço. Na cidade do mar, o vento é sempre mais frio.
Andei segurando a parede até ficar em baixo da janela, escorreguei até sentir que alcancei o chão, e ali fiquei.
A cachorra andava por toda a área, algumas pessoas tocavam violão na sala, um de nossos amigos foi dormir, e eu fiquei ali.
Conforme a noite passava, o frio se intensificava, mas eu não queria sair dali. Ou melhor, eu nem conseguiria fazer isso.

Sem fechaduras

O nosso Amor era de porta aberta. Você sempre foi livre para ir a hora que bem entendesse.
Eu nunca pude te segurar, eu não tinha nada para isso.
Eu era... Eu. Pequena, ocupando pouco espaço por entre seus dedos e pernas. 
Eu não era grande, como as outras moças. Grandes em seios, vozes, cordas, extensões.
Eu sempre ficava no primeiro banco, eu sempre me sentava ao seu lado, mas eu nunca conseguia te decifrar.

A Senhora do Mundo - Parte II

Voltando à história da semana passada...
Justo III se deleitava em enobrecer e enriquecer o objeto de seus afetos; pôs-lhe aos pés os tesouros do Oriente; estava decidido, o sobrinho de Justino, a, talvez por escrúpulos religiosos, conferir à sua concubina o caráter sagrado e legal de esposa. Mas as leis proibiam expressamente o casamento de um Rei com qualquer mulher que tivesse sido desonrada por uma origem servil ou pela profissão teatral.
A imperatriz Lupicíta, bárbara de maneiras rústicas, mas de impecável virtude, recusou-se a aceitar uma prostituta como sobrinha, e mesmo Dona Vigilante, a supersticiosa mãe de Justo III, embora reconhecesse o tino e beleza de Regina Lúcia, tinha sérios receios de que a leviandade e arrogância daquela ardilosa amante pudessem corromper a piedade e ventura do seu filho.

A Senhora do Mundo - Parte I

Atenção, caro leitor: Essa não é uma história de amor, mas de poder, ou, como você quiser, de amor ao poder. Isso aconteceu há muito tempo atrás, em um reino onde imperavam os mesmos valores da sociedade de hoje, e onde os homens faziam-se de bondosos, mas espreitavam a guerra entre si como quem prepara o bote sobre uma caça.
No exercício do poder supremo no Reino de Pedras do Oeste, o primeiro ato de Justo III foi o de dividi-lo com a mulher a quem amava: A famosa Regina Lúcia, cuja singular elevação ao trono não pode ser aplaudida como o triunfo do merecimento feminino. 
Mas voltemos ao início dessa história... 

Entrando

Tentei aspirar o máximo que pude seu perfume. Você estava irritantemente lindo! Tanto que supliquei para que andássemos por mais tempo, queria poder te admirar mais...
As luzes laranja deixavam teus olhos ainda mais claros. Eu me sentia segura de uma forma que não consigo explicar, que nem eu consigo entender.
Sentada de lado, com a cabeça recostada no banco ouvindo Cazuza, eu analisava seu perfil que foi desenhado de maneira minuciosa. O resultado de toda uma vida era perfeito.

O incerto futuro preocupa Madá

Em seu trailler, Madá estava pensativa. O futuro de seus filhos a preocupava. Embora o circo não estivesse com as finanças ruins – muito por causa do seu pulso firme -, também não era algo que garantisse o futuro de ninguém. Tudo bem para quem desejou viver daquilo, como ela e Martinho, quando se conheceram. Mas Maria Alice, Ricardo e Luna só viveram ali. Não tiveram outras experiências na vida.
Quando se viram pela primeira vez, Martinho parecia um príncipe encantado para Madá. Ele passou pela cidade dela com sua trupe. Naquele tempo era um jovem muito galanteador. Com a maquiagem de mágico, com os olhos delineados para atrair o público, num magnetismo empolgante, ele conquistou profundamente o coração dela, que sonhava ser apenas uma funcionária pública com uma carreira tranquila, como havia imaginado ao passar no concurso para a prefeitura da cidade. Martinho virou sua cabeça, e transformou sua vida. Mas ela quis isso.

O Mecanismo

Era uma vez no mundo um grupo de amigos.
Desses que hoje é raro se ver.
Por alguns motivos da vida eles acabaram se distanciando.
E a comunicação era precária.
Eles não conseguiam se falar com frequência.
Assim os laços se desfariam.
Afinal, o tempo e a distância costumam resolver essas coisas.

Descobrindo um Amor

Era uma tarde chuvosa em Belo Horizonte, daquelas que as pessoas preferem ficar em casa, debaixo da coberta, ouvindo o cair da chuva e lendo algum livro. Eduardo estava bem quieto em seu quarto quando o telefone tocou. Do outro lado da linha era aquela por quem ele não parava de pensar. Catarina realmente não o esqueceu, e se lembrou de telefonar para o jovem, o que o deixou muito feliz.
- Alô?
- Oi, garoto da fala bonita!
- Catarina, que bom que você ligou...
- É, queria falar com você. Fiquei com saudades.
- Eu também estava com muitas saudades de você. E o nosso sorvete? Ainda posso te convidar?
- Claro que pode. Estou querendo mesmo te ver de novo. Sabe como é... Para podermos conversar mais.

Grãos

Fechei a porta do carro sentindo minhas mãos tremendo. Segurei a bolsa e respirei fundo enquanto o calor daquele fim de tarde me fazia suar. Mas, ainda com a temperatura muito alta, eu suava frio.
- Onde ele está? – Meu pai perguntou.
- Está vindo... – Respondi mantendo meus olhos fixos em uma das saídas. Ele apareceria ali.
Os minutos pareciam eternos, como se já não bastasse todo o vento, poeira e atraso que enfrentei só para estar em pé naquele chão de lajotas vermelhas.
Alguém saiu correndo da saída central e meu coração vacilou.
Ele parou. Voltou a correr, exatamente na minha direção. 
Era quem eu esperava.

23 invernos!

Talvez seja TPM, ou uma daquelas crises que acontecem antes da passagem de mais um ano de vida.
23 invernos! Às vezes parece meio surreal, uma mentira, ou até mesmo um conto de fadas, porque não?
Antes a expectativa era baixa, de vida, de sucesso, de saúde, futuro, de tudo que me cercava e que estava por vir.
Todas as noites eu me deitava imaginando como seriam os próximos anos, o que aconteceria se eu permanecesse em uma cama, se nenhum medicamento fosse criado.
Mas, o mundo dá voltas, milhares de voltas. E são por todas essas voltas que eu sou grata!
Eu não tinha muito ânimo, apesar de fingir isso muito bem. Quem estava e sempre esteve em baixo dessa pele fui eu, então, eu sei o que são os bons e maus dias.

Um conto sobre a humildade

Muitos anos já se passaram desde aquele dia em que nascera um raro humano no mundo. Não, ele não é o mais famoso da história. Nem tampouco o lendário dos contos ingleses, nórdicos, gregos e romanos. Pensador? Pode ser (Aos homens). Mas não tinha o renome de Sócrates ou Pitágoras, ou mesmo Agostinho de Hipona. Mas ele era famoso. Na cidade dele, sem dúvidas. Na região, eu diria, sua fama corria a largos passos.