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Uma música: "Respostas Vazias"

Respostas Vazias
(Gustavo Dias/Eduardo Dias)

As horas passam em vão,
Já não consigo te ver.
Pensamentos sem razão,
Imaginando eu e você.

Procuro respostas vazias
Para relembrar meu eu.
Todas as noites frias,
Sou de corpo inteiro seu.

Sucesso!

E chegamos ao final de mais um ano. Um ano muito interessante para o Literatura Exposta. Em 2012 chegaram ao blog dois autores que abrilhantaram e certamente continuarão nos dando muito orgulho no próximo ano. Celso Garcia e Gustavo Dias somam-se a mim e à Andresa Alvez nessa árdua tarefa de levar arte através de palavras a vocês. Este ano foram mais de 20 mil visitas. Obrigado a todos pela leitura. Tomara que tenhamos cativado vocês.

Revolta

Corria o céu plácido e volúvel 
Sobre minha mente conturbada. 
Periodicamente experimentando 
O descontrole devidamente calmo. 
Cabeça mineira. Prestigiada 
Por Deus. O das linhas tortas.

O som da separação


Separaram-se. Motivos? Não tinham maiores e mais importantes que os mesmos problemas pelos quais haviam passado várias vezes. 
Saiu de casa com uma mala na frente e outra atrás. Aquelas mudas de roupa lhe bastariam por aquele tempo. Calculara mais ou menos o período de permanência daquelas magoas no peito de Junia. 
Uma mesma música tocava em sua cabeça. Tinha para si que a audição era o sentido dos amantes. Nada lhe marcava tão bem cada uma das mulheres de sua vida como as músicas. Cheiros e gostos nunca foram tão eficientes. Menos ainda o tato.

Epitáfio em construção

“Mesmo que entristecidos, / Não chorem minha morte. / Dela não sabem nada. / Lamentem a morte de muitos / Pela autodestruição crescente / da humanidade acabada.”
Há muito tempo, o Professor Marcelo Freitas – sábio mestre em filosofia – havia escrito os versos destinados a sua lápide. O epitáfio escolhido era de conhecimento de toda a família e seus amigos mais próximos reconheciam naquelas palavras a tradução de sua maneira de viver. A simplicidade, a generosidade e a gratidão eram traços marcantes de sua personalidade. As palavras do professor estavam escritas em um banner providenciado para a ocasião. 
- Morreu o professor de todos nós – começou assim o discurso de Paulo Freitas, irmão e amigo mais íntimo do falecido. 

Verdadeira Ascensão Social

A superação das desigualdades sócio-econômicas era uma meta antiga a ser batida pela grandiosa nação de Baquitera. Ao longo de duas intermináveis décadas o ditador Dermatófano Moscão levara com pulso firme os seus governados à beira do caos. A economia não ia nada bem das pernas e pelo quinto ano consecutivo a taxa de crescimento estimado não seria batida. As previsões indicavam um superávit de um e meio por cento apenas. 
Pela imposição da força, as varejeiras prosperaram por muitos e muitos anos e seus elementos proeminentes sempre desempenharam funções de destaque na administração pública federal desde os tempos do império. A população insatisfeita com anos de repressão, inversão de valores e censura não admitia mais a ação dos opressores. Saíram aos céus com as asas pintadas.

Bons sonhos

Eram seis e meia. O despertador estava silencioso como uma brisa leve. A casa inteira já havia se levantado com aquele maldito “Triiiim... Triimmmm...”. Já deveriam ter tentado acordá-lo sem sucesso.
Em uma segunda qualquer, não poderia deixar de ser assim, Paulo estava rigorosamente atrasado. Como quem gosta de cumprir seus prazos e obrigações, o carrancudo homem nem bom dia deu ao porteiro de seu prédio e, tão logo ouviu o baque da porta, que fechara atrás dos seus passos, encaminhou-se apressado para a estação.