Ele esperou... Esperou até mais do que a eternidade. Ultimo fio, a lâmina preste a cortar a única linha de vida que o ligava a esse lugar. “Não quero”, dizia ele em tom doloroso. Mas não podia adiar, sua ida já tinha tardado e o fio não aguentava mais segurar a alma dentro de seu frágil corpo. “Irá voltar, eu sei que irá voltar”, esforçava-se ele para dizer. Porém todos ainda assim tentavam convencer aquele pobre homem que insistia em acreditar nos finais felizes. “Precisamos ir, o senhor sorrirá de novo.”. “Não, eu escolhi esse mundo e quero ficar.”, continuava ele. “Não pode terminar assim, não foi dessa forma que me contaram.”. Houve uma pausa pra uma respiração funda, das mais profundas e quem a incumbência tinha de leva-lo, os olhos baixava. Sabia que era um bom homem, de escolhas erradas, mas ainda assim um bom homem. Já estava acostumada a levar muitos, mas esse, logo esse hesitava e não sabia o por que. Talvez até ela desejasse a quem ele tanto chamava voltasse, mas não por ela, e sim pelo pobre senhor. Era difícil fita-lo, a dor misturada com esperança tocava os olhos com uma delicadeza das quais só vemos em asas de borboletas, mas ainda assim olhava, querendo conforta-lo... Olhava.
Mostrando postagens com marcador sandru aragon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sandru aragon. Mostrar todas as postagens
A Face Falsa da Esperança
Sua rouca voz mansa e seus dedos rápidos encantam com a melodia de um violão. As palavras lhe cativam, te seguram pela mão e até ele levam sem que perceber consiga. É abraçado e acolhido como nunca fora, surpreende-se e cai...
Vermelho
Vejo seus olhos castanhos e me envergonho.
Sentir sua alma penetrando a minha me causa certo medo,
Não por algo esconder,
Mas por que não sei o que há de vir depois.
Sentir sua alma penetrando a minha me causa certo medo,
Não por algo esconder,
Mas por que não sei o que há de vir depois.
Dor de íris
Hoje a primeira frase direcionada a mim foi: Você está com um rosto tão triste. E eu não me sentia triste, muito menos estava externamente. Talvez o sentir interno de alguma forma estivesse refletindo fora, agindo sem nem mesmo eu sentir, e tão forte que pela película da face transbordava a dor. Mas... que dor? A de não ter? A de não ser? De querer?
Aquele que Vem das Nogueiras
Eu nasci para te amar,
Mesmo com medo de falar,
De te olhar,
De te beijar e dizer: Fique comigo.
Talvez, o inicio
“Não, você não vai beber”. De nada adiantou. Ele pediu uma taça de vinho e foi-se a primeira. Não era acostumado com álcool, então logo se deixou envolver por uma realidade instantânea, aparentemente mais fácil. “Mais uma, por favor,”, pedia mais uma vez. “Você não vai beber mais, chega!” dizia eu com certa irritação. “Irei beber sim, me deixa!”, respondia ele autoritário. Calei-me, decidi não dizer mais nada. Iria por agora apenas olhar. “Sabe o que deve ter um gosto melhor que esse vinho?”. Espantei-me ouvindo, ainda mais pra quem ele direcionava a tal pergunta. “O que?”, perguntava minha amiga, já certa de qual seria a resposta. “Sua boca”, disse com um ar sedutor. Mordi-me de ciúmes, mas continuei com minha postura séria, disposta a não falar nada, nenhuma palavra. “Você está bêbado, eu não vou levar a sério nada do que falar pra mim”. “Eu não estou bêbado, amanhã vou lembrar e repetir para mostrar que é verdade o que digo”. Eu duvidava que lembrasse, e não só duvidava como também queria. Meu desejo era pega-lo pelo braço e levar pra casa sem dar o direito de defesa, mas tinha que continuar fingindo, não podia deixar que percebessem. “Você está muito bêbado, chega!”, gritava minha amiga. Peguei o copo e bebi num gole só o que restava do vinho. “Pronto, você não vai pedir mais nenhuma taça. Agora nós iremos ir embora!”, dizia eu enfim alguma coisa. Levantei a procura de um taxi, porém não havia nenhum disponível. Percebendo o quão irritada eu estava, ele fala comigo. Ignoro-o. Insistente, continua tentando fazer-me soltar alguma palavra ou até mesmo risos com algumas de suas piadas. Não teve êxito. Continuei calada e séria. Sem esperanças, foi reclamar com Fernanda sobre meu estado. Ela apenas me olhava. Sabia que a minha falta de palavras não era apenas por conta da bebida, existia algo mais, coisas das quais ela não iria se intrometer. “Fala comigo!”, se voltava ele pra mim.“Pede pra ela falar comigo”, dizia ele num tom infantil, como se tivesse pedindo socorro por não conseguir pegar o brinquedo qual não alcança. Confesso que me atingiu, fazendo-me ter vontade de abraçá-lo com toda força. Até podia, mas iria ferir meu momento de tentar encontrar uma resposta para o que estava acontecendo. Frente a isso, decidi continuar calada.
Assinar:
Postagens (Atom)