
Já passava das duas da tarde quando Dona Tereza escutou mais uma daquelas perguntas que a deixaram sem saber muito bem o que responder. Pedro tinha onze anos e estava na fase dos porquês. Não era raro colocar sua mãe contra a parede com suas observações a respeito do mundo.
- Mãe, por que é que existe o certo e o errado?
Tereza não tinha, geralmente, muito tempo para pensar sobre estas questões. Mãe solteira, havia criado aos trancos e barrancos seus cinco filhos sozinha. Nenhum havia dado tanta despesa intelectual, mas ela não admitia deixar Pedrinho sem respostas. Sabia da importância da formação de cada um deles para o mundo e, principalmente a respeito daquela questão, gastaria o tempo que fosse para lhe explicar.