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De quem é a culpa?

O balanço passa a tarde parado
O escorregador, esquecido, enferruja
A gangorra apodrece na praça vazia
Ninguém mais faz pique nas árvores
Nenhum riso de criança se ouvia

O laço

Tinha franjas e corria, aquela garotinha. Um laço prendia os cabelos rebeldes, que balançavam conforme ela dava seus largos passos. Parecia flutuar, de tão livre. Ao chegar perto de outras crianças, suas amiguinhas, soltou um sorriso solar.
Sua risada atraiu a atenção de uma velha senhora, do outro lado da praça, que lia um livro. Cabelos cinzas, mãos manchadas, a pele já sem tanta elasticidade. Naquela manhã particularmente fria, os ossos doíam e ela se perguntava se havia tomado o remédio certo antes de sair de casa. Estava sozinha. Era sozinha. 

Velha infância

Ernesto nasceu de cesariana.
Lucas nasceu de parto normal, em casa.
Ernesto mamou no peito por quase dois anos.
Lucas, por apenas um. Sua mãe teve que voltar a trabalhar.
Aos 5, Ernesto tomava leite tirado direto da vaca. A bebida precisava ser coada em um guardanapo de pano, para tirar os pelos bovinos.
Lucas tomava leite longa vida, enriquecido com ferro, cálcio e uma substância de nome estranho que, dizia na caixinha, o fazia crescer mais forte. 

Coisas Da Vida: "Inocência"

Vai, levanta!
Aprende a andar
Um passo de cada vez
Sem pressa, sem medo
Tens todo o tempo do mundo
Tens uma vida inteira, ainda

Valente

Era uma rapariga invocada. Lílian tinha apenas cinco anos, e já pensava como gente grande. Sua mãe naquele dia, lhe pôs um belo vestido florido. Estavam de saída, para uma visita ocasional aos tios. A pequena foi até seu quarto, pegou uma de suas bolsinhas pequenas, e foi ao encontro de sua mãe. Na cozinha, abriu a bolsa, que estava vazia: