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Um mês,algumas palavras e muitas manchas pretas na tela




É exatamente o tempo que dura, o tempo que pedi que não fosse cumprido, o tempo que implorei que não passasse, o tempo que lamuriei que ia ser diferente, o tempo que supliquei que não ocorresse e enfim, o tempo em que tudo que quase começou se findou.

Sim, um mês é a total comprovação da Lei de Murphy, que pena ele ser tão presente em uma vida, seguir tanto uma trajetória, a teoria dos que não querem aceitar o destino, a vontade de que algo algum dia será diferente, a forma de encarar o futuro incerto e já sabido, sim o tempo conhecido mas não almejado no campo da física.

Promessas foram feitas, metas consolidadas, comprometimentos almejados, carinhos distribuídos, gestos realizados, para no fim nascer algo, romper o cotidiano monótono, ceder um pouco da individualidade de cada um para que a metade de um esbarrasse na do outro de forma a tornar um ser único.

Um mês nasceu, um mês cresceu, um mês morreu, isso mesmo, o que já foi conhecido nunca mais será recuperado, um tombo que se leva para que a subida seja ainda mais forte.

Que desabafo mais complexo, que texto digno de uma caneta vermelha na aula de redação, quantas palavras aleatórias para explicar algo que nem ao menos nasceu, uma gestação interrompida em meio a uma sucessão de abortos, mais um sentimento natimorto.

Palavras unidas no presente ato são desentendidas, não são reconhecidas em orações desconexas, ausentes de significados apenas para quem as lê, enorme de sentido para quem as escreve, ato de fortalecimento no momento em que despejadas em uma tela branca formando pequenas manchas pretas, também conhecidas como palavras.

Futuros incertos para presentes caóticos






Futuro é tudo que será

Passado foi o que já passou

Presente é o que é



Realidades distorcidas em meio ao caos urbano

Cobranças indevidas com tendências suicidas

O sono que foge da mente perturbada

A manhã que chega sem ser desejada

A noite que não mais descansa

O dia que não mais tem cor



Dias cinzas são reais

Ensolarados desejados

Floridos não mais esperados



Em meio ao caos respira

Em meio a dor chora

Em meio a solidão espera

Em meio a multidão está só



Um dia chega

Um dia vai embora

Para quê ?

Para lembrarmos que futuros incertos

São sempre fruto de presentes caóticos





Marcus Campolina

Fãs

O fã que tenho não é mais o mesmo
O fã que tenho não é mais meu fã
O fã que terei ainda não sabe que é meu fã

Lalu a menina que não sabia de nada em : O rio doce virou marrom

             

Lalu, uma garota esperta, sensata, estudada e especialista em tudo, menos em suas crises. Um belo dia de manhã, uma onda de barro devasta uma cidade, matando algumas centenas de pessoas, desabriga outros milhares e afeta o abastecimento de água potável de milhões, mas claro, Lalu ainda muito esperta decidiu que era o momento de esperar em se pronunciar, ao final, não era grave, afinal não era na França, não tinha franceses e o lugar não era turístico, totalmente sem importância pensou consigo, o Pimenteiro resolve.

Lalu, com seu fiel assessor, escudeiro e roteirista de stand up comedy bolam um discurso muito calmo, engraçado, bem alto astral, afinal o que são enchentes sem chuva, destruição não ligada a natureza, falhas humanas e coisas que somente atingem a população digamos menos glamorosa em pequeno distrito do estado mineiro.

Chegando na cidade, lalu exige uma água mineral, lógico, água para beber não teriam mais. Em um palanque improvisado Lalu, muito sensata, decide que é o melhor e mais apropriado hora de uma tirinha engraçada em seu melhor estilo free style, solta a pérola da vez em meio ao caos de proporções nacionais, afinal não é a cidade das Luzes, “O Rio Doce, que é Doce, agora está marrom da lama.” 

Sem mais comentários, última fala que um jornalista solitário e com uma estrela no peito fala ao fundo.

Marcus Campolina

Sereno


Acordar com a brisa não é mais vantagem
Acordar com o mar nunca foi possível
O calor já não existe
O frio não subsiste
O tempo está sereno


Pessoas vão e pessoas ficam
Todas perenes em um mar morto de multidão
Ninguém mais quer, ninguém mais deseja
Todos amam e como um sopro desamam


A pressa traz dias serenos
A calma reforça sereno
O tempo está sereno

Eu não

Marcus Campolina


Despedia esperada/antecipada


A despedida de hoje é algo certo
A partida cujo destino não tem volta
A compra do bilhete de embarque só de ida
A certeza de que lá ninguém pode voltar


Perdemos todos os dias horas, segundos e minutos
No próximo não ganhamos nada, só continuamos a perder
Ao tempo certo ou provocado o contador vital para
Não há mais perda, nada mais existe


Vivemos com alguém uma semana
Duas a conhecemos melhor
Na terceira não somos mais nada
Metáfora de duas metades de um século
Um ente querido se vai, o não querido fica


Uns entendem que foi uma dádiva
Outros, puro castigo aos que ficam
Mas quem foi não volta jamais
O tempo que perde se transforma
As horas perdidas se transformam
Um dia o tudo se transforma


A certeza certa não sabemos
A Incerteza incerta também não
Uns escolhem, outros esperam
Certo é que um dia o tempo acaba
Como um panda que um dia disse a alguém
Que hoje já não o escuto.


O fim está próximo
Está aqui, não lá
O fim somos nós, eu e você.

Marcus Campolina

A lua nariguda

Em meio a vastidão do espaço havia uma lua, espremida ela era, tímida, com o olhar desconfiado e nariguda. A lua era acuada, medrosa e sem autoconfiança, não adiantava a vastidão de astros que a alertavam da possibilidade do contrário. A solução encontrada, ninguém pode saber.
Certo dia a lua se tornou tão grande, mais tão grande, que as estrelas em volta dela já não eram capazes de contê-la, com isso ela quis sair, dando de cara com um planeta bravo, que após ser chamado de gordo e ser habitado por ursos peludos fechou a cara, não deu mais atenção e após um tempo e 15 desculpas voltou e conversou. Se hoje ainda conversam, não sabemos, como entendemos, também desconhecemos.
A lição que lua tirou é que agora ela está no céu, ela continua tímida, acuada, porém livre, com ou sem a amizade do planeta desconhecido e de nome estranho. A lua não saiu do lugar, ela não pode se mover bem ainda, ela apenas pediu licença e agora viverá assim. Se irá continuar vivendo não sabemos, mas quem sabe o dia de amanhã mesmo?
Marcus Campolina

O ser humano em modo automático


           Acordar de manhã no frio e ainda cedo desanima qualquer um a fazer qualquer coisa que não esteja relacionado a cama e cobertor, pois bem é assim que todos fazem.

       Ao levantar já com pressa conseguimos desfocar nossa visão e fazer somente o que é estritamente necessário. Tomamos o café, que não é café, o pão, que não é de queijo, e saímos a rua. Independente se você vai de carro, ônibus ou a pé, sua visão está sempre lá na frente, em um trabalho que ainda não começou, a multidão de pessoas como formigas pelas vias parece não existir como seres humanos.

           Seja rápido ou longo o trajeto você acaba chegando a seu destino, liga sua visão de ver gente e ativa o modo ser humano em câmbio manual. A primeira conversa no local é um bom dia, depois, as conversas não terminadas de ontem e assunto novos após, tudo isso agora com o modo ser humano ativado. 

            Após um longo dia, desligamos o modo ser humano com vida e passamos para o automático, aquele que somente faz o necessário para não morrer, novamente as pessoas se tornam multidão, os olhares não se cruzam mais, não há mais conversa e voltamos nossos olhos para uma tela, fechamos os olhos e sabemos que amanhã tem de novo.

Marcus Campolina

As receitas fáceis: da TV à mesa de casa

                

Quem nunca assistiu a um programa de culinária, seja qual for o conteúdo e não falo somente do programa da loira com o papagaio não, e nunca tentou fazer em casa as receitas super fáceis de serem feitas. Fácil menina, anotou !

O telespectador não anotou, somente pegou na internet a receita e foi para os ingredientes que sempre, na verdade leia-se nunca, temos em casa. Ao fim, percebeu que não tinha todos os ingredientes, na verdade, não tinha nenhum deles, coitado morava sozinho.

No supermercado foi a caça dos ingredientes super fáceis de serem encontrados, no caminho após passar por alguns supermercados consegue reunir todos e ir para casa e finalmente executar a receita.

Em casa, ele reúne os ingredientes e começa a decifrar a receita, a mesma que apesar de indicar como fazer, omite uma série de dicas que necessitam de serem seguidas. Como toda pessoa normal faz, ele contestou a receita e inclui alguns ingredientes, alterou a medida de outros e excluiu alguns com a certeza de que ficaria bom.

A receita é executada, as dúvidas dobram assim como a certeza de que ficará bom no final. Com a receita pronta, vem a prova dos nove e com ela a depressão, não ficou como na televisão, não ficou gostoso e ainda assim indaga dizendo que fez tudo conforme a receita, “segui à risca”. Com a conclusão de que boa a receita não ficou, hora de achar os culpados como a loira da televisão, os utensílios domésticos incorretos ou adaptados, o forno ou as panelas não profissionais, os ingredientes de marcas diferentes, ou seja, tudo menos o executor da receita que nunca tem culpa.

A conclusão foi uma só depois deste dia como pateta, “não faço mais receita nenhuma em casa e na próxima vez seguirei o conselho do vô, no que tange a dúvida cruel do que fazer: “não faça, compra pronto”.

Marcus Campolina

O Atraso nosso de cada dia nos dai hoje, amém




É assim mesmo que começamos o dia, atrasados, seja levantando cedo, tarde ou nem dormindo. Para nossa heroína de hoje, já virou regra. 

Maria, aposentada a tempos, sempre anda atrasada, se o atraso pudesse virar marca registrada, com todo a certeza já estaria rica. Pois bem, em um belo dia, Maria decide colocar o seu celular para despertar antes de dormir, rezando quase que ajoelhada, e prometendo que levantaria no horário e chegaria no horário. 

O celular toca, toca, toca mais um pouco e desiste de tentar acordar Maria, o horário 10:30 da manhã. As 10:31, horário que já deveria estar no compromisso, Maria se levanta e como se ainda estivesse no horário, se arruma, toma o café, pois há o risco real de um possível desmaio na rua devido a fome, e sai de casa. Ainda não foi dito, mas o compromisso de Maria era apenas atravessar a rua e ir até a ginástica cuidar da postura. 

Devido ao atraso, a aula que deveria durar 50 minutos, durou 15 minutos, e segundo Maria, está mais do que suficiente, ademais citando a própria: “não sou artista e ninguém vai me ver mesmo”. 

Maria chega em casa, toma mais um pouco de café, prática muito comum ao pós treino de toda ginástica para a recuperação do músculo devido ao esforço, come mais do que deveria, emenda no almoço, dorme a tarde, devido a levantar cedo, levanta, toma mais café, assiste a tudo que passa na televisão e vai dormir. 

Ufa, depois de tanta atividade se recompensa com uma merecida partida de Candy Crush. Antes de dormir, promete que levantará cedo e não vai mais se atrasar. No caso de Maria, promessa feita é promessa não cumprida, pelo menos quando se trata de horário.

Marcus Campolina

Lalú – a menina que não sabia de nada em: A Teoria do Avestruz - parte 1


Lalú, uma mulher de 30 e poucos anos, sempre foi líder em tudo que fez, ou assim pensou que era, carismática, popular, represente e porta voz dos fracos e oprimidos. Na escolinha, já mostrava seu lado esquerdista, quando fez greve e paralisou as atividades de colorir, para que voltasse ao cardápio do lanche o famoso bolo de chocolate com suco sabor surpresa do Chaves.

Na escola, até a quarta séria, já era líder, da bagunça às reclamações contra professores. Sua mãe, Dona Humilde, ia na escola todo santo dia representar a filha contra os desmandos da aristocracia e burguesia dominante, assim chamava os professores e diretora da escola. 

Dando um salto, já no ensino médio, Lalú, não precisava mais da mãe para ser porta voz da classe, sabia bem como fazer um discurso. As maiores revoltas estudantis já vistas na história do colégio, foram feitas pela garota, uma verdadeira “Antônio Conselheiro” em uma Canudos escolar. Os mais notáveis feitos da garota: a greve geral da escola em que alunos não foram à aula em protesto ao aumento da carga horária das aulas e o cancelamento de atividades recreativas como educação física e aula de batuque; o ato de assistir um dia inteiro de aula calada e virada de costas ao quadro negro somente por um professor enaltecer o capitalismo em face de ditadores comunistas. 

Assim Lalú cresceu, foi universitária guerrilheira, uma verdadeira soldada no Diretório Acadêmico da faculdade, suas principais funções: incentivar greve, fazer festas, fazer cotas para fazer mais festas, reclamar de Deus e todo mundo na faculdade e ser comunista, mesmo só andando de carro e sempre morando em condomínios de luxo. Seu curso, ciências sócias, pois assim como todo bom líder, conhece os problemas de seus súditos, perdão, de seu povo. 

Na política, fruto de um trabalho árduo no DCE da faculdade, acabou virando deputada e líder do partido, sua principal função: ser popular e atrair votos para os demais membros do partido. Ante toda essa trajetória, tinha uma pedra no meio do caminho, desde a pré-escola, Lalú nunca sabia de nada, reclamava, era líder, falava às massas, mas, nunca sabia de nada, vivia envolta a “colegas”, que a colocavam a par de tudo. 

Já na política, aquele que se recebe para exercer, Lalú em meio a um escândalo político de desvio de verba, foi chamada para depor em uma CPI. Como nunca sabia de nada, invocou a Teoria do Avestruz, por que não?

Vamos aos fatos, a Teoria do Avestruz é real e explicita bem a atitude dos líderes, pois, nunca sabem de nada, dizem sempre nunca ter visto nada, ouvido nada, tomado conhecimento de nada, são inocentes. Em meio a uma crise, esconde a cabeça e esperam os problemas se resolverem e assim poderem voltar a ser os grandes líderes que às massas burras pedem, os que são bons de papo e sabem convencer, sem contudo, melhorar as vidas de seus representados.

As aventura de Lalú ainda não terminaram. Terão mais por aí.


Marcus Campolina

A Ponte

             

A ponte, ela liga dois lugares, uma partida e uma chegada, uma despedida e um reencontro, uma ida e um retorno, apenas uma certeza. A ponte é uma metáfora que levo para férias, o que não deixa de ser regra para a grande maioria que abandona seu lar por algumas semanas em busca de um descanso não apenas físico, uma paz espiritual, uma fuga de uma realidade a qual temos que viver.

Pois bem, a história começa com Márcio que todas férias escolares, sim, escolares, apesar de ser faculdade ainda considera como escola, inclusive com o horário do recreio, ele parte para a cidade das Esmeraldas, em que nada se parece com a mágica Oz. Dificuldade para chegar, facilidade de ficar, tristeza de deixar. 

Nada abala a certeza de que lá tem um pouco de paz, um pouco de riso, um pouco de casa que mora gente, com barulho, bagunça e calmaria. Alguns momentos são aproveitados, outros nem tanto, mas o ser humano é assim, aproveita apenas uma pequena parcela de tudo o que faz. Ao longo das semanas fica mais real a certeza de que no momento em que atravessamos, estamos cada vez mais perto de retornar, o início sempre é apenas a contagem regressiva para o fim.

Ao final, na despedida, o que não é bem uma partida, está de volta a hora de atravessar a ponte, a que separa a realidade fantástica da realidade fática. Apesar do que, post passado disse que BH não está mais tão ruim assim, mas será que não está mesma ?

Marcus Campolina

Um dia especial na Praça da Liberdade

Um Domingo no mês de maio era pra estar frio, mas como BH não faz frio mais, estava fresco. Pensei em levar um casaco, mas no fim achei melhora abortar o pesado fardo de se carregar um casaco. Bem, saí de casa atrasado como sempre, o compromisso marcado para as duas, mas saí de casa duas, a desculpa é sempre o trânsito, sim aquele que não te deixa sair cedo de casa o trajeto entre quarto, banheiro e último copo d'água antes de sair de casa, um ritual de mineiro.

De volta

Jorge acorda cedo, desperta sem o barulho de seu celular que toca uma melodia feita para despertar os sentidos e não assustar. Hoje é diferente, ele apalpa o criado e não encontra, abre mais os olhos e olha em volta, o quarto está diferente, não vê nada eletrônico e os móveis são antigos, mas com aparência de novos. Senta na cama e coloca os óculos percebendo que seu quarto está totalmente diferente e corre para a janela.

Frio em Minas


Horácio, meio ressabiado, em uma manhã de maio, decide colocar sua jaqueta e fazer sua caminhada típica até o centro da cidade de Belo Horizonte. A sua parada primária é no Café Nice, típica cafeteria inaugurada em 1939 e resistente aos anseios do mundo moderno.

Horácio, ainda com a jaqueta, percebe que em plena primeira semana de maio, às 7 horas da manhã, as pessoas que andam correndo e atravessam apressadas as ruas ainda não estão com frio. Coçando a cabeça e já suado ele toma seu café, proseia com os amigos e, claro, come um pãozinho de queijo.

Os sonhos que não nos permitimos sonhar


Pegando o gancho deixado pelo Leonardo Távora alguns posts pra trás, retomo à ideia do sonho, aquele que nos executamos e aqueles que apenas imaginamos. O sonho assim como tudo na vida necessita de incentivo, seja emocional, financeiro ou o mais importante a coragem. A coragem que digo é enfrentar, ficar nu perante a crítica e lutar para que possamos retirar do campo imagético e colocar no fático, real, viver aquilo que somos, afinal somos feitos de sonhos.

Um mineiro a la paulista

Mineiro, segundo o dicionário mais confiável que se tem nesta terra, é um povo acolhedor que adora nomear tudo o que se vê, ouve ou sente com o famoso “trem”, sempre está pronto para tomar um cafezinho com pãozinho de queijo quentinho, isso mesmo, tudo no diminutivo que é pra dar mais tempo de prosear com os amigos, colegas e família, sem claro deixar de observar as coisas quietinho.
O jeito mineiro de ser nunca foi tão posto a prova como nos tempos de hoje, a famosa quieteza mineira, a arte de inventar novas denominações pras palavras, não pode mais ser encontrado nas ruas, no modo de falar, nos relacionamentos interpessoais, estão todos sem tempo. O tempo que o mineiro não tem mais faz falta para as longas conversas, a forma de ser, o modo de viver a la mineira.