Falando de amor através das músicas!!

O amor é um dos mais importantes sentimentos que move o homem. Não apenas porque une duas pessoas e afasta a solidão, quando expressão da verdade, mas, principalmente, por nos levar a um estado de felicidade gratuita, que geralmente encontra solo fértil nos corações de quem está amando. Não é fácil dizer a alguem que amamos. Talvez essa seja a frase mais difícil das nossas vidas. É mais seguro, algumas vezes, manter esse sentimento bem guardado dentro de nós.
As músicas, por diversas vezes, falam nada menos que do amor. Tratam desse sentimento especial que nos une e que nos faz especialmente contentes. Através da análise de três canções, vamos viajar num mundo de aventuras, onde o amor é não apenas uma palavra, mas um nobre sentimento, que nos une e nos faz entender que cada novo dia é um recomeço, uma descoberta, e que podemos (e devemos) ser felizes, seja amando, seja vivendo pela opção de ser só, mas sempre deixando bem claro para nós mesmo que este foi o caminho que escolhemos seguir.
Começaremos a falar de amor com Nara Leão e “O que será (Àflor da pele)”. Aí temos um chamado ao amor. Chamado íntimo, quando nosso coração fala alto, mas só nós podemos ouvi-lo. É o tempo da conquista, do olhar 43, dos sorrisos discretos. É para pensarmos mesmo o que será que nos dá, que mexe conosco, nos faz ficarmos com medo, com vergonha, mas doidos para encararmos e vivermos uma coisa que parece não passar de uma grande loucura. Não tem remédio, nem limite. Perturba nosso sono, tira completamente nossa atenção.
É o que nos faz perder o juízo. Isso tudo nada mais é que um estado de paixão, inquietante, fogoso, irremediável sim. Quando sentimos todos estes sintomas, nem é preciso de um médico para atestar o que é óbvio. Estamos apaixonados. Certamente essa paixão, fullgás, efêmera, tórrida vai se acalmar e dar lugar ao amor, que é mais pacífico, mais sublime, menos efervescente. Sempre mais conciliador e calmo, que acredita e confia na pessoa amada, pois o amor, ao contrário da paixão, não é dado ao ciúme e à cobrança. Amamos, e isto basta para sermos felizes.
É aí que sentimos o mesmo que Tom Jobim sentiu quando escreveu “Luiza”. Alguns podem falar que esta música fala de um amor solitário, pois a Luiza, na verdade, nunca amou Tom. Sempre tratou com desdém esse sentimento que ele nutriu por ela. E por isso a música assume um ar melancólico. Na verdade, fala unicamente de um belo sonho de amor. Neste sonho, Luiza não tinha medo de se entregar ao seu amado Tom. Eles estão alí, numa bela noite, com o céu muito bonito e uma lua que parece flutuar como pano de fundo.
Se no início Tom diz que quer esquecer Luiza, logo depois ele a chama para que os dois caminhem juntos nesse sonho apaixonado. Isso nos mostra nada menos que as idas e vindas que o amor provoca. Ao mesmo tempo em que pensamos em esquecer por completo quem amamos, queremos tão somente que esse alguém venha e nos leve para, sei lá, a lua. É nada mais nada menos que o vai e vem que toda relação amorosa apresenta.
E chegamos à parte mais difícil da trajetória do amor. Aquela que ninguém gostaria de enfrentar. O final. Em “Samba do Grande Amor”, Chico Buarque fala nada menos que disso. É o fim de um amor que o amargura e que o faz tão desiludido com a vida. Por isso ele escreve o que acha ser verdade, que fora um tolo ao entregar seu coração àquela que não o merecia. É, na verdade, o que todos sentimos quando se acaba um relacionamento. Quem nunca chorou ao perder um grande amor? Só mesmo os que nunca amaram.
Chico dá risadas, quando a vontade dele é chorar. Sente isso não porque é um fraco, mas porque seu coração o traiu, o iludiu, colocando uma mentira diante de si. E ele embarcou, achou que fosse verdade, que o sentimento fosse bom. Talvez esse romance tenha terminado com brigas e toda sorte de problemas. E isso machuca muito, sobretudo os romanticos, que insistem em se jogar rumo ao desconhecido e pisar no solo instável da paixão. Quando se cai, a dor é grande, e a amargura costuma se apoderar das pessoas.
O amor é bom, mas provoca certo pânico nas pessoas. Talvez façamos isso por medo de não ver esse amor ressoar em nossa direção, assim como o mandamos. É medo de sofrer. Mas só pode sofrer aquele coração que se lança à realidade das coisas. Amar e ser amado é o que todos queremos. Precisamos de alguém que nos conforte e nos faça feliz, tanto quanto queremos fazer alguém feliz. As pedras desse caminho fazem parte dele. É a vida. Não que ela tenha razão, mas é ela quem nos ensina a sermos melhores conosco para podermos ser bons para os outros. Um dia chega um amor que ficará para sempre. Sempre chega. Para todo mundo.

Afinal, o que é ser homem?

Claro que meu questionamento não é sobre a definição clássica do homem, explicitando o que o diferencia da mulher, fisicamente. Falo aqui de uma definição (ou da falta dela) sobre o que torna o ser humano diferente dos outros animais da natureza. É do pensar que quero tratar nestas linhas, pois, em nosso mundo, cada vez mais se cultua o físico perfeito, imitando-se ao máximo o “Davi” de Michelângelo, que se chega ao cúmulo de desestimular e desacreditar o homus sapiens, ou seja, o homem que pensa. Pessoas matam, enganam, destroem, e ainda são capazes de dizer que fazem isso tudo por amor, com a cara mais limpa e sorridente do mundo.

Situação 01: “-Vai, cara, dá um tapinha, pô! Ou você não é homem?”
Situação 02: “- Tá com medo de me enfrentar, sua bicha? Cai pra dentro, rapá!”

Não é raro encontrarmos no mundo pessoas que cultuam um ódio gratuito contra aqueles que não têm um corpo sarado e cheio de músculos à mostra. São estes os alvos preferenciais dos que só pensam em arregimentar hordas de seguidores à sua volta (que se agrupam em torno desses “líderes” conhecidos pela força física) justamente porque os homens que não costumam usar os punhos como base de argumentação não sabem como se defender desses sujeitos a não ser com as palavras e com a educação que lhes foi ensinada. Pensar é palavra em desuso no mundo de hoje. Consumir é a ordem. Sem isso, você fica tão feio quanto letra de médico. Ninguém vai sequer tentar entender você. A sociedade das aparências precisa de escolas fracas e pessoas burras para se manter “em alta”, tanto quanto você depende do ar pra respirar e se manter vivo.
O grande problema é que nossa sociedade não está nem um pouco interessada em pessoas que pensam, pois estes certamente vão notar que há alguma coisa errada nessa dinâmica. Não é preciso perder horas fazendo o cérebro funcionar para se entender que o sistema está errado. Então se cria um universo de consumo, onde você precisa comprar, comprar e comprar, pois só assim estará sempre bonito, na moda. Academias vivem lotadas, vendendo a idéia de que as pessoas só olharão para você se seu corpo estiver com tudo em cima, sem gordurinhas nem rugas, ambas indesejáveis por quem só consegue se enxergar como gente quando está diante do espelho.
As baladas, então, são uma notável constatação de regressão humana aos tempos selvagens, onde o mais forte sempre subjuga o mais fraco, ganhando todas as impressionadas (e interesseiras) fêmeas, que usam de sua sensualidade, mesmo não sabendo formar uma frase inteligível, para conseguirem tudo o que desejarem. Os machos sempre, nessas baladas, trocam socos e pontapés, por vezes de modo covarde, somente para impressionar as “gatinhas”. E o pior é que elas gostam e nutrem esse estado tenebroso. Para elas, melhor um macho burro, que elas conseguem deixar mais tapados ainda, e do modo mais fácil, que um ser pensante, que não cai facilmente em suas ardilosas tramas.
Assim, cada vez mais, vemos que o intelecto vem sendo paulatinamente substituído pela força física e pela brutalidade. Uma sociedade de boçais não incomoda ao sistema, pois não pensa. Ao invés de exigir ética dos seus governantes, faz piadas com as situações vexatórias que vemos. E não passa disso. Não se mobiliza para nada. Afinal, nem é conosco mesmo! Pra que vamos trabalhar, crescer como pessoa, se nós temos o bolsa-família de graça, sem termo que nos esforçar pra nada?
Ser homem é, sobretudo, saber que se tem um cérebro capaz de produzir tudo o que vemos e do que nos servimos no nosso dia-a-dia, pois tudo o que há no mundo um dia passou pela mente de um homem. Da roda à energia elétrica, nada que tenha sido construído nasceu de modo espontâneo. Tudo foi pensado por alguém antes de existir, exceto a natureza, embora até a modificação dela seja culpa do pensamento humano, e de sua capacidade de exploração dos recursos naturais.
Do futuro nada sabemos. É verdade que o presente é o que mais importa. O problema é que as pessoas não usam o presente para serem melhores e mais capazes de compreender as coisas e lutar pelo que realmente importa. Não há nada melhor que bons amigos, em quem podemos confiar e com quem podemos sair e nos divertir de forma sadia, sem precisar agredir ninguém pra se sentir bem. Mas se procura, cada vez mais, aqueles amigos de balada, que só ficam perto do musculoso porque, na realidade, morrem de medo de serem vitimas dele. Não são amigos de verdade. Na hora do problema, são os primeiros a pularem para fora do barco desgovernado. E o rei fica nú, sem ninguém para ampará-lo.
A vida é curta demais para ficarmos nos perdendo em demonstrações gratuitas de ódio. Tente enxergar além das armaduras que as pessoas criam. Não fique somente nas aparências. Vá além. Você terá uma grande surpresa!

A estrela da minha vida

A estrela da minha vida tem olhos cor-de-mel, que mudam de cor dependendo da iluminação. Tem um rosto maravilhoso, com um nariz afinado e uma boca fina, pequena, como se tivesse sido pintada por um grande artista. Tem um corpo esguio, fruto de muito cuidado com a saúde, pois, essa é uma das coisas com as quais ela se preocupa demasiadamente. Tem pés bailarinos, bonitos, mas dos quais ela não tem muito apreço, pois são muito castigados em nome da sua arte. Ela tem uma pele branca, suave como a seda, e é bela como as ninfas dos contos de fadas.
A estrela da minha vida tem a arte nas veias, pulsando em si, como a vida que mantém cada um de nós. Esta arte é o que dá sentido à sua vida e a faz feliz. Ela esbanja talento, porque faz tudo com amor. Seja em uma calçada, mesmo que por brincadeira, ou no palco de um grande teatro, é isso que lhe dá alegria e, ao calor dos aplausos do seu público, ela recebe a energia necessária para brilhar mais e mais, com tanta ou maior intensidade que aquelas estrelas que fazem o céu à noite ser mais belo e mais poético. Ela se entrega para fazer felizes tantas outras pessoas. E ela ama fazer isso. Essa é a vida que ela escolheu. É assim que ela é feliz.
A estrela da minha vida é amorosa, romântica, mas independente e dinâmica. É um turbilhão de novas idéias, ao mesmo tempo que gosta de um bom momento a sós, para receber muito carinho. Ela é o motor da minha alegria, tanto quando corre eufórica para me mostrar uma nova criação sua, quanto quando de mim deseja apenas um sorriso e umas palavras de ânimo. Nos momentos em que ela dá vida às coisas que cria, sinto o seu pulsar, com a intensidade de quem faz com amor a doação diária, para levar o público para um mundo muitas vezes melhor que o nosso próprio.
Ela me faz triste quando vejo seu brilho apagado, por tristezas e problemas que muitas vezes não foi ela quem criou ou procurou para si. Sim, pois ela não brilha somente nos palcos do mundo ou no céu da minha vida. Seu brilho é diário e contínuo, sempre que ela tem a liberdade para voar, e a segurança para procurar dar sempre vôos mais altos, que a leve aos mais altos recantos do sol, aqueles onde ela reina e brilha, como se fosse a única, ainda que numa noite de céu estrelado. Ela é sempre a mais brilhante, a rainha do meu céu. Então, quando a vejo triste, também eu fico triste, pois sua energia é a minha energia, e se está fraca, abatida pela realidade infinitamente mais feia e tosca que seu mundo de sonhos, assim também eu fico. Por isso quero sempre ver minha estrela brilhar.
A estrela da minha vida não está lá no céu. Ela vive aqui mesmo, entre nós. Por mais incrível que seja, ela também passa por seus momentos de sofreguidão, afinal, é humana, de carne e osso, como cada um dos mortais quem tanto encanta. É ela que transforma minha vida em uma aquarela de infinitas cores. Sua ausência é como uma pintura de tons acinzentados em minha vida. Ela não é imortal, nem eternamente jovem, mas tem uma alma que a faz leve como uma criança sapeca, e me dá a clara impressão de que nunca estará longe de mim, longe da minha vida. Talvez isso seja a imortalidade. Mas o certo é que não sei disso. Ninguém sabe.
A estrela da minha vida, seja representando nos palcos, nas telas do cinema ou da TV, pintando ou escrevendo, seja apenas sendo alguém normal, é a mais incrível das criaturas. Aquela que faz e sempre fará de mim alguém capaz de amar, se sentir, e de viver. A ela eu rendo todas as homenagens que eu puder, pois é por ela existir que minha vida é e será sempre algo que vale a pena.

Ela brilha, e isto me faz feliz...
Então ela brilha, E faz da minha vida tudo o que eu sempre quis.

Estrela, estrela / Como ser assim? / Tão só, tão só / E nunca sofrer / Brilhar, brilhar / Quase sem querer / Deixar, deixar / Ser o que se vê... / No corpo nú / Da constelação / Estás, estás / Sobre uma das mãos / E vais e vens / Como um lampião / Ao vento frio / De um lugar qualquer... / É bom saber / Que és parte de mim / Assim como és / Parte das manhãs / Melhor, melhor / É poder gozar / Da paz, da paz / Que trazes aqui... / Eu canto, eu canto / Por poder te ver / No céu, no céu / Como um balão / Eu canto e sei / Que também me vês / E aqui, aqui / Com essa canção...

(A letra acima é da música "estrela, estrela", de Vitor Ramil)

Tempo: O grande construtor de histórias!

“És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...”

Quem nunca pensou no tempo. Naquele tempo que as coisas poderiam durar. Quanto tempo demoraria para aquela dor de amor passar. Que precisa de tempo pra isso, pra aquilo... Talvez o mal do mundo seja perder tempo pensando em quanto tempo vai precisar pra realizar alguma tarefa. Assim, por menor que seja o tamanho do trabalho a realizar, o tamanho do período pra isso será dobrado, contando-se o que perdeu imaginando.

”Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...”

O tempo é também o maior construtor de histórias, sejam elas felizes ou não. Pois é o tempo que nos faz amar cada vez mais, diariamente, fazendo-nos contruir casamentos que duram 50 anos, e que muitas vezes vão além disso. Mas é também esse mesmo tempo que nos permite esquecer aquele amor que não era tão verdadeiro assim, mas que mexeu conosco, e, por isso, em dado momento, nos fez sofrer com sua ausência. Nada melhor que o tempo para curar essas mágoas que entorpecem nossos corações e nos fazem até mesmo amargos e rabugentos.

“Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...”

Mas engana-se quem acha que é perda de tempo pensar, pois tudo o que existe de construção humana no mundo passou primeiro pela mente de alguém. Essa é a primeira etapa da realização. E o tempo é uma ferramenta necessária para a maturação das idéias, para que o homem consiga fazer os desbobramentos necessários, com o objetivo de deixar sua obra mais clara e passível de admiração, seja ela um livro, um roteiro, ou uma pintura. Tudo precisa de tempo para se transformar em beleza e encantar os olhos dos que a apreciam.

“Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...”

Com o tempo nós aprendemos que não adiantam os radicalismos. Que é na conversa - e não na porrada - que resolvemos nossas diferenças. Só o tempo é capaz de nos dar aquilo que tanto almejamos na vida: Sabedoria. Aqui ele tem uma aliada de peso, que é a paciência. Não se aprende nada quando se está sem tempo e sem paciência, pois o estudo das coisas demanda concentração, atenção e cuidado com a leitura, e também com a prática. Para que se tenha todo esse cuidado, é necessário que haja paciência, e que se saiba usar o tempo como um aliado, e não como um adversário a ser vencido. Assim se faz tudo bem feito.

“Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...”

Quem lembra do tempo quando está realizando uma atividade prazerosa? Parece que ele voa, e nem nos damos conta. Seja no trabalho ou em atividades de lazer, o tempo nem é sentido. As horas passam, e quando nos damos conta, ja anoiteceu, ou ja é de madrugada, quando nos deixamos ir por uma boa conversa com os amigos. Porém, quando estamos fazendo qualquer atividade que contrarie nosso gosto, o tempo teima em não passar. Quando estamos esperando a hora de encontrar com aquela paquera então, aí é que ele teima em andar lentamente, a passoa de tartaruga. A verdade é que o tempo não muda nunca. Nós é que mudamos nossa sensação, de acordo com o envolvimento e a satisfação que temos realizando as tarefas do dia-a-dia.

“De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...”

A maioria das pessoas que pensam em fazer sucesso em suas carreiras não param para ver o tempo passar. Estão preocupadas demais com o pr´prio bolso para deitarem-se no chão e apreciarem as estrelas que brilham no céu, ou mesmo admirarem as estrelas que existem em seus círculos de amigos, e até mesmo em suas casas. Todos têm um talento para alguma coisa. E todo mundo tem um pouco de artista dentro de si. O problema é que se escondem dentro das máscaras que criaram para viverem nesse mundo de mascarados, sem tempo para si próprios e para os que os cercam. Não há, no mundo moderno, tempo para apreciar o belo. “Isso é para os ricos, que não precisam de trabalhar”... E as pessoas se esquecem de que alimentar seu ser não é apenas almoçar todos os dias. A vida precisa de brilho para vermos algum sentido em continuar vivendo.

“O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...”

Faça um acordo com o tempo, para que ele não passe depressa demais, de modo que você não consiga sentir o valor imensurável que a vida tem, nem devagar demais, tornando todos os seus dias enfadonhos. Que ele passe num ritmo agradável, permitindo-o viver aproveitando o que a vida tem de bom, rindo das situações engraçadas, chorando de alegria quando tiver seu trabalho reconhecido, e até mesmo de tristesa, pois uma vida não são só flores.

“E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...”

Nada melhor que o tempo para consertar as burradas que fazemos na vida. Só ele é capaz de curar as feridas que nós mesmos criamos ao nos deixar cair em uma armadilha, pensando ser amor o que na realidade só nos aprisionou, tirando de nós o amor que sentimos naturalmente por nós mesmos, e nos fazendo servos de alguém que nunca nos amou, mas sabe direitinho como nos manter atrelado a si, com um grande cabreto psicológico, nos fazendo mudar nosso jeito de ser só para poder exibir o troféu para seu circulo de amizades. E não são só as mulheres que servem de enfeite para seus parceiros. Tem muito homem que vira um verdadeiro capacho por amor.

“Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo

Tempo tempo tempo tempo...”

O mesmo tempo que é capaz de afastar duas pessoas, é capaz também de uni-las novamente anos depois. São os mistérios do amor. Coisas que não sabemos explicar. Simplesmente acontecem. Geralmente existem muitas cobranças sobre o afastamento. Respostas que as pessoas às vezes não tem. E que geram discussões, quando o reencontro deveria ser o momento de alegria, até porque o passado não volta, e só se deve ficar com as boas lembranças, sob pena de se tornar amargo, consumido pelas tristezas que aquela separação causou.

“Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...”

Assim, vamos todos pela vida, guiados pelo tempo. O tempo de cada um. Nem tão rápido, e nem tão devagar. Apenas o tempo certo para que nossas idealizações se façam real e nos tragam felicidades, ou a capacidade de superar os momentos mais difíceis. Só é preciso tempo, para o reconhecimento e para o esquecimento. Apenas o tempo...

(Os versos que permeiam o texto fazem parte da música "Oração ao tempo", de Caetano Veloso)

Um amigo é assim!

(Tradução livre da canção Un amico è così, interpretada originalmente por Laura Pausini)

É fácil afastar-se, compreenda
Que como você ele também tem problemas
Mas quando você precisar ele estará aqui
Um amigo é assim

Ele não perguntará nem como nem por quê
Escutará e lutará por você
E depois ele tranqüilamente sorrirá
Um amigo é assim

E lembre que enquanto você viver
Se um amigo estiver junto você não se perderá
Os caminhos errados são percursos de quem
Não tem na vida um amigo assim

Não precisa dizer nenhuma palavra
Com um simples olhar você entenderá
Que depois de um não ele lhe dirá um sim
Um amigo é assim

E lembre que enquanto você quiser
Sempre ao seu lado o encontrará
Perto de você, jamais aborrecido, porque
Um amigo é a coisa mais bela que há

É como um grande amor, um pouquinho disfarçado
Mas que sentimos que existe
Escondido no fundo de um coração que se entrega
E não se pergunta por quê

Mas lembre que enquanto você viver
Se um amigo estiver junto, nunca o traia
Só assim você descobrirá que
Um amigo é a coisa mais bela que há

E lembre que enquanto você viver
Um amigo é a coisa mais verdadeira que há
É o companheiro da maior viagem que você faz
Um amigo é algo que não morre jamais

[Essa vai pra todos aí que costumam ler meus textos aqui, e compreendem que escrevo não para fazer bonito, mas para levar a todos vocês, meus amigos, o um pouco de distração, fazendo-os entrar em um mundo um pouco melhor que a dura realidade que vivemos neste mundo. É tudo uma grande brincadeira de dizer verdades sobre minha visão das coisas, que passei a compartilhar com vocês]

Confiança: Esta palavra...

Pois é. Este é um dos grandes dilemas da humanidade. Como confiar em alguém? O mundo anda tão perigoso, que é realmente muito difícil dizermos “eu confio em você”. Cabe aqui falarmos sobre o papel da confiança em relações de amizade e amor. As amizades vêm de laços que formamos com alguém. É um sentimento muito poderoso, e talvez o mais importante de todos, rivalizando e cooperando com o amor. Afinal, um grande amor dificilmente não surge de uma sólida amizade, mas quando o amor não é verdade, igualmente difícil será voltarmos ao patamar de “bons amigos”. Mas estas nada mais são que duas vertentes que dependem de uma coisa muito complicada, traduzida por uma palavra simples: Confiança.
Para o nem sempre confiável Wikipédia, confiança significa um “ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a. Confiar em outro é muitas vezes considerado ato de amizade ou amor entre os humanos, que costumam dar provas dessa confiança. A confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida, é preciso acreditar em alguém e conhecê-lo para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínsico. Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corretas sobre quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo da pessoa”.
A idéia é essa mesma. A confiança não passa de mais um sentimento afetivo social. Talvez seja este o mais tênue de todos. Digamos que o mais melindroso. Mas por quê, ainda assim, este é o mais importante dos sentimentos? Simples. Tudo que existe nas relações humanas é baseado na idéia da confiar. Você acredita na informação que recebe em seu trabalho, para que possa tomar uma decisão? Então você confia no seu colega. E quando um amigo lhe conta algo que aconteceu naquela festinha que você não pode ir? Claro que você acredita, pois se seu amigo lhe falasse mentiras, certamente não seria amigo.
A mesma coisa acontece no amor, mas esta é uma seara muito mais dificil de se entender, pois o amor (eros) é irrigado pela paixão. Esta é como um combustível muito inflamável que, se misturada com o ciúme, provoca uma explosão de incalculáveis proporções. Se não amamos com a certeza de que somos amados, somos capazes de qualquer coisa (qualquer mesmo), pois a ligeira ideia de sermos tratados como joguete por quem amamos é, por si propria, arrasadora. Isso é que faz com que qualquer relacionamento descambe para a agressividade e os pesadelos.
Por mais que você ame e confie em uma pessoa, sempre existe aquele medo, que muitas vezes não passa de uma grande curiosidade, de saber o que ela está fazendo quando seus olhos não estão enxergando-na. Se der corda para o pensamento, a possibilidade de que isso vire uma doença é muito grande, pois aí sai de cena o medo para entrar o perigoso ciúme, que realmente mata toda e qualquer confiança que se tenha naquela pessoa que até outro dia só nos fazia sentir leves com o amor que dela vinha. Por quê não desistir da relação, se não se confia mais em nada que venha do seu amor? A verdade é que o ser humano é um bicho muito egocentrista.
Para entrar em qualquer relacionamento é aquela novela. É prazeroso o momento da conquista, do encantamento. Mas quando a relação fica cinzenta, tenebrosa mesmo, nenhuma das partes quer aceitar ser “deixada”. Eu é que preciso encontrar no outro o defeito cruel que me faça brigar e acabar, mas nunca aceito que terminem a relação comigo. E nessa ideia de não querer ser o abandonado, surgem, inclusive, os chamados crimes passionais. Claro, pois se ela não pode ser feliz comigo, também não o será com mais ninguém. Aqui, a nossa amiga confiança ja foi pro espaço há tempos.
A grande verdade disso tudo, para mim, é que existem para o homem o amor e a amizade. É tudo muito bonito, vendido como a salvação das coisas. “Tenha amor pelo próximo”. “Ame a natureza”. “O cachorro é o melhor amigo do homem”. O problema é que nessas duas grandes vertentes das relações humanas, ou seja, tanto no amor quanto na amizade, o ingrediente básico é a confiança. Pois é ela, simplesmente, que faz com que tudo caminhe no rumo certo. Talvez por fazer sua parte com muita descrição, este é um sentimento renegado, considerado menor. Mas nunca deveria ser tratado como o menos importante, já que sempre precisamos dele até para nos olharmos diante do espelho.
Quando Machado de Assis tratava dos devaneios de Bentinho, ele falava muito do amor que este último sentiu por Capitu, e da dor de ver seu amigo o trair com seu único e grande amor da vida. Mas, sobretudo, Machado mostrou o quanto a mente humana pode criar ilusões quando não está presente nessas relações a confiança. É claro que Capitu pode ter traído Bentinho. Mas ele não viu, só imaginou. Se ela o traiu com Escobar ou não, nunca saberemos. Só sabemos muito bem o que ele fez quando parou de confiar nela e deu mais valor aos pensamentos que o ciúme provocou em sua cabeça. E atire a primeira pedra quem nunca sentiu ciúme da pessoa amada, e nunca deu atenção aos pensamentos inúteis que esse ciúme incita.
Verdadeiro amigos são aqueles nos quais podemos confiar, alguns dizem, inclusive, de olhos fechados. Você confia em alguém?