Você tem um cachorro? Sim? Então sabe como é a alegria de chegar em casa e ver seu bichinho te esperando. Sabe como é sentir a gratidão por um simples gesto de carinho. Sabe o que é ter um amigo de verdade.
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Não cabe num abraço
Não cabe na circunferência
Dos braços curtos demais
De corpos tais e quais
Não há religião ou ciência
Que a sensação explique ou tente
Que tal emoção recrie ou invente
Haja calma e paciência
Quando se está distante
Dura a eternidade cada instante
Dos braços curtos demais
De corpos tais e quais
Não há religião ou ciência
Que a sensação explique ou tente
Que tal emoção recrie ou invente
Haja calma e paciência
Quando se está distante
Dura a eternidade cada instante
Pra uma vida inteira
Eu caminhava apressadamente, mesmo sabendo que não poderia fazer isso. Meu foco era o banheiro feminino, único lugar onde eu estaria salva naquela manhã gelada de sábado.
Os passos do sapato de couro preto tilintavam no piso, logo atrás de mim, eu estava tão atenta, que conseguia até ouvir qual parte do chão estava oca ou não.
- Vem aqui! - Ele dizia num sussurro, ao mesmo tempo que soltava gargalhadas!
- Não, não! - Eu respondia enquanto marchava até meu destino; ao chegar neste, empurrei a porta e fiquei atrás dela, ouvindo a pequena mão de unhas ruídas bater na madeira velha.
De leite
Me fiz em cicatriz pra te conquistar.
Me formei milhares.
Nos pés, coxas, tornozelos.
Em pintas.
No colo, no braço, do lado.
Me fiz doce.
De leite.
Com leite.
Me formei milhares.
Nos pés, coxas, tornozelos.
Em pintas.
No colo, no braço, do lado.
Me fiz doce.
De leite.
Com leite.
Na rua do mar
Minhas pernas amanheceram doloridas. Dor gostosa de se lembrar, mal conseguia dobrar os joelhos e isso me fazia sorrir.
Com o tronco nu, pude sentir a textura macia do cobertor de pêlos acariciar meu busto.
Do lado esquerdo, dormias calmo, sereno. Com alguns resmungos, é claro.
Procurei sua camiseta verde para usar de camisola. Baguncei meus cabelos e encarei a sacada.
Com o tronco nu, pude sentir a textura macia do cobertor de pêlos acariciar meu busto.
Do lado esquerdo, dormias calmo, sereno. Com alguns resmungos, é claro.
Procurei sua camiseta verde para usar de camisola. Baguncei meus cabelos e encarei a sacada.
Suprindo
Guiando-me pela mão, fomos até o último vagão do trem. No começo nossas expressões corporais não ajudavam em absolutamente nada. Uma lata de coca cola impedia de que eu ficasse mais perto de você.
Abri meu coração, o que não é nada difícil se tratando de uma conversa como as nossas.
Pouco a pouco, eu vi você se desfazer, a armadura cair...
Ficamos longos dias sem se ver, o que acaba então fazendo toda a casca, armadura e o resto voltar para o lugar, escondendo a essência, escondendo o que supre de verdade.
Pequena Confiança
Medo é um dos piores sentimentos do mundo. Existem muitos outros sentimentos ruins que gostaríamos que não existissem. Mas, os piores para mim são o Medo e a Saudade. Saudade não faz mal, mas machuca a alma de quem sente.
Saudade é vazio, é ausência. Medo é presença, é calafrio. Ambos os sentimentos estão se fazendo presentes na minha vida. Saudade se faz desde sempre. Saudade de quem está longe, de quem foi embora, de quem eu precisei deixar ir. Saudade de quem está perto, de quem não vai mais voltar. Saudade do passado, do antigo eu. Saudade do ontem. Do julho, do dezembro, do maio.
Saudade pura.
A Gente Pensa Que Escolhe
Nem o meu creme de morango e o meu perfume de castanha juntos, foram capazes de tirar do ar o seu cheiro de nicotina e algum outro perfume que me trazia arrepios...
Tempo, espaço, lugar, situação, gostos, e todo o resto: Não daremos certo, nunca. Não por falta de vontade, mas por toda essa loucura que nos envolveu...
E mesmo sabendo de tudo isso, lá estava eu, mais uma vez, rendida por aqueles olhos.
Paz Pulmonar
Aquele vestido preto nunca me caiu tão bem. Arrumei meus cabelos fazendo questão de deixá-los bem armados e com seus cachos definidos. Borrifei meu perfume de castanha nos pulsos, pescoço e busto.
Sentei-me no meu cantinho para me maquiar. Minhas mãos tremiam tanto que cheguei a borrar minha pálpebra com rímel.
Meu estômago doía, minhas pernas tremiam. Porque diabos eu haveria de estar nervosa? Eu parecia uma dessas adolescentes inocentes e imbecis!
A menina das bonitas palavras
Menina, pequena menina, que eu sempre quis conhecer.
Eras tão intensa em meus pensamentos que inebriava minha mente.
Fagueira, leve, intrépida...
Tão matreira que não dava para acreditar na amizade que em mim despertaria.
Menina dos textos tocantes.
Menina das lições que eu bem aprendi.
Entende que viver é mais que apenas superar limitações.
Compreende o valor de uma profunda e verdadeira amizade.
Me ensinou a acreditar sempre que amanhã será um dia melhor.
Feliz foi o dia em que lhe pude conhecer pessoalmente.
Bonita era aquela tarde, onde se podia ver o sol se por.
Ao te ver, meu coração se encheu de alegria.
Ao me ver, eu notei, teus olhos brilharam.
Foste ainda mais querida, mais amada.
Tantas coisas eu tinha pra dizer, palavras que ensaiei muito tempo.
Quando te conheci, sumiram... Se foram... Só me passava poder te admirar.
Eu só queria mesmo ouvir essa menina que até ontem eu apenas lia.
Eu só queria a força que o som das tuas risadas me dava.
Agora não é mais sonho a menina dos textos encantadores.
Agora não é ela mais tela de computador, ou emaranhado de palavras.
Agora és real, e está mais em mim do que nunca.
Sei que não te vais sumir de minha vida mais.
É amiga, e parceira de lutas de toda vida.
Sei que tudo que nasce sob o solo da verdade nunca morre.
Por isso eu tenho a certeza de sua presença, mesmo tão longe.
Sei que tua amizade fui capaz de conquistar.
Eu, que sou tão pequeno, me sinto maior te tendo por perto, mesmo ao longe.
Sem pedir licença, entrei em seu coração.
Desculpe, mas da mesma fora entraste no meu também.
Ninguém nunca vai me impedir de dizer, eu sei.
E sempre que eu puder quero poder contar.
Das peripécias encantadoras da menina que conheci no Rio dos Taiás.
Leonardo Távora
Minha amada imortal
Estava estes dias lendo mais uma vez, as “Cartas à Amada Imortal” de Beethoven. Impossível não se emocionar com tamanha sinceridade depositada em cada entrelinha daquelas cartas.
Forte, destemida, não deixou intimidar pelos revezes da vida. Moça, já aparentava sinais externos de cansaço. Ainda sim, esteve sempre bem penteada, vestida com roupas simples, mas que exalavam um cheiro agradabilíssimo, conseqüência do cuidado impecável que tinha.
Nove filhos. Dez, comigo. O neto-filho. Implorou aos céus por toda a sua vida que não permitisse á ela enterrar um filho. Assim foi. Pode descansar sem suportar a dor de deixar ir um de seus pedaços.
Ela dizia sentir saudades do céu. Questionávamos como era possível sentir saudades de um lugar que não conhecemos. Mas ela insistia. Enchia a boca para expor sua Saudade, e dizia-nos que era um lugar lindo, o mais maravilhoso de todos.
Eu, muito criança, não pude discernir bem as circunstancias à minha volta, quando minha avó passava por seus últimos dias em vida. Não percebi o quanto estava debilitada, e nem ela quis que eu enxergasse isso. Só dei por mim, quando estava ali, ao lado da lacuna, agora caída; Não porque não resistiu, pelo contrário; Foi forte o suficiente para erguer novos pilares, e suportá-los até que pudessem se manter sozinhos.
Ela era linda, caro leitor. Linda! Dona de um rosto ímpar, que não se assemelha á muitos outros. Era também dona de uma voz maravilhosa, impecavelmente afinada, e com um timbre que mais parecia um instrumento de sopro sendo tocado. Linda, caro leitor, linda!
Um dia antes de escrever este texto, fiquei sabendo de algo divino, acontecido com uma de minhas tias, a primeira filha de minha avó. Contava-me que, dias após o sepultamento, tivera um sonho lindo. Neste sonho, minha avó estava assentada confortavelmente em um banco de madeira, quando então minha tia se encontrara. Afoita, aproximou-se e perguntou:
- Mãe? Onde é que tu estás?
- No paraíso, minha filha. No paraíso...
Tia Geusa acordara em seguida. Hoje , diz lembrar-se nitidamente e com freqüência do sonho de anos atrás.
Obrigado, querida, por dar-nos um chão. Ainda que de barro, foi capaz de suportar grandes pesos. Moldastes uma família, e todo o amor incondicional que nos une, é fruto de tuas lágrimas, e preces, e batalhas intermináveis. Se hoje, somos assim, juntos em todos os momentos, é porque tu ergueste um fundamento sólido, que por muito nos abrigou. Agora, seguimos nossas vidas, amando aos nossos próximos, da mesma forma que nos amaste.
Ao me deitar, posso às vezes ouvir tua voz, terna, e ânsiã, entoando lindos cânticos, acompanhados pelo delicado som do triângulo, tocado por tuas mãos cansadas, velhas do tempo, mas ainda dispostas, se houvesse precisão.
Linda, caros leitores, linda!
“Plena paz, e santo gozo”.
Saudades, Minha Amada Imortal.
Cláudio Rizzih
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